Vendas de carros regridem ao patamar de 1992

Concessionárias tendem a sobreviver por até 4 meses. O primeiro deles já foi. O segundo nem começou e já acabou, na prática. Em junho, a situação pode ser mais do que crítica

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Caros leitores, digníssimas leitoras: o ano é 1992. A economia se encontra paralisada devido ao processo de impeachment do ex-presidente Collor. Como consequência, temos a diminuição da arrecadação de impostos e o estouro do déficit público.

No setor automotivo, a média de vendas no primeiro quadrimestre de 1992 ficou na casa de 51 mil unidades/mês.

Avançamos 28 anos: o ano é 2020 e a economia se encontra paralisada, mas agora por causa da pandemia da Covid-19. O atual presidente já é alvo de dezenas de pedidos de impeachment, a arrecadação de impostos caiu drasticamente e o estouro do déficit público é mais do que certo.

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No setor automotivo, as vendas de automóveis no mês de abril de 2020, registraram volume de 51.362 unidades, o pior resultado dos últimos 337 meses, ou dos últimos 28 anos.

O tombo do mês de abril é de 77% se comparado com o mesmo mês do ano passado (221 mil veículos) e de 67% sobre o mês de março (156 mil veículos).

No acumulado do ano, a retração é de 27%. Tivemos 584 mil veículos neste quadrimestre contra 801 mil sobre o mesmo período do ano passado.

E qual é a previsão para o setor?

Bem… além de sentar e chorar, estou pedindo para o padre lá da minha paróquia rezar uma missa para o setor todo domingo (na atual conjuntura, toda ajuda é bem-vinda).

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As vendas de veículos (depois da imposição da quarentena) despencaram de forma sem precedentes.

O isolamento social, aliado ao fechamento do comércio não-essencial e a adoção de férias coletivas, entre outras medidas, resultou na queda brusca da atividade econômica que, no entanto, ainda não foi refletida nos indicadores econômicos divulgados. Nos meses de maio e junho é que os indicadores devem captar o tamanho da retração.

O nível de incerteza ainda segue muito forte, já que não é possível determinar o fim da pandemia. E como não há precedentes de uma situação como a atual na história, não há base de comparação, o que inviabiliza qualquer tipo de previsibilidade.

Saudades da Mãe Dinah nestes momentos….

Como dissemos ao abordar a bomba relógio do setor automotivo, as concessionárias de veículos (o canal de escoamento da produção) tendem a sobreviver no atual cenário por até quatro meses.

O primeiro deles já foi. O segundo nem começou e já acabou, na prática. E, se não acontecer nada de extraordinário neste mês de maio, em junho a situação vai ser mais do que crítica.

Além disso, apesar de não termos todas as informações mais recentes disponíveis, estamos prevendo um aumento na inadimplência e nos atrasos nos contratos de financiamento devido à Covid-19..

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Isso é natural, já que a perda de renda das pessoas e famílias é mais do que certa, e, os bancos só descem para o play quando sabem que não irão perder.

O que vislumbramos é um futuro tenebroso, e, não sei se conseguiremos implementar a máxima de Churchill: “Entre mortos e feridos todos salvaram-se todos”. Muita gente ficará pelo caminho.

Finalizando: quase todas as marcas estão sofrendo e a retração, generalizada, foi de 27%.

Contudo, precisamos fazer uma ressalva. Das 20 principais marcas do mercado (que respondem por 99,15% das vendas no país), apenas uma ainda registra crescimento.

A CAOA-CHERY!

O grupo CAOA, através do seu presidente-fundador (Carlos Alberto de Oliveira Andrade) está conseguindo tirar leite de pedra neste momento. Já falamos da sua epopéia de criar marcas e fazer o raio cair pela terceira vez no mesmo lugar!

Portanto, vale essa menção honrosa para a marca. Afinal de contas, o Dr. Carlos tem o toque de MIDAS (se bem que ele tá mais para o Midas do Fortnite).

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Raphael Galante

É economista, trabalha no setor automotivo há 14 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.