Bolsa

Dólar cai 1% e Ibovespa tem sessão volátil com dados dos EUA reforçando expectativa por corte de juros

Bolsa não tem um movimento único, pressionada pelo noticiário atribulado dos últimos dias

(Shutterstock)
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SÃO PAULO – Volatilidade: esta é a palavra de ordem para o Ibovespa na sessão desta quinta-feira (3). O índice abriu com ganhos, virou para a queda após os dados bastante ruins nos EUA, chegou a perder os 100 mil pontos, mas passou a operar novamente entre leves perdas e ganhos no início da tarde.

Às 12h37 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava leve baixa de 0,09%, a 100.945 pontos, após chegar a uma queda de 1,19%, a 99.826 pontos por volta das 11h, na mínima do dia, e subir 0,52% na máxima. O benchmark da bolsa passou a registrar forte baixa no final da manhã  após o dado de serviços dos Estados Unidos confirmar a tendência de desaquecimento registrada na semana passada na indústria e elevar as preocupações de que o país possa entrar em recessão.

O índice de serviços do Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês) caiu de 56,4 pontos para 52,6 pontos em setembro. A expectativa mediana dos economistas do consenso Bloomberg era de queda bem menor, para 55,3 pontos no mês.

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Contudo, o índice passou a amenizar as perdas em meio à percepção de que o corte de juros pelo Federal Reserve na reunião do final deste mês passa a ser mais provável, o que impulsiona os ativos também no exterior, com as principais bolsas americanas operando perto do zero.

O movimento é mais claro para o dólar: a divisa comercial registra perdas de 1,09%, a R$ 4,089 na venda e o contrato futuro com vencimento em outubro em baixa de 0,91%, a R$ 4,10. A moeda reflete a perspectiva de uma baixa mais intensa dos juros nos EUA, em uma baixa similar a da véspera, quando dados mostrando maior probabilidade de recessão nos EUA elevando a perspectiva de que o Fed atuaria de forma mais incisiva em sua próxima reunião de política monetária.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 perde quatro pontos-base a 4,91%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 recua cinco pontos, a 6%.

Previdência

Os investidores também seguem de olho no ambiente político no Brasil, que ficou mais conturbado com a derrota do governo no destaque que mudava as regras para o abono salarial. Este movimento evidenciou as consequências da disputa no Congresso entre deputados e senadores a respeito da divisão dos recursos do megaleilão do pré-sal.

Na semana passada, o acordo para garantir que o leilão ocorra em novembro deixou o texto fatiado, de modo que falta definir qual percentual dos R$ 106,5 bilhões será destinado a estados e municípios. A Câmara está do lado dos últimos, enquanto o Senado quer repasses iguais, de 15%, diretamente aos estados.

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À Jovem Pan, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou que a votação do segundo turno da reforma da Previdência pode ficar para depois do dia 15 de outubro diante da resistência de diversos senadores a votar a questão antes de ser definida a situação do leilão do pré-sal.

Para evitar novas surpresas, durante a votação do segundo turno da reforma no Senado, o governo mira agora manter a economia de R$ 800,3 bilhões em dez anos, evitando novas reduções. Quando chegou ao Senado, após aprovação da Câmara, a redução dos gastos com a Previdência era de R$ 933 bilhões, mas já havia sido reduzido a R$ 877 bilhões, na etapa anterior ao Plenário, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, a intenção do ministro Paulo Guedes é que cada bilhão perdido no Senado seja compensado no “pacto federativo”, que deve reunir medidas para descentralizar recursos em favor de Estados e municípios. Essa indicação, porém, gerou mais animosidade no ambiente já hostil criado com os senadores, que estão insatisfeitos com os rumos da divisão dos recursos do pré-sal.

Já nesta manhã, o senador Chico Rodrigues, vice-líder do governo, apontou que o Senado não deve votar o segundo turno da previdência antes do dia 22 – a expectativa era de a votação acontecesse na primeira quinzena de outubro.

Falas do Fed

As falas de dirigentes do Fed traz Charles Evans (Chicago), Randal Quarles (vice-presidente de supervisão do Conselho de Governadores), Loretta Mester (diretora executiva do Fed de Cleveland), Robert Kaplan (Dallas) e Richard Clarida (vice-presidente), também são acompanhadas de perto pelo mercado.

Evans afirmou nesta quinta-feira que a fraqueza de indicadores de produção manufatureira se deve, em grande parte, a incertezas sobre o cenário comercial.

Segundo Evans, as incertezas comerciais geram cautela e causam redução dos investimentos das empresas – o que, segundo ele, foi um dos motivos que levaram o índice de atividade industrial nos EUA elaborado pelo Instituto para a Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês) ao menor nível em mais de dez anos em setembro.

“Há muitas preocupações sobre efeitos de incertezas sobre as cadeias produtivas”, afirmou à Bloomberg News. “Se os agentes precisarem reinvestir, eles têm de saber onde investir”.

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Contudo, Evans ponderou que o ISM é apenas um indicador, e que é necessário aguardar por mais dados. Ele destacou que os gastos dos consumidores têm tido bom desempenho e que o crescimento econômico está em níveis razoáveis.

Noticiário Corporativo

A Vale (VALE3) informou que o lucro antes de impostos, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglês) este ano deve variar entre US$ 10,8 bilhões e 12,9 bilhões. A empresa atualizou ainda a sua projeção de capex, para um montante total entre US$ 3,6 bilhões e US$ 3,8 bilhões este ano.

Em relação à tragédia de Brumadinho, a Vale estima para este ano gastos entre US$ 900 milhões e US$ 1,15 bilhão; em 2020, de US$ 1,5 bilhão a US$ 2,1 bilhões; em 2021, entre US$ 1 bilhão e 1,5 bilhão; e em 2022, entre US$ 200 milhões e US$ 500 milhões.

A Natura (NATU3) informou que obteve consentimentos dos titulares de notes com vencimento em 2023 e 2043 emitidos pela Avon Products ou suas subsidiárias em relação às cláusulas de mudança de controle que seriam acionadas pela combinação de negócios entre as empresas.

Em estágio final de uma reestruturação de dívida de US$ 19 bilhões, a Oi possui um “leque de opções” para levantar capital enquanto reorganiza seus negócios em um modelo sustentável e não vai decidir entre uma ou outra opção sob pressão, segundo o COO, Rodrigo Abreu, e o CEO, Eurico Teles.

Bolsas Internacionais

Enquanto aguarda por uma série de indicadores previstos para hoje, os índices futuros de Nova York apontam para uma recuperação após a recente queda das bolsas norte-americanas. Os mercados refletem os possíveis impactos do prolongamento da guerra comercial sino-americana sobre o ritmo da atividade dos EUA.

As aflições podem ser dissipadas, porém, diante dos resultados da nova rodada de negociações comerciais entre os dois países, prevista para o dia 10 de outubro. Ainda nos EUA, as preocupações seguem diante da possibilidade de avanço do processo de impeachment do presidente Donald Trump. Democratas planejam intimar a Casa Branca caso o governo recuse fornecer documentos relacionados aos contatos de Trump com o líder ucraniano.

Na Ásia, com os mercados chineses fechados, as bolsas do Japão e Austrália fecharam com fortes perdas, com exceção de Hong Kong. Os mercados asiáticos refletiram no pregão desta quinta-feira, sobretudo, a ressaca dos mercados europeus e norte-americano da véspera, com as preocupações sobre os impactos da guerra comercial sobre o ritmo de crescimento da economia mundial.

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Na Europa, os mercados operam de forma mista, após a decisão da OMC de autorizar os EUA a imporem tarifas aos bens importados europeus. Washington impôs taxas de 10% aos aviões da Airbus e 25% de impostos sobre o vinho francês, uísques irlandeses e escoceses e queijo de todo o continente. As tarifas entrarão em vigor a partir de 18 de outubro.

Entre os indicadores, o índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro recuou de 51,9 em agosto para 50,1 em setembro, atingindo o menor patamar desde junho de 2013, e indicando praticamente uma estagnação do setor privado ao final do terceiro trimestre. Na Alemanha, o PMI composto caiu de 51,7 em agosto para 48,5 em setembro, na primeira marca abaixo de 50 desde abril de 2013.

Ainda na Europa, as vendas do varejo da zona do euro subiram 0,3% em agosto ante julho, segundo a Eurostat. Já o preço ao produtor industrial (PPI, na sigla em inglês) recuou 0,5% na zona do euro em agosto, ante julho.

(Com Agência Estado, Agência Brasil, Agência Senado, Agência STF e Bloomberg)

 

 

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