A era do pagamento digital: a revolução na forma de se fazer compras

A digitalização do dinheiro está de vento em popa e deve seguir com o papel moeda sendo cada vez menos utilizado

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O mundo dos meios de pagamento vive uma fase de grande polvorosa desde que começou a especulação sobre o Facebook lançar sua própria Stablecoin para pagamentos dentro da plataforma. E não é para menos.

Com aproximadamente 4 bilhões de usuários no Facebook, Instagram e WhatsApp, caso essas plataformas sejam capazes de fazer transferências entre seus usuários, sem a intermediação de uma instituição financeira, viveremos uma mudança significativa na forma como fazemos pagamentos e transferências atualmente. A expectativa é que haja um anúncio sobre isso ainda esse ano ou no mais tardar no início do ano que vem.

Analisando os últimos anos, apesar do grande aumento das Fintechs nesse setor, a forma como fazemos pagamentos pouco mudou no Brasil. Continuamos um país onde grande parte dos pagamentos ainda são feitos em dinheiro, seguido do cartão de crédito e débito, conforme se aumenta o valor da compra.

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Uma pesquisa do ano passado do Banco Central mostrou pouca mudança na forma como o comércio recebia em 2018 relativo a 2013. Houve uma queda no recebimento em dinheiro e em cartão de crédito e um crescimento no cartão de débito, mas essas 3 formas de pagamento, que registravam um total de 96% dos recebimentos em 2013, tiveram esse percentual aumentado para 98% em 2018.

Enquanto no Brasil as formas de pagamento mudaram pouco, no restante do mundo houve uma revolução. Na China, onde esse processo foi mais intenso, hoje mais de 90% dos pagamentos e transferências são feitas por dois aplicativos: WeChat e Alipay.

Não é preciso ter conta bancária, nem cartões de crédito para se fazer um pagamento de um jantar, compra de uma televisão ou para transferir dinheiro para um amigo. A única coisa necessária é ter um celular com acesso à internet e baixar o aplicativo.

De volta ao ocidente, países como a Suécia têm projeto para acabar com o dinheiro em papel até 2020, ou seja, ano que vem! Mas isso não vem de hoje. Eles vêm trabalhando para esse objetivo há vários anos e, em 2018 menos de 1% das transações foram feitas com papel moeda. Lá já é possível encontrar estabelecimentos onde o dinheiro em papel não é mais aceito.

Para se ter uma ideia de como o sistema funciona, um jornal tem um QR-code onde a pessoa o fotografa (utilizando um APP no celular) e faz o pagamento diretamente para o jornaleiro ou, se esse não tiver registro, para a conta da empresa dona do jornal, que fica com o dinheiro no nome do jornaleiro até ele ir lá retirar, digitalmente também, lógico! Vale ressaltar que, diferentemente da Ásia, o sistema de pagamentos da Suécia, assim como o dos países escandinavos, tem a participação de todos os bancos e é coordenado pela autoridade monetária.

Na Europa continental, mais precisamente em Portugal, onde tenho mais conhecimento, pagamentos via celular ainda estão começando. Vejo Portugal com um sistema um pouco mais avançado que o brasileiro, mas ainda muito distante da Ásia e dos países da Escandinávia.

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Recentemente foi lançado o MB-Way, um sistema de pagamentos associado à rede bancária, que permite fazer pagamentos através de QR-codes e transferências entre usuários, entre outras funcionalidades. A adesão está crescendo e tenho confiança que com o passar do tempo o dinheiro por lá também terá seu papel diminuído.

No caso do Brasil, temos algumas empresas que já provém pagamentos digitais via QR-code, tal como Cielo, Mercado Pago e Rappi. Recentemente o Itaú lançou uma plataforma aberta (ITI) para pagamentos digitais, onde não é preciso ter conta no banco. Outra iniciativa para o ano que vem que é bem aguardada é a nova plataforma para pagamentos instantâneos do Banco Central que já está em discussão bastante avançada.

Bem, mas por que acredito que tudo isso que está acontecendo é muito bom para todos? Considerando-se que o Brasil tem uma taxa de bancarização de 70% e que 85% dos não-bancarizados tem telefone celular, a utilização do aparelho para fazer pagamentos pode aumentar muito esse índice e pesquisas mostram que mais acessos a serviços financeiros é uma forma eficaz de combate a pobreza. Além disso, uma possível desintermediação pode trazer serviços mais baratos e eficientes para nós, usuários.

Sendo assim, conforme vimos nos exemplos acima, a digitalização do dinheiro está de vento em popa e deve seguir com o papel moeda sendo cada vez menos utilizado. Cabe agora ver como será o sistema de pagamentos no Brasil, se centralizado e via entidades bancárias ou se descentralizado e via entidades não bancárias. Modelo do ocidente ou do oriente? A vinda do Facebook para esse jogo coloca o pêndulo mais para um lado do que para outro, e levanta a possibilidade de transformar esse sistema em um sistema mais global e menos local. A ver…

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Para se aprofundar:

– Youtube – Gustavo Cunha – O que é fintech – meios de pagamento
– Bloomberg – U.S. Banks Are Terrified of Chinese Payment APPs
-I nsper – Meios de pagamento Brasil (2018)
– BCB – Relação do brasileiro com o dinheiro (2018)
– Medium – Bernardo Quintão – How facebook coin can help billions (inglês)
– The Guardian – Sweden, how cash became more trouble than its Worth (inglês)
– CNBC – Zuckerberg reportedly held talks with Winklevoss twins about facebook cryptocurrency plans (inglês)
– Fortune- Facebook Could Fix the News Industry With Micropayments (inglês)
– Epoca Negocios – Acesso bancário pode ajudar a combater pobreza (2018)

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Gustavo Cunha é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro brasileiro e internacional. Dentre outras posições, foi diretor estatutário responsável pelas áreas de tesouraria, capital markets e trade finance do Banco Rabobank Brasil, CEO da Gorila.com.vc e apresentador do programa F5 da IMTV. Hoje atua como investidor, consultor financeiro registrado na CVM, é sócio da Finlab Planejamento Financeiro, professor da B3, Infomoney, Ibmec e Casa do Saber e palestrante sobre temas relacionados a Blockchain e Criptomoedas.

Gustavo Cunha

Profissional com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro brasileiro e ex-diretor do Rabobank Brasil, escreve sobre inovação e os impactos dela no mercado financeiro (essencialmente Blockchain, criptomoedas e Fintechs). É experiente palestrante que concilia prática e teoria nos seus estudos para o doutorado (PHD) na Universidade do Porto (Portugal).