LCI e LCA: guia completo para começar a investir

Papéis lastreados em empréstimos dos dois setores têm um atrativo irresistível: são isentos de Imposto de Renda. Conheça os detalhes e como se proteger do risco dessas aplicações

Nos últimos anos, as letras de crédito imobiliário e do agronegócio se tornaram uma febre. Se você não reconheceu esses nomes, talvez lembre as siglas que representam esses papéis: LCI e LCA.

Entre outras razões, elas ganharam os corações (e as carteiras) dos investidores porque oferecem um benefício fiscal importante: são isentas de Imposto de Renda.

Mas você conhece esses investimentos em detalhes? Sabe se eles servem para você? Que riscos estão envolvidos, e qual o potencial de retorno? Este guia, preparado pelo InfoMoney, procura responder essas e outras dúvidas. Ao fim da leitura, você estará preparado para apostar nas letras de crédito – ou optar por outro investimento mais adequado ao seu caso em especial.

1) O que é LCI e LCA?
2) Como funcionam
3) Vantagens e Desvantagens
4) Como escolher uma boa LCI ou LCA
5) Passo a Passo; como investir

O que é LCI e LCA?

A LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e a LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) são dois tipos de investimento em renda fixa isentos de Imposto de Renda, que costumam garantir retornos bem superiores ao da caderneta de poupança.

Ambas são muito parecidas com os CDBs emitidos pelos bancos, ou seja, quem compra esses papéis “empresta” dinheiro para uma instituição financeira. Em troca, recebe uma remuneração – juros – durante o período em que mantiver os recursos aplicados.

Do ponto de vista do investidor, não há diferença entre investir em LCI ou LCA – o que muda é o lastro do papel.

As letras de crédito imobiliário, por exemplo, são lastreadas na carteira de empréstimos relacionados ao setor imobiliário mantida pelas instituições emissoras. Elas podem ser lançadas pelos bancos, mas não apenas. Também podem ser utilizadas por sociedades de crédito imobiliário, associações de poupança e empréstimo e companhias hipotecárias que queiram captar recursos.

Já as letras de crédito do agronegócio são títulos usados para captar recursos para os participantes da cadeia do agronegócio.

O lastro das LCAs podem ser empréstimos concedidos a produtores rurais ou cooperativas, incluindo financiamentos relacionados tanto à produção quanto à comercialização, beneficiamento ou industrialização de produtos agropecuários, insumos ou até máquinas e implementos usados no setor.

Como funcionam LCIs e LCAs

De modo geral, o funcionamento das letras imobiliárias e do agronegócio se parece com o de outros produtos de renda fixa. Há, porém, algumas especificidades que os investidores precisam conhecer. Confira os detalhes abaixo:

Rentabilidade

As LCIs e as LCAs seguem uma lógica parecida de remuneração para os investidores. São papéis que podem tanto ser prefixados quanto pós-fixados – ou ainda, atrelados à variação da inflação. As estruturas mais comuns são:

– Letras prefixadas: o investidor recebe uma taxa de juros definida já no momento da aplicação. Pode ser de 5% ou 7% ao ano, por exemplo. Com isso, é possível calcular exatamente a remuneração em reais que ele obterá até o vencimento do papel;

– Letras pós-fixadas: nesse caso, o investidor conhece de antemão o indicador que servirá de referência para a remuneração da LCI ou da LCA. O mais comum é que seja a taxa do CDI, principal referência de rentabilidade da renda fixa. Mas o retorno efetivo da aplicação seguirá a dinâmica das variações do indicador. Se ele subir ou cair ao longo do tempo, a remuneração em reais poderá ser maior ou menor.

Normalmente, o retorno de uma letra pós-fixada é apresentado como um percentual do indicador de referência: 90% do CDI ao ano, por exemplo. Significa que o investidor embolsará 90% do que render o CDI ao longo de um ano.

Outra forma comum de remuneração é conhecida como “CDI mais spread”. Uma LCI pode, por exemplo, remunerar o investidor com o CDI mais 1% ou 2% ao ano.

– Letras atreladas à inflação: nas LCIs e LCAs desse tipo, a remuneração tem uma parcela prefixada e outra pós-fixada. Os casos mais comuns são aqueles em que o papel assegura uma taxa de juros (como 4% ou 5% ao ano) mais a variação da inflação, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ou pelo IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado).

A escolha por uma dessas opções depende de diversos fatores relacionados às características e aos objetivos de cada investidor. Se a intenção é preservar o poder de compra do dinheiro no longo prazo, as letras atreladas à inflação podem ser uma opção interessante. Para quem não quer ter surpresas com o valor do investimento ao longo do tempo, os papéis pós-fixados costumam ser os mais estáveis e conservadores.

Liquidez

As LCIs e LCAs, na média, são consideradas investimentos de liquidez inferior à de outros produtos de renda fixa. Significa que o grau de dificuldade para transformar os papéis em dinheiro novamente, resgatando os recursos, é maior do que o dos títulos públicos ou os CDBs.

Em poucas palavras, não dá para sacar a qualquer momento.

Para os interessados nas letras, o primeiro item de atenção é o prazo de carência. As LCIs e LCAs precisam obedecer a um período mínimo de investimento, determinado por regulação do Conselho Monetário Nacional (CMN). E a carência varia conforme o tipo de remuneração oferecida pelos papéis.

Nas LCIs, via de regra, o prazo mínimo é de 90 dias. Isso vale para as letras pré e pós-fixadas. No entanto, ele pode ser bem maior quando a remuneração do título estiver atrelada a um índice de preços – 12 meses caso a atualização do título for anual ou 36 meses se for mensal.

Nas LCAs, os prazos são também de 90 dias para as pré e pós-fixadas, e de 12 meses para as letras atualizadas anualmente por um índice de preços.

Fora o prazo de carência, os investidores também devem considerar um segundo ponto: a possibilidade de resgatar as letras antes do vencimento. Existem LCIs e LCAs com liquidez diária após cumprido o período mínimo de aplicação. Nesses casos, o resgate pode ser feito a qualquer momento a partir dali. Mas há também letras que só permitem o resgate na data do vencimento do papel – que costuma variar de um a três anos.

Uma alternativa para quem precisa dos recursos antes do fim da aplicação é negociar os papéis no mercado secundário, vendendo as LCIs ou LCAs para outro investidor disposto a carregá-las até o vencimento.

Esse tipo de operação, no entanto, também demanda atenção. Nem todos as letras possuem volume alto de operações no mercado secundário. Com isso, o investidor pode demorar algum tempo até conseguir vendê-las – ou ser obrigado a conceder um desconto para atrair interessados.

Além disso, no mercado secundário, os papéis são negociados a “preços de mercado”, estabelecidos livremente segundo a demanda dos outros investidores por eles. Por isso, o valor das letras pode tanto estar mais alto do que o originalmente pago, como também pode estar mais baixo. Também por conta disso podem haver ganhos ou perdas.

Risco

Embora as LCIs e LCAs sejam lastreadas em operações de empréstimo imobiliário ou agrícola, quem compra esses papéis fica exposto ao risco geral da própria instituição financeira que os emitiu. Significa que, se o banco apresentar algum problema de liquidez, mesmo que não diretamente relacionado ao lastro das letras, os investidores também sentirão o impacto.

Uma vantagem é o fato de que tanto as letras imobiliárias quanto as do agronegócio são cobertas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Assim, no caso de a instituição financeira quebrar, o investidor recebe de volta até R$ 250 mil do valor aplicado.

Mas atenção: a garantia é contabilizada por CPF e por instituição. Se, além de LCIs ou LCAs, o investidor tiver dinheiro na conta corrente ou na caderneta de poupança da casa problemática, o limite para a devolução dos recursos abarcará também essas as aplicações. Caso o valor total ultrapasse R$ 250 mil, o excedente não será coberto.

Por isso, uma recomendação usual dos especialistas é diversificar, investindo em letras emitidas por diferentes instituições financeiras. Assim, na prática, é possível ampliar o valor coberto pelo FGC.

Essa estratégia, no entanto, também tem um porém. Em 2017, o Fundo estabeleceu um limite global de garantia de R$ 1 milhão, renovado a cada quatro anos.

Com isso, mesmo que o investidor tenha pulverizado suas aplicações em 10 instituições financeiras diferentes, o limite de ressarcimento que poderá utilizar ao longo de quatro anos é de R$ 1 milhão (e não de R$ 2,5 milhões, como alguém poderia imaginar fazendo uma conta simples).

Tributação e taxas

É nesse ponto em que está o maior atrativo das letras de crédito: tanto as LCIs quanto as LCAs são isentas de Imposto de Renda. Isso quer dizer que a rentabilidade obtida já é líquida – dela não é preciso descontar mais nada.

Nos outros investimentos mais comuns de renda fixa, o investidor paga Imposto de Renda seguindo uma tabela regressiva, em que as alíquotas diminuem conforme o tempo que a aplicação é mantida. Uma aplicação resgatada antes de seis meses, por exemplo, paga 22,5% de IR sobre a rentabilidade. Já se o saque for realizado apenas depois de dois anos, a alíquota do IR cai para 15%.

Com isso, mesmo uma LCI que ofereça um retorno mais baixo do que um CDB, por exemplo, pode acabar sendo mais vantajosa para o investidor. Por causa da isenção de IR, o rendimento final de uma LCI que pague 85% do CDI ainda consegue ser superior ao de um CDB com remuneração de 100% do CDI, considerando uma aplicação com prazo de um ano.

Além de não estarem sujeitas a tributação, não há cobrança de taxa de administração nas letras. Em algumas corretoras, pode haver taxa de corretagem ou de custódia – mas muitas já isentam os investidores desses custos.

Leia também:
• Como declarar LCI e LCA no Imposto de Renda

Vantagens e Desvantagens

Em tempos de juros em queda, buscar alternativas de investimento mais rentáveis para a parcela aplicada na renda fixa é fundamental. E as LCIs e LCAs podem ser instrumentos interessantes para fazer esse tipo de movimento, principalmente para quem gosta de papéis de crédito bancário.

As letras podem ser emitidas por instituições de diferentes portes, com diferentes segmentos de atuação e visando diferentes objetivos. Essa gama de variações permite aos investidores diversificar a carteira, contando com a garantia do FGC – coisa que outros instrumentos de renda fixa privada não oferecem.

Como as letras envolvem a exposição ao risco de crédito de uma instituição financeira – ao contrário dos títulos públicos, que envolvem apenas o risco soberano do governo brasileiro – a remuneração tende a ser mais alta. Mas mesmo que não alcance o patamar de outros produtos de crédito privado, ela ainda pode ser vantajosa, já que não há incidência de Imposto de Renda sobre a remuneração oferecida aos investidores.

Entre as desvantagens, a principal são os prazos, para o bem e para o mal. Para quem pode precisar do dinheiro de volta em pouco tempo, o investimento em LCIs ou LCAs pode se revelar um problema, já que há carências e os vencimentos não costumam ser muito curtos.

Já para quem busca investimentos para o longo prazo – pensando na aposentadoria, por exemplo – também não é muito fácil encontrar letras com vencimentos bem distantes. A rentabilidade de um papel pode ser ótima, mas pode durar apenas três ou quatro anos – onde, então, aplicar o valor resgatado depois disso?

Leia também:
• O que muda nas aplicações de renda fixa com a Selic na mínima histórica

Como escolher uma boa LCI ou LCA

Para que sejam uma boa aplicação, as letras imobiliárias e do agronegócio precisam ter características de acordo com os objetivos de cada investidor. Analisar alguns aspectos desses papéis, portanto, é um passo fundamental antes de efetivar um investimento.

Se você está interessado nas letras, comece avaliando seu próprio perfil de investidor e o que pretende fazer com o dinheiro a ser aplicado. Avalie, principalmente, os prazos e a possibilidade de precisar dos recursos antes do vencimento das LCIs e LCAs que estiver estudando. Embora tenham uma estrutura geral bastante parecida entre si, as letras possuem características bem específicas que devem ser consideradas.

Depois, avalie sua tolerância ao risco. Qual seria sua reação caso a instituição emissora das suas letras tivesse um problema de solvência? Os recursos que você tem para aplicar são um extra ou constituem uma parte insubstituível do seu patrimônio? Para valores pequenos, a cobertura do FGC pode ser suficiente para proteger todo o investimento. Mas para quem já tem um certo volume de recursos, não.

Além disso, o ressarcimento pelo FGC não costuma ser imediato. Podem passar algumas semanas – ou meses – até que o investidor receba o dinheiro de volta. Nesse período, os recursos deixam de ser remunerados, o que pode representar um custo de oportunidade importante para quem está com outros investimentos alternativos no radar.

Verifique o nível de solidez financeira do emissor. Observe informações como o tamanho do endividamento da instituição, seu histórico de crescimento e eventuais problemas que possa ter tido nos últimos anos. Busque informações sobre o seu rating, nota atribuída às empresas por agências independentes, que buscam avaliar o seu risco de crédito. Essa nota indica se a empresa é considerada uma boa pagadora ou não.

Por fim, compare os prazos e a rentabilidade oferecida pelas LCIs e LCAs que você está pesquisando com a de outros investimentos de perfil de risco semelhante. Procure entender quais são as razões para as diferenças que encontrar. Quanto mais risco uma letra envolver, maior tende a ser a remuneração que oferece. Isso pode ser interessante, se dentro do que o investidor estiver disposto a aceitar.

Passo a Passo; como investir

1) Escolha um banco ou corretora autorizada 
Os bancos geralmente vendem letras de crédito emitidas pela própria instituição. Já muitas corretoras distribuem LCIs e LCAs de vários bancos – então a chance de encontrar papéis mais rentáveis é maior. É o caso da Rico, que além disso oferece taxa ZERO para todos os investimentos em renda fixa.

2) Pesquise o tipo de título que vai comprar
Existem títulos prefixados e pós-fixados. Compare e veja qual se adéqua melhor a suas necessidades e qual oferece uma remuneração mais atrativa. Os títulos prefixados são indicados a quem aposta em queda dos juros ao longo do período de aplicação – o que é muito difícil de prever.

3) Avalie o valor mínimo
É comum a exigência de um valor mínimo de aplicação, que varia bastante segundo o nível de risco e o potencial de retorno de cada opção. Normalmente, as LCIs e LCAs com melhor remuneração só podem ser compradas por quem esteja disposto a aplicar R$ 30 mil ou R$ 50 mil – em alguns casos, mais.

Mesmo assim, as corretoras costumam oferecer algumas versões do produto também para valores iniciais menores. Já é possível encontrar alternativas a partir de R$ 5.000.

4) Respeite o limite de R$ 250 mil
A garantia do FGC se limita a aplicações de até R$ 250 mil por instituição financeira. Por isso, respeite esse valor para investir com mais segurança. Caso queria investir mais do que isso em LCI, opte por dividir o dinheiro entre bancos diferentes.

5) Fique atento em relação ao prazo de vencimento
Os prazos variam de acordo com as características de cada título e, normalmente, quanto maior o prazo de vencimento, maior a rentabilidade. Mas atente-se ao fato de que esses papéis não têm liquidez diária e só permitem o resgate na data do vencimento.

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