O sinal de alerta ligado nas bolsas americanas, apesar do recorde de alta nos últimos dias

Apesar de o VIX, o índice que mede a volatilidade, estar em patamares baixos, enxergamos a tomada de posições em ações nesse momento como arriscada

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(Shutterstock)

Os mercados continuam subindo independentemente dos sinais. Ontem, dia 20, mais um sinal amarelo se acendeu, com o S&P 500 subindo e fechando no azul, enquanto mais de 70% dos seus componentes fecharam no vermelho.

O breadth do mercado, relação entre o número de ações que estão subindo e o número de ações que estão caindo, está bastante estreito (narrow), no jargão de mercado, o que indica que poucas ações são responsáveis pela maior parte dos ganhos do índice. Isso é bem arriscado, já que uma pequena mudança de humor com relação ao “grupo de campeões”, leia-se tecnologia e farmacêuticas, pode trazer uma forte realização de lucros.

Começando pelo exemplo mais notório do momento, o da Apple. A empresa foi a primeira a atingir US$1 trilhão de valor de mercado em 2018. Essa semana ela atingiu a marca de US$2 trilhões, ou seja, dobrou de valor em apenas 2 anos.

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Para se ter uma ideia da magnitude disso, a capitalização bursátil da Apple hoje é maior que o PIB brasileiro e com esse valor seria possível comprar todas as empresas listadas na B3, 2 vezes, e ainda sobraria dinheiro para comprar a Berkshire Hathaway, do lendário Warren Buffett.

E a que devemos essa alta estratosférica nas ações da Apple? Nesse período, suas vendas subiram 3% e seu lucro caiu 1,5%. Definitivamente não foi o desempenho operacional da empresa que influenciou decisivamente o comportamento das suas ações.

E para justificar isso, existem várias explicações, como o fato de a empresa ter bastante caixa (porto seguro), de as distribuições de dividendos não terem sido comprometidas (o que a faz funcionar como um bond) e de haver uma expectativa de crescimento futuro (sempre ele). Enfim, não faltam justificativas para racionalizar acontecimentos e ignorar o óbvio.

O mesmo aconteceu na década de 20, 70, 90, em 2008 e há poucos meses, mas ninguém parece se lembrar mais. A “put” do Fed parece não ter data de vencimento e o strike é cada vez mais alto. Isso causa complacência do mercado e a tomada excessiva de risco para obtenção de um pequeno retorno. Apesar de o VIX, o índice que mede a volatilidade, estar em patamares baixos, enxergamos a tomada de posições em ações nesse momento como arriscada.

Marcelo López

Marcelo López tem certificação CFA, é gestor de recursos na L2 Capital Partners, com MBA pelo Instituto de Empresa (Madrid, Espanha) e especialização em finanças pela principal escola de negócios da Finlândia (Helsinki School of Economics and Business Administration). Atuou como Gestor de Carteiras e de Fundos em grandes gestoras internacionais, tais como London & Capital e Gartmore Investment Management.

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