Saia justa: quando um parente pede dinheiro emprestado

Muita gente já passou pela situação constrangedora de querer negar empréstimo para um familiar, mas fica sem jeito

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Cansei de ouvir histórias de pai pedindo dinheiro para filho, de um irmão buscando socorro financeiro com outro, de tio querendo empréstimo com sobrinho. Não faltam histórias de desentendimentos envolvendo amigos do peito. É uma discussão polêmica e extremamente delicada.

Existem pessoas mais sentimentais, que cedem sem pestanejar, outras usam mais a razão em suas decisões e a inflexibilidade pode ser causa para uma série de discussões com possibilidade de quebra do relacionamento, mas o equilíbrio entre razão e emoção pode ser uma saída mais adequada, ainda que não haja garantia de sucesso.

Não parece justo julgar as decisões das pessoas na concessão ou não de um empréstimo.

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Há quem pense que os filhos possuem uma dívida eterna para com os pais, por outro lado, há quem discorde em sacrificar o seu futuro em razão das inconsequências dos seus genitores, que deveriam ser exemplo de retidão.

Há quem pense que os irmãos devem se ajudar financeiramente em favor da harmonia familiar, mas também há quem entenda que os irmãos devem ter suas independências asseguradas, mesmo nascidos sob o mesmo teto.

Quando outros familiares pedem dinheiro, parece que não emprestar o torna vilão da história. Ninguém quer saber das suas privações, dos riscos corridos, do planejamento e dos sonhos. Que tudo seja interrompido em favor do parente. Justo?

E os amigos? Diz a expressão: amigos, amigos, negócios à parte.

Quando o assunto é dinheiro, a coisa se complica. Não existe uma fórmula única que resolva todos os problemas, mas existem algumas ações que possam ajudar em alguns casos.

Ao receber o pedido de dinheiro de um parente, costumo sugerir que solicite a ele um e-mail, constando a data do pedido, o valor necessário e uma proposta de devolução.

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Caso não tenha condições de emprestar, é possível apresentar as suas desculpas e os motivos de negar ao pedido, com sinceridade.

– Lamento não poder te ajudar nesse momento tão complicado e me solidarizo com as suas dificuldades, mas tenho um planejamento de médio e longo prazo para as minhas realizações e parte do meu dinheiro está investido em produtos de longo prazo, que não permitem o saque imediato.

É possível fazer ainda mais, se colocando à disposição para ajudar com a elaboração de um orçamento familiar, apenas como exemplo.

– Posso me sentar com você, colocamos suas receitas e gastos em uma planilha, analisamos a sua necessidade financeira, elaboramos uma proposta de quitação das dívidas junto aos credores, renegociamos as taxas, identificamos origem e destino dos recursos e buscamos economizar e equilibrar as suas contas.

Sabemos que tem muita gente por aí que faz bonito com o dinheiro dos outros, mas existem aqueles que não tiveram educação financeira e realmente precisam de ajuda.

É possível também que aceite ajudar o parente fazendo o empréstimo, nesse caso, a sugestão é formalizar as condições de devolução: – Vou sacar de um investimento que me retorna 8%a.a.. Como você pretende quitar a sua dívida comigo?

Talvez, até exigir assinatura em uma nota promissória, que possui respaldo jurídico.

Quando o empréstimo financeiro é protagonista do assunto na família, é preciso muito equilíbrio emocional para uma solução perfeita, se é que ela existe.

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Eli Borochovicius

Eli Borochovicius é administrador, doutorando e Mestre em Educação pela PUC-Campinas, com estágio doutoral na Macquarie University, Austrália. Possui MBA pela FGV/Babson College (Estados Unidos) em Gestão e Pós-Graduação na USP em Política e Estratégia. É fundador e professor da moola Educação Financeira, docente de finanças na PUC-Campinas e participa semanalmente do quadro Descomplicando a Economia da Rádio Brasil Campinas.