O impacto do COVID-19 nas vendas de veículos por estado

Dentro desse Brasil continental, essa retração não pode ser (nem é) linear. Alguns estados sofrem mais e outros menos

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Caros leitores; digníssimas leitoras: como já abordamos aqui neste espaço, o mercado automotivo (infelizmente) entrou num novo ciclo de CAOS.

Explicamos o tombo da indústria, que regrediu ao patamar de 1992, e mostramos que, apesar da crise, as vendas de carros de luxo dispararam neste 1º quadrimestre e (felizmente) o crédito continua aquecido, evitando que a situação do setor venha a piorar.

Dentro da metodologia adotada por todos, as vendas de veículos neste primeiro quadrimestre registraram retração de 27%.

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Mas, dentro desse Brasil continental, essa retração não pode ser (nem é) linear. Alguns estados sofrem mais e outros menos. E como ficou o resultado das vendas de veículos por UF?

Ela ficou mais ou menos assim:

O interessante é que dentro, do Brasil, existem vários “Brasis” para se analisar.

Tirando o estado de Roraima, o único a registrar crescimento nas vendas (mas é “café-com-leite”), podemos fazer várias elucubrações.

Percebe-se que nas regiões onde o agronegócio é bem forte (Centro-Oeste e Norte), a retração nas vendas ficou por volta de 14% – praticamente a metade do que o setor registrou em todo o país.

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Mas, se por um lado teve alguém que não se machucou muito com o tombo da indústria, do outro deve ter tido alguém que se estropiou.

E aqui temos dois estados que puxaram para baixo o resultado da indústria: SP e RJ. Ambos tiveram retração de 36,3%, 9 pontos percentuais acima da média nacional.

O ponto é que os dois Estados são responsáveis por mais de 30% das vendas de veículos no país e, por “infeliz” coincidência, são os mais afetados pela pandemia do COVID-19, já que um terço de todos os casos e 45% de todas as mortes ocorreram neles.

Como as medidas de fechamento do comércio foram (e continuam sendo) mais restritivas, os dois sofreram um impacto mais profundo. Seja na queda das vendas, seja na diminuição de arrecadação via ICMS, IPVA e afins.

O que existe no setor automotivo é uma bomba-relógio, e ela foi colocada em cada estado. Nós já explicamos essa bomba, mostrando que, na média, as concessionárias de veículos aguentariam cerca de quatro meses antes de colapsar.

Só que esses quatro meses – provavelmente – passarão mais rapidamente para o pessoal de São Paulo e Rio, e deverão andar mais lentamente para o pessoal do Norte e Centro-Oeste.

Em resumo, o final da história deverá ser mais ou menos como o final do clássico filme “Clube da Luta”:

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Raphael Galante

É economista, trabalha no setor automotivo há 14 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.