Destaques da bolsa

Ação do BB sobe mais de 4% com oferta de ações; Gol e Azul disparam com queda do dólar e Oi acelera ganhos da reta final

Confira os destaques da B3 na sessão desta quinta-feira

SÃO PAULO – A sessão foi de leve alta para o Ibovespa após a forte queda da véspera. Entre os destaques, atenção para a BR Distribuidora (BRDT3, R$ 26,85, +1,51%), que subiu até 3% após ter a cobertura reiniciada com recomendação de compra pelo Goldman Sachs, mas amenizou os ganhos.

Enquanto isso, o Banco do Brasil (BBAS3, R$ 45,29, +4,31%) viu seus papéis subirem 4% após anunciar oferta de ações podendo movimentar R$ 5,7 bilhões. Já as units do BTG (BPAC11, R$ 54,15, -3,78%) caíram forte, chegando a ter perdas de 10% na mínima do dia, com nova operação da PF envolvendo o banco.

As ações de Petrobras (PETR3, R$ 29,12, +0,76%; PETR4, R$ 26,74, +0,07%) e Vale  (VALE3, R$ 45,50, +0,75%), que chegaram a cair forte após os dados do ISM Services, amenizam as perdas e ficam próximos à estabilidade.

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Já os papéis de empresas aéreas, caso de Gol (GOLL4, R$ 32,70, +5,48%) e Azul (AZUL4, R$ 49,87, +4,09%), dispararam com a combinação de forte queda do dólar na sessão, com baixa de mais de 1,08%, e baixa do petróleo em meio à preocupação com o crescimento nos EUA. As aéreas dependem do querosene de aviação, que é cotado em dólar.

Os papéis da Oi (OIBR3, R$ 0,97, +6,59%; OIBR4, R$ 1,46, +4,29%), por sua vez, passaram a subir forte na reta final do pregão. As empresas de telecomunicações esperam que lei da reforma do setor (e que pode impulsionar a venda de ativos pela Oi) seja sancionada sem vetos até a próxima sexta-feira (4), de acordo com o site especializado Telesíntese.  “Após um processo muito longo no Congresso desde 2016, vimos a aprovação pelo Senado como o último obstáculo potencial a ser superado e esperamos que o presidente assine o projeto na íntegra. O próximo passo no processo deve ser a Anatel avaliar e realizar as mudanças introduzidas pela reforma das telecomunicações, que esperamos levar de 12 a 18 meses”, avalia o Bradesco BBI.

Confira os destaques da B3 na sessão desta quinta-feira (3):

 

Cosan (CSAN3), Ultrapar (UGPA3) e BR Distribuidora (BRDT3)

O Goldman Sachs reiniciou a cobertura de Cosan e Ultrapar com a recomendação neutra para ambas empresas. Para Cosan, o preço-alvo é de R$ 58, enquanto para Ultrapar é de R$ 19,10. Já BR Distribuidora recebeu recomendação de compra pelo Goldman Sachs.

Vale (VALE3, R$ 45,14, +0,09%)

A Vale atualizou suas projeções de indicadores econômico-financeiros e investimentos para este ano, incluindo os desembolsos relativos à tragédia de Brumadinho.

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Para o Capex, a mineradora projeta um montante total entre US$ 3,6 bilhões e US$ 3,8 bilhões este ano, enquanto o lucro antes de impostos, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglês) deve variar entre US$ 10,8 bilhões e 12,9 bilhões.

A companhia assume preços benchmark de minério de ferro no quarto trimestre entre US$ 80/t e US$ 100/t; preços de níquel entre US$ 16.000/t e US$ 20.000/t e BRL/USD a 4,15, na projeção do Ebitda.

A Vale estima, em relação ao fluxo de caixa, uma variação entre US$ 6,5 bilhões e US$ 9,4 bilhões. Já o prêmio de qualidade, incluindo finos de minério de ferro e ajuste de pelotas, deve ficar entre US$ 5,0/t e US$ 6,0/t no terceiro trimestre.

Na linha de despesas e custos, a mineradora prevê os gastos unitários relativos à parada de Brumadinho entre US$ 3,0/t e US$ 4,0/t no terceiro trimestre e entre US$ 2,5/t e US$ 3,5/t no quarto trimestre.

Sobre os desembolsos com a tragédia de Brumadinho, a Vale estima para este ano gastos entre US$ 900 milhões e US$ 1,15 bilhão; em 2020, de US$ 1,5 bilhão a US$ 2,1 bilhões; em 2021, entre US$ 1 bilhão e 1,5 bilhão; e em 2022, entre US$ 200 milhões e US$ 500 milhões.

O Credit Suisse destacou em relatório pontos do encontro da Vale com investidores, conduzido pelo CFO, Luciano Siani. O documento destacou as declarações de que a produção de Brucutu já está normalizada (30 Mtpy) e que a mineradora deve recuperar mais 5 Mt até o final do ano com a volta de Vargem Grande. A recomendação da instituição é de outperform.

“Ao longo de 2020 a empresa deve conseguir normalizar a produção de Mariana e adicionar 30 Mtpy. Cerca de metade deste número deve vir no segundo semestre de 2020. Outros 25 Mtp devem vir de Vargem Grande e Maravilhas 3”, escreveu o Credit Suisse, acrescentando que a direção mencionou que não deve pagar dividendos acima dos 25% de payout previstos por lei e que as aquisições parecem fora do radar.

Já o Morgan Stanley pontuou que a prioridade número um da Vale é reparar o impacto do acidente de Brumadinho e compensar as vítimas. Os executivos da empresa destacaram no encontro com os analistas que já possui 25 acordos que tratam dos impactos do acidente e pagou aproximadamente R$ 1,8 bilhão em indenizações de emergência e trabalhistas.

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Entretanto, a Vale ressaltou que ainda está para chegar a um acordo completo sobre danos ambientais e coletivos – o que deverá ocorrer no final deste ano ou no início de 2020. “A administração acredita que é improvável que os cerca de US$ 6 bilhões em provisões tomadas até agora aumentem, pelo menos não materialmente”, acrescentaram.

BTG Pactual (BPAC11, R$ 52,66, -6,43%)

As units do BTG Pactual têm forte queda, chegando a ter perdas de até 10%, após ser deflagrada pelo Ministério Público Federal e a Polícia Federal a operação “Estrela Cadente”, para cumprir um mandado de busca e apreensão em uma investigação sobre vazamentos de resultados de reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) ocorridos nos anos de 2010, 2011 e 2012.

Segundo informação que consta no site do MPF-SP, a investigação, instaurada a partir de colaboração premiada de Antônio Palocci, apura o fornecimento de informações sigilosas sobre alterações na taxa Selic, por parte da cúpula do Ministério da Fazenda e do Banco Central, em favor de um fundo de investimento administrado pelo BTG Pactual, que, com elas, teria obtido lucros extraordinários de dezenas de milhões de reais.

Banco do Brasil (BBAS3)

O Banco do Brasil informou que fará uma oferta secundária de 132.506.737 ações ordinárias de emissão do BB, sendo 68.506.737 de titularidade FI-FGTS e 64.000.000 de ações mantidas em tesouraria. Com base na cotação de ontem, de R$ 43,42, a oferta deverá movimentar cerca de R$ 5,7 bilhões.

A fixação do preço será em 17 de outubro. Do montante da oferta, até 22% será destinado prioritariamente para investidores de varejo, que realizarem o pedido de reserva, de FIA-BB, de FIA-Caixa, de termo de adesão ao FIA-BB ou termo de adesão ao FIA-Caixa.

De acordo com o Bradesco BBI, o follow-on não altera materialmente os fundamentos dos negócios, funcionando principalmente como uma alavanca para que entes governamentais (no caso a Caixa) monetize ativos. A movimentação estimada de cerca de R$ 5,7 bilhões equivale a 12 dias de negociação. Assim, é provável que a transação acabe gerando um overhang (excesso de liquidez) sobre as ações, gerando queda nas ações.

A Levante Ideias de Investimento também destaca que a oferta pode pressionar o preço das ações da companhia no curtíssimo prazo. “Entretanto continuamos confiantes no fechamento de ‘gap’ entre o preço da ações do banco com seus principais concorrentes no curto prazo”, avalia a equipe de análise.

Embraer (EMBR3)

A Embraer e a Boeing estimam que a transação entre as duas fabricantes de aeronaves seja concluída no início de 2020. Segundo comunicado divulgado agora pela manhã, a transação permanece sujeita a aprovações regulatórias da Comissão Europeia, que indicou recentemente que iniciará uma segunda fase de análises da transação. Já nos EUA, após uma avaliação detalhada da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos, a parceria estratégica das companhias recebeu autorização para ser concluída.

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A empresa informou ainda que pretende segregar o negócio de aviação comercial no final deste ano. Desde a aprovação da parceria pelos acionistas da Embraer, em fevereiro deste ano, as companhias têm trabalhado em um planejamento diligente para a criação de uma joint venture composta pelas operações de aeronaves comerciais e serviços relacionados a este segmento da Embraer.

O comunicado destaca ainda que a Embraer e a Boeing se preparam para criar uma joint venture para promover e desenvolver mercados para o avião de transporte multimissão KC-390. Sob os termos da parceria proposta, a Embraer terá uma participação de 51% na joint venture, enquanto a Boeing ficará com os 49% restantes.

Natura (NATU3)

A Natura informou que obteve consentimentos dos titulares de notes com vencimento em 2023 e 2043 emitidos pela Avon Products ou suas subsidiárias em relação às cláusulas de mudança de controle que seriam acionadas pela combinação de negócios entre as empresas.

Oi (OIBR3;OIBR4)

A Oi, que está nos estágios finais de uma reestruturação de dívida de US$ 19 bilhões, possui um “leque de opções” para levantar capital enquanto reorganiza seus negócios em um modelo sustentável e não vai decidir entre uma ou outra opção sob pressão, disseram o diretor operacional Rodrigo Abreu e o presidente Eurico Teles em entrevista à Bloomberg.

A Oi está negociando a venda de vários ativos e já começou a se beneficiar de um crédito fiscal de R$ 3 bilhões. A empresa também estuda emissão de dívida de até R$ 4,5 bilhões, conforme descrito no plano de recuperação judicial, disse Abreu.

“Não tem um caminho fixo à frente”, disse Abreu. “A execução desse leque de opções vai depender da ordem em que se realizem as vendas de ativos.” Abreu não disse que tipo de dívida poderia ser emitida ou o tamanho exato da venda.

Em relação às informações de que a empresa teria colocado à venda sua operação de telefonia móvel à venda, Abreu negou a possibilidade, mas recebeu com satisfação o interesse pelo ativo. “Nossa operação móvel é sustentável e gera valor”, disse.

O executivo acrescentou, porém, que é preciso “deixar de lado as especulações”. “A gente tem ferramentas para gerir a nossa gestão de caixa e injetar recursos na companhia.”

Em relatório, o Bradesco BBI avalia, sobre a possível venda das operações móveis da Oi, que não seria realista isto acontecer no curto prazo, já que seria um processo demorado, incluindo não apenas a negociação e aprovação, mas também a distribuição dos ativos.

“No entanto, acreditamos que a venda de ativos ainda é fundamental para a viabilidade do plano de investimentos da Oi, sendo a Unitel o principal gatilho no curto prazo”, escreveram Fred Mendes e Guilherme Haguiara.

Os especialistas, entretanto, têm uma visão favorável do compromisso reiterado da Oi de finalizar o processo de venda da Unitel este ano, já que o valor estimado de U $ 1 bilhão pela participação da Oi daria espaço para que a tele financie seu plano estratégico em um cenário de queima de caixa.

 

Fleury (FLRY3)

O laboratório Fleury anunciou a aquisição do Grupo Diagmax, que atua em serviços de diagnósticos por imagem e análises clínicas por meio de seis unidades de atendimento na região metropolitana de Recife (PE). A companhia pagará R$ 80,388 milhões pela aquisição e, futuramente, desde que atingidos determinados resultados mutuamente acordados, fará o pagamento de earn-out no valor de até R$ 31,598 milhões.

A receita bruta estimada do Grupo Diagmax, nos últimos 12 meses findos em julho de 2019, foi de R$ 47,2 milhões. “Essa aquisição permitirá ao Grupo Fleury expandir a presença estratégica no mercado de Recife, aumentando sua capilaridade para 17 unidades de atendimento e fortalecendo o portfólio de exames, com a expansão da oferta em diagnósticos por imagem por meio do Grupo Diagmax”, afirmou a empresa.

Kroton (KROT3), Yduqs (YDUQ3), Anima (ANIM3) e Ser (SEER3)

O Valor Econômico traz que entidades representativas de ensino superior se organizam para apresentar ao governo uma proposta de autorregulação do setor. Segundo a publicação, um dos pilares da proposta seria a criação de agências de acreditação, como as existentes nos EUA e Europa. Neste países, porém, elas são responsáveis apenas por questões envolvendo a qualidade do ensino e não pela regulação.

O Semesp, sindicato do setor, defende que as agências possam deliberar sobre a qualidade dos cursos e regulação. Entretanto, essa mudança não seria simples, uma vez que demandaria alterações na legislação e reduziria o papel da Seres, secretaria de ensino superior do Ministério da Educação.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

 

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