Por que investir em ouro nos tempos atuais é algo valioso

Ter um seguro barato, que devolve seu dinheiro corrigido pela inflação no longo-prazo e cujo poder de compra não pode ser diluído com o tempo pelos bancos centrais me parece algo valioso

O ouro sempre foi considerado a moeda mais segura do mundo, sendo aceito e reconhecido em todos os lugares. Suas propriedades, como maleabilidade, densidade e resistência à corrosão facilitaram esse reconhecimento e contribuíram para que ele se espalhasse por todo o mundo há mais de 5 mil anos.

Seu uso é variado e sua beleza rara. Mas mais importante do que isso é o seu principal uso nos dias de hoje como seguro contra a insanidade dos bancos centrais. Nesse caso, o ouro cumpre sua função com maestria: preservar o poder de compra dos indivíduos.

Na Roma antiga, o imperador Deocleciano sentiu na pele como a moeda do seu país, o denário, perdia valor com relação ao ouro. Ele não foi o primeiro, tampouco o último. A moeda de referência hoje, o dólar americano, já se desvalorizou em mais de 98% com relação ao ouro desde a criação do FED, o banco central americano, em 1913.

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Na época de Jesus Cristo, com cerca de 30 gramas de ouro podia-se comprar uma túnica, sandálias, uma bolsa e uma cinta. Hoje, com os mesmos 30g, pode-se comprar um terno, sapatos, um cinto e uma pasta, ou seja, o dinheiro legítimo mantém o poder de compra dos indivíduos e funciona como reserva de valor.

As pessoas não se dão conta disso, porque todas as moedas são cotadas em dólares americanos, então elas somente vêm a variação de suas moedas com relação ao dólar, mas na realidade, todas estão perdendo valor. Isso, por causa do objetivo declarado do banco central dos EUA de gerar uma inflação de 2% ao ano. Eles tiraram esse coelho do chapéu e ninguém nunca se perguntou o porquê desse número. Se inflação fosse boa, por que não 3%, em vez de 2%? O pretexto é simples: incentivar o consumo.

Na verdade, a inflação é algo pernicioso que consome os salários dos indivíduos, tornando-os mais pobres. O salário médio americano em 1910 era de apenas US$ 300 – por ano! E isso era suficiente para uma família simples viver com tranquilidade. Um dentista, por exemplo, ganhava US$ 2.500 por ano! Na época bastava que o chefe de família trabalhasse.

Hoje é necessário que ambos os progenitores trabalhem e tenham menos filhos para que consigam sobreviver. Esse é o efeito da inflação com o tempo: a destruição do poder aquisitivo das pessoas e a consequente redução da sua qualidade de vida.

Mas será que somos poucos a ver isso? De maneira alguma. A China, segunda economia no mundo e detentora de vastas reservas internacionais, vem aumentando as compras de ouro. Em março, o banco central chinês comprou 11,2 toneladas do metal amarelo e esse foi o quarto mês consecutivo de compras. Agora, as reservas declaradas pela China alcançam a marca de 1.885 toneladas, embora especule-se que o número real seja muito superior.

Outro país, famoso por sua visão de longo-prazo, a Rússia, também fez o mesmo. Eles adquiriram 17 toneladas em março, levando o total acumulado a 2.168 toneladas. A Rússia e o Cazaquistão foram os maiores compradores em 2017. Agora os russos estão se aproximando da França e da Itália em termos de reservas. Com o pequeno detalhe de que a economia russa é muito menor, ou seja, proporcionalmente ao PIB, ela já assumiu a dianteira.

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Russos e chineses têm visão de longo-prazo e conseguem ver à frente o que está acontecendo com maior clareza.

O apetite de ambos por ouro é insaciável, na busca por uma diversificação e redução da dependência do dólar americano. Especula-se muito sobre o que essas duas economias estão planejando. Dentre as teorias correntes, fala-se em tornar suas moedas em conversíveis e a de retornar a um tipo de padrão-ouro. Mas uma coisa é certa: aconteça o que acontecer, eles terão preservado seus respectivos poderes de compra. E isso é o que conta no final.

Eu não tento especular sobre o que os russos, chineses e outros estão tentando fazer, mas acho prudente a exposição ao ouro como um seguro. Nos tempos atuais, ter um seguro barato, que devolve seu dinheiro corrigido pela inflação no longo-prazo e cujo poder de compra não pode ser diluído com o tempo pelos bancos centrais me parece algo valioso.

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Marcelo López

Marcelo López tem certificação CFA, é gestor de recursos na L2 Capital Partners, com MBA pelo Instituto de Empresa (Madrid, Espanha) e especialização em finanças pela principal escola de negócios da Finlândia (Helsinki School of Economics and Business Administration). Atuou como Gestor de Carteiras e de Fundos em grandes gestoras internacionais, tais como London & Capital e Gartmore Investment Management.

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