Dados de financiamento mostram que situação do mercado de veículos não é (tão) catastrófica

Apesar de o setor automotivo ter parado, a penetração do financiamento de veículos por instituições financeiras não acompanhou essa queda

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Caros leitores, digníssimas leitoras: o pessoal da B3 divulgou nesta semana algumas informações interessantíssimas sobre o mercado de financiamento de veículos.

Que o mercado de veículos “parou” em abril e maio é mais do que sabido. Porém, a situação não é assim tão catastrófica – ela só é trágica!

O que conseguimos descobrir com as informações da B3? Que, apesar de o mercado ter parado, o sistema financeiro (instituições bancárias) não acompanhou essa queda.

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Ante do início da pandemia, a penetração do financiamento de veículos sobre o total de carros vendidos nos últimos meses girava em torno de 36%. No mês de março, porém, esse percentual saltou para 41% e, em abril, ele cravou 79,5%.

Como assim?

A primeira coisa que passou pelas nossas cabeças foi que os bancos, neste momento crítico da economia brasileira e mundial, estariam mantendo os conceitos para a liberação de crédito, E AMPLIANDO!

Mas o que aconteceu de fato?

As principais entidades que representam o setor (Anfavea, Fenauto e Fenabrave) utilizam o número de carros licenciados/emplacados como metodologia para contabilizar as vendas de veículos.

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Como em meados de março o Contran suspendeu o funcionamento dos Detrans, não houve o funcionamento normal (??????) deles.

Então, muitos dos carros que foram comercializados neste período estão rodando com a sua documentação pendente.

O lado interessante dessa informação é que podemos imaginar e quantificar qual foi o real tombo do mercado automotivo.

O que tivemos?

Em março, foram 1,143 milhão de carros novos e usados vendidos. Esse número retraiu para 289 mil veículos em abril (representando uma queda de 75% de um mês para o outro).

Já a quantidade de veículos financiados em março foi de 435 mil unidades. No mês de abril, por sua vez, houve uma queda de 50%, com o financiamento de 216 mil carros.

Se partimos do pressuposto de que os bancos mantiveram o seu ritmo de concessão de financiamento nos moldes anteriores à pandemia, podemos estimar que foram comercializados e não contabilizados um número entre 275 mil a 325 mil veículos.

Resumo da ópera: as vendas de carros não foram de 289 mil veículos em abril – elas devem ter oscilado entre 564 mil e 614 mil. Com isso, a retração das vendas de veículos não deve ter sido 75%, como foi divulgado, mas deve algo em torno de 48%.

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Isso não quer dizer que o setor se encontra em uma situação mais confortável. Foi como eu disse no começo: a situação não é catastrófica…. ela é somente trágica!

E aí, o que achou? Dúvidas, me manda um e-mail aqui. Ou me segue lá no Facebook, Instagram, Linkedin e Twitter.

Raphael Galante

É economista, trabalha no setor automotivo há 14 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.