Conheça CRI e CRA, aplicações renda fixa sem IR

Certificados de recebíveis imobiliários (CRI) e do agronegócio (CRA) são opção mais rentável que os títulos públicos. Saiba como funcionam e como investir neles

CRA e CRI

Os investimentos isentos de Imposto de Renda estão entre os preferidos dos brasileiros – por razões óbvias. Duas opções que estão ganhando adeptos são os chamados Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA). Embora sejam papéis de renda fixa distintos, eles possuem muitas características em comum.

Para os investidores que estão cansando do Tesouro Direto e buscam opções de renda fixa mais arrojadas, CRIs e CRAs podem ser ótimas alternativas.

Com uma remuneração normalmente maior do que a dos títulos públicos, os certificados de recebíveis são emitidos por empresas privadas – as securitizadoras. E são lastreadas em operações de crédito ligadas aos setores imobiliário e do agronegócio.

Ficou curioso? Leia esse guia até o fim e descubra como investir em CRIs e CRAs com segurança e bons resultados.

1. O que é CRI e CRA?
2. Como funcionam
3. Vantagens e Desvantagens
4. Como escolher um bom CRI ou CRA
5. Passo a Passo; como investir

O que é CRI e CRA?

CRIs e CRAs são dois tipos diferentes (embora parecidos) de títulos securitizados de renda fixa. E para evitar que as suas dúvidas sigam para além deste parágrafo, saiba que securitizar é o mesmo que transformar créditos a receber – como parcelas de uma venda a prazo ou pagamentos de um financiamento – em papéis que podem ser comprados por investidores e negociados no mercado.

Pense em uma construtora. Cada casa que ela vende só é quitada ao longo de vários anos, conforme os compradores pagam todas as parcelas devidas. Suponha que, para começar seu próximo empreendimento, essa construtora precise levantar recursos. Uma forma de captar dinheiro é “empacotar” os pagamentos futuros que seus clientes ainda farão pelos imóveis que já compraram em um CRI – e vendê-lo no mercado.

Nessa operação, ao ceder seus recebíveis (créditos que têm para receber), a construtora consegue antecipar recursos que só receberia em 10, 20 ou 30 anos. Para organizar todo esse processo existem as securitizadoras, que compram as dívidas, emitem os CRIs e os disponibilizam para os investidores. Eles, por sua vez, são remunerados ao longo do tempo conforme os recebíveis forem quitados.

A principal diferença entre CRIs e CRAs é a origem dos recebíveis securitizados. No caso dos CRIs, o lastro são créditos ligados ao setor imobiliário, como financiamentos residenciais, comerciais ou para construções, além de contratos de aluguéis de longo prazo. Já os CRAs têm como lastro empréstimos relacionados à produção, à comercialização, ao beneficiamento ou à industrialização de produtos, insumos ou máquinas do agronegócio.

Dentro de um CRI ou de um CRA podem ser encontrados recebíveis de valores diferentes, prazos distintos e remunerações específicas. O que a securitização faz é exatamente uniformizar essa cesta em um papel com taxas e riscos determinados e um fluxo de pagamentos definido.

Como funcionam

Na prática, para o investidor, os CRIs e CRAs se parecem com outros investimentos de renda fixa: compram-se os papéis e, em troca de manter os recursos aplicados, recebe-se uma remuneração (juros).

No entanto, existem algumas especificidades que devem ser consideradas antes de fazer a aplicação. Confira os detalhes abaixo:

Rentabilidade

Por serem papéis de renda fixa, a remuneração que os certificados de recebíveis oferecem aos investidores segue um modelo semelhante ao de outros investimentos da categoria. Normalmente, CRIs e CRAs adotam uma das estruturas a seguir:

– Remuneração prefixada: o investidor já sabe desde o momento em que compra o certificado o valor da taxa de juros que receberá ao longo do tempo – 3%, 5% ou 10% ao ano, por exemplo. Assim, é possível calcular exatamente a rentabilidade em reais que obterá até o vencimento do papel;

– Remuneração pós-fixada: o investidor sabe o indicador que servirá de referência para a remuneração desde o início, que pode ser o CDI (principal índice de rentabilidade da renda fixa) ou a Selic (taxa básica de juros da economia brasileira), por exemplo. O retorno efetivo da aplicação, no entanto, é desconhecido, pois seguirá a dinâmica das variações do indicador. Se ele subir ou cair ao longo do tempo, a remuneração em reais poderá ser maior ou menor.

Nesses casos, o retorno dos CRIs e CRAs é um percentual do indicador de referência – como 110% do CDI ou 90% da Selic ao ano. Assim, o investidor receberá 110% do que render o CDI ao longo de um ano ou 90% da Selic.

Também é possível encontrar papéis que adotam a fórmula “CDI mais spread”, em que a remuneração é igual ao CDI mais uma taxa – 1% ou 2% ao ano, por exemplo.

– Remuneração atrelada à inflação: os certificados desse tipo têm uma parcela prefixada e outra pós-fixada de rentabilidade. A parcela prefixada assegura uma taxa de juros mínima (como 4% ou 5% ao ano). A pós-fixada é a variação da inflação, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ou pelo IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado).

Qual desses formatos de remuneração é o melhor? Isso depende das características e dos objetivos de cada um com o investimento. Algumas estruturas são ideais para preservar o poder de compra no longo prazo, enquanto outras são mais adequadas para as épocas em que as taxas de juros estão caindo ou subindo. É necessário considerar esse conjunto ao escolher uma alternativa.

Liquidez

O nível de dificuldade para resgatar o dinheiro aplicado nos certificados de recebíveis é um fator que os investidores precisam considerar. De modo geral, CRIs e CRAs são considerados produtos de baixa liquidez. Para quem não tem certeza de que poderá manter os investimentos até o vencimento, eles podem ser uma opção ruim.

Via de regra, os certificados de recebíveis são investimentos com vencimento no longo prazo – de pelo menos dois anos, podendo chegar a mais de 15 anos. Para receber a remuneração acordada na época da emissão, o investidor deve manter a aplicação durante esse período inteiro.

Não há um valor mínimo de investimento em CRIs ou CRAs previsto em regulação. Muitos desses papéis são emitidos por um valor de base bastante acessível e disponíveis, em plataformas, por menos de R$ 1 mil. Vale lembrar que algumas ofertas podem ser restritas a investidores qualificados (que possuam pelo menos R$ 1 milhão de patrimônio alocado em aplicações financeiras).

Se precisar dos recursos antes do vencimento, a alternativa é recorrer ao mercado secundário, para tentar vender os papéis diretamente a outros investidores que estejam interessados. Na B3, CRIs e CRAs são negociados no Bovespa Fix, ambiente em que são listados outros papéis de renda fixa. Além dos certificados de recebíveis, também são operados por lá FIDCs (fundos de direitos creditórios), debêntures e letras financeiras, entre outros.

No entanto, mesmo no mercado secundário, a liquidez é restrita. Em grande parte, isso se dá porque outros produtos de renda fixa são emitidos em muito maior volume do que CRIs e CRAs. Um exemplo ocorreu em 2019. No ano, foram emitidos R$ 173 bilhões em debêntures e R$ 35 bilhões em notas promissórias, enquanto o volume de CRIs não chegou a R$ 16 bilhões e o de CRAs se aproximou de R$ 14 bilhões.

Riscos e Garantias

Em um primeiro momento, por algumas das suas características, os certificados de recebíveis podem lembrar bastante outros papéis vinculados aos mesmos segmentos: as letras de crédito imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA). Existem, no entanto, diferenças profundas no sistema em que a emissão de cada um desses papéis está baseada.

Um exemplo é o risco que cada produto embute. Quem compra uma letra de crédito fica exposto ao risco geral da própria instituição financeira – normalmente um banco – que a emitiu. Assim, se o banco tiver um problema de liquidez, mesmo que não diretamente ligado ao lastro das letras, os investidores também sentirão o impacto.

Nos CRIs e CRAs isso pode ser diferente. Quando os papéis são emitidos dentro do chamado “regime fiduciário”, o investidor não corre o risco da companhia securitizadora – que é apenas um veículo da emissão. O risco a que ele fica exposto é exatamente o das operações incluídas nos certificados.

Em outras palavras, o que conta é a capacidade de pagamento de quem tomou o financiamento imobiliário ou fez um empréstimo para comprar um trator. Quanto maior for o risco de esse grupo de compradores dar um calote nas suas dívidas, mais arriscado o papel é considerado.

A vantagem, na prática, é que o risco dos certificados é segregado do risco da securitizadora. Se ela tiver dificuldades financeiras, o fluxo de pagamento para os investidores não será afetado, porque os recebíveis estão formalmente separados do patrimônio da securitizadora.

Por outro lado, uma desvantagem é o fato de que CRIs e CRAs não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O fundo devolve até R$ 250 mil por investidor caso uma instituição que emite papéis como LCIs e LCAs – além de CDBs e a própria poupança – tiver problemas financeiros.

Tributação e taxas

Um dos principais atrativos dos certificados de recebíveis é a isenção de Imposto de Renda e de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Com isso, não é preciso descontar mais nada da rentabilidade oferecida aos investidores – ela já é líquida.

Em outros investimentos de renda fixa, como CDBs e títulos públicos, o investidor paga Imposto de Renda seguindo uma tabela regressiva, em que as alíquotas diminuem conforme o tempo que a aplicação. Um investimento resgatado em menos de seis meses paga 22,5% de IR sobre a rentabilidade. Já se o saque for realizado apenas depois de dois anos, a alíquota do IR cai para 15%.

Além disso, normalmente não há cobrança de taxa de administração sobre certificados de crédito. Muitas corretoras também isentam os investidores de taxa de corretagem ou de custódia, embora algumas possam cobrar por esse tipo de serviço.

Vantagens e Desvantagens

As principais vantagens dos CRIs e CRAs são a rentabilidade e a isenção de Imposto de Renda. Na B3, estão disponíveis para negociação papéis com retorno muito maior do que as alternativas de renda fixa mais tradicionais, como os títulos públicos do Tesouro Direto. E, por serem títulos isentos, a remuneração é líquida.

Já as principais desvantagens também são duas. De um lado, a liquidez restrita dificulta a vida de quem eventualmente precisar do dinheiro de volta antes da data de vencimento. Do outro, o fato de não serem papéis cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) também é visto como um problema por alguns investidores, dado o perfil de maior risco do produto.

Como escolher um bom CRI ou CRA

Um CRI ou um CRA será uma boa aplicação se os investidores tiverem metas que se enquadrem nas características do papel. Por isso, o primeiro passo é avaliar o próprio perfil de investimento e os objetivos traçados para o dinheiro que vai ser aplicado. É preciso considerar, por exemplo, o prazo do investimento e as chances de precisar do dinheiro antes disso.

Também é importante verificar o nível de risco dos papéis. Se os recursos que você tem para aplicar em certificados de recebíveis representarem uma parte muito relevante do seu patrimônio, sua exposição ao risco pode acabar ficando muito elevada. Lembre-se de que CRIs e CRAs não são cobertos pelo FGC.

Também compare os prazos e a rentabilidade oferecida pelos certificados com os de outros investimentos de perfil de risco semelhante. Procure entender quais são as razões para as diferenças que encontrar. A remuneração proposta em um produto financeiro é maior conforme o risco que ele envolver.

Passo a Passo; como investir

1) Abra a sua conta em uma corretora
Ao escolher a corretora, considere aspectos como custos de operação, variedade de opções de investimentos, qualidade da plataforma de negociação e acesso a suporte para dúvidas. Por exemplo, a Rico oferece taxa ZERO para todos os investimentos em renda fixa.

Quando se trata de CRIs ou CRAs novos, que estão chegando ao mercado, é comum que sejam alvos de ofertas públicas. Para comprar papéis nessa situação, verifique se sua corretora está participando da operação como distribuidora dos papéis. Se não estiver, talvez seja necessário buscar outra instituição.

2) Verifique o prospecto
Trata-se de um documento que apresenta todas as informações importantes sobre a oferta. Esse material informa, por exemplo, os detalhes dos recebíveis incluídos em cada certificado, a remuneração prometida aos investidores, os prazos, as condições da distribuição, e muito mais.

3) Solicite uma reserva
Se as informações convencerem você a investir no CRI ou CRA, será preciso solicitar uma reserva, informando à corretora quantos papéis pretende comprar. Isso deve ser feito durante o chamado “período de reserva”, que é um prazo – normalmente de algumas semanas – destinado exatamente a esse procedimento. Encerrado o período, as instituições que estão organizando a oferta divulgarão o preço final dos certificados e também quantos deles cada investidor conseguiu adquirir (é feito um rateio quando a procura supera a oferta).

Pode acontecer de você se interessar também por certificados que já estão circulando no mercado secundário – ou seja, que já foram ofertados no passado e que, no momento, só podem ser adquiridos de outros investidores. A corretora também é o caminho para adquirir CRIs e CRAs nessa situação.

4) Avalie o valor mínimo
No caso dos certificados de recebíveis, dependendo do nível de risco e do potencial de retorno de cada papel, pode ser exigido um valor mínimo de aplicação. Algumas ofertas podem estabelecer aplicações iniciais de R$ 300 mil ou mais. Mas, em certas corretoras, é possível comprar CRIs e CRAs com valores tão baixos quanto R$ 10 mil.

5) Analise o risco
Tanto no caso das ofertas públicas quanto no mercado secundário, é fundamental analisar com atenção a composição de cada certificado de recebíveis. Isso vai ajudá-lo a evitar a exposição a papéis com risco de crédito excessivo, se esse não for o seu objetivo. Procure conhecer a securitizadora que emitiu os papéis e cheque se foi adotado o regime fiduciário.

CRIs e CRAs também costumam receber um rating, nota atribuída aos papéis por uma agência independente que busca avaliar o seu risco de crédito. Essa nota indica se o produto envolve um risco de calote alto ou baixo.

6) Transfira o dinheiro e comece a investir
Feito isso, basta transferir o valor para a sua conta na corretora e executar o a ordem de investimento. Pronto! Você já investe em CRIs e CRAs.

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