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Imagine que você investiu em um título de renda fixa, com yield real de 9% (rentabilidade de IPCA + 8,1% ao ano) e prazo médio de 5,9 anos e, um dia, esse título simplesmente passasse a ter yield de 8% e prazo médio de 6,7 anos.
Sem remuneração extra, sem mudança de devedor, melhora do risco de crédito ou direito a opinar. Você investiria nesse título?
Parece contraintuitivo, mas milhares de investidores fazem isso sem saber. Isso é exatamente o que vai acontecer com o IMA-B no próximo dia 15 de agosto.
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Rebalanceamento
No dia 15 de agosto ocorrerá o vencimento da NTN-B 2026 (“Tesouro IPCA + 2026”), que responde por 12,55% da composição do IMA-B. No caso do índice IMA B5 e de sua versão P2, o impacto será ainda maior; o papel possui hoje 27,69% e 12,19% respectivamente.
Como a NTN-B curta negocia a uma taxa de 14,68%, a redistribuição de seu peso nos demais papéis da carteira vai fazer com que, aos preços de hoje (28/07/2026), os yields caiam 0,8% (IMA-B), 1,7% (IMA-B5) e 0,8% (IMA-B5 P2), sem qualquer impacto positivo nos preços.



Isso ocorre porque os índices da família IMA foram criados para refletir o mercado de títulos de dívida pública federal disponível para negociação. Com o vencimento de um título, os índices automaticamente redistribuem o peso nos demais títulos existentes.
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Longe de ser um evento excepcional, isso ocorre anualmente no mercado de juros reais (NTN-Bs), que vencem anualmente nos meses de maio (anos ímpares) ou agosto (anos pares).
Para o investidor de fundos e ETFs que seguem esses índices, a alteração na carteira é feita pelo gestor, que vai a mercado reinvestir os recursos nos demais títulos, alongando o vencimento da carteira.
Isso mantém a representatividade do índice em relação ao mercado, porém faz com que o resultado de investir nele seja bem diverso para o investidor do investimento diretamente nos títulos.
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A ilusão da taxa média
A principal diferença é em relação a contratação de uma taxa no momento do investimento.
Enquanto o investidor de renda fixa está habituado a travar uma taxa pelo período até o vencimento do título no momento do investimento, quem investe via índices amplos está olhando apenas a taxa média da carteira, que é a ponderação das taxas dos títulos independentemente do vencimento de cada um.
Isso acaba gerando uma distorção, especialmente nas carteiras ligadas aos índices de juros reais (IMA-B, IMA-B5, IMA-B5 P2 e outros) quando o papel se aproxima do seu vencimento.
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Isso ocorre porque as taxas (yields) com base nas quais títulos como as NTN-Bs negociam são anualizadas e arbitradas com base na curva de juros nominal e na expectativa de inflação (IPCA).
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A inflação não é constante ao longo dos meses e, mesmo quando a taxa anual está próxima a meta, pode apresentar meses com níveis baixos ou até mesmo negativos, que geram a ilusão de uma taxa real elevada.
O problema para o investidor é que essa taxa distorcida que será aplicada a poucos meses ou dias afeta o cálculo da taxa da carteira como um todo.
Para ilustrar de forma mais extrema, imagine uma carteira composta apenas por 2 títulos em igual proporção: NTN-B 2026 e NTN-B 2060.
A taxa média da carteira será de 11,2% e sua duration (sensibilidade a mudança da taxa) de 6,3, comparável em termos de duration e prazo a de uma NTN-B 2035, que negocia a 8,29% com duration de 6,7.

O investidor que usar esses números para investir pode estar sujeito a uma decepção, dado que em 2 semanas, a taxa da primeira carteira, mantida as condições atuais de mercado, vai virar 7,72% e sua duration 12,6, aumentando significativamente o risco do investimento.
Isso significa que os investidores deveriam aplicar apenas nos ativos diretamente?
Alternativas
No caso de ativos com risco de crédito, como Debentures, CDBs ou Letras Financeiras, o investimento em índices amplos traz o benefício da diversificação de risco de crédito.
Alguns podem argumentar que também no caso das carteiras de títulos públicos há também benefícios na diversificação dos prazos de vencimento, porém nesse caso como o emissor é o mesmo, o risco de crédito é pouco afetado.
Uma alternativa é o investimento através de veículos concentrados em um vértice único.
A utilização de ETFs de renda fixa e fundos de previdência, por exemplo, apresentam benefícios tributários em relação a aplicação nos títulos diretamente, justificando a preferência em relação ao investimento nos ativos diretamente.
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Não por acaso, hoje a maior parte dos bancos e plataformas de investimento já oferecem fundos PGBL e VGBL de um único vencimento de NTN-Bs. Também no caso dos ETFs, há disponíveis na B3 ETFs que correspondem a maioria dos vencimentos, como 2030, 2035, 2045, 2050 e 2060.
A família XB foi pioneira nesse mercado, com o XB3511 e o XB5011, lançados em dezembro de 2025, e o XB3011, XB4511 e XB6011 lançados posteriormente.
Por que os vértices únicos vêm ganhando espaço
Uma das principais vantagens de usar esses veículos de vértice único é a transparência.
Diferentemente do mostrado no caso dos índices amplos, nos vértices únicos (ou mono ativos), a taxa contratada serve como uma referência real de rentabilidade, não sendo alterada por rebalanceamentos.
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O investidor fica sujeito apenas ao risco do reinvestimento dos cupons, que são semestrais, e que ocorrerá pela taxa de mercado da data em que forem pagos.
O investidor precisa entender o que compra
A pergunta do título segue válida; se o investidor não aceitaria essa situação em um título, ele tem ao menos que entender o que acontece dentro do fundo ou ETF em que ele investe.
O rebalanceamento de agosto não é um erro ou uma armadilha; é apenas a forma como o índice foi desenhado para funcionar. O problema é que poucos investidores sabem disso, e menos ainda sabem quando ele vai acontecer de novo.
Para quem quer rentabilidade travada e previsível, os vértices únicos deixaram de ser exclusividade institucional: hoje são tão acessíveis quanto o índice amplo, só que sem a surpresa.