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Cielo: pressionada, empresa entrega resultado pior que a expectativa; ação dispara mesmo assim

Empresa perdeu 56 mil clientes no trimestre, e a concorrência só aumenta

Cielo 01 - Fachada empresa
(Divulgação Cielo)

SÃO PAULO – A Cielo (CIEL3) divulgou na última terça-feira (30) resultados trimestrais abaixo do esperado, com queda de 20,1% no lucro líquido ajustado em relação ao mesmo período de 2017 (leia mais aqui). Para o mercado, ficou claro que a pressão em torno da maior empresa de adquirência do país está cada vez maior.

Assim como o lucro, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) veio abaixo do esperado: R$ 1,15 bilhão, frente estimativa de R$ 1,28 bilhão. No mesmo período do ano passado, este indicador veio em R$ 1,3 bilhão – houve, portanto, queda de 11,2%.

No relatório de balanço, a empresa falou também em aumento de gastos com a frente de marketing, incluindo lançamento de novos produtos e “ações comerciais”. Também cita gastos relacionados “à contratação de consultorias especializadas de suporte ao negócio”.

Mesmo assim, a ação da empresa está disparando nesta quarta. Na primeira hora de pregão a alta chegou a 7%, e levou a companhia a entrar em leilão. Perto das 11h, o movimento amenizou, mas a companhia fechou o dia com alta de 4,75%.

Segundo um analista, essa alta não se justifica pelos resultados trimestrais, mas talvez tenha relação com otimismo relacionado ao novo CEO Paulo Caffarelli. Também pode contar a favor o fato de que a companhia já acumula queda forte no ano, em 39,9% - o que pode ser visto como uma janela de oportunidade para quem gosta do setor. 

A conferência de resultados mostrou outro sinal positivo: a empresa irá, proativamente, diminuir suas taxas transacionais para aumentar competitividade no mercado, segundo o CEO interino e CFO Clovis Poggetti. A guerra de preços, portanto, ficará mais intensa. 

Competição ferrenha

O recente IPO da Stone nos Estados Unidos aumentou a impressão de que a Cielo terá de se esforçar mais para se manter de pé na “guerra das maquininhas”. Comprada por nomes como Warren Buffett e a fintech da gigante Alibaba, a oferta pública inicial culminou em um valor de mercado de US$ 9 bilhões para a empresa após alta de 30% já na estreia.

Também chamou a atenção um lançamento em particular pela PagSeguro neste mês. A Moderninha Smart, com a inédita função de tomada de empréstimos direto pela maquininha e o sistema de apps gerenciais que começa a crescer no mercado, pode bater de frente com a Cielo LIO, em uma frente de negócios que ainda não era explorada pela companhia do grupo UOL.

Vale lembrar que a empresa, que já deteve 53,7% do mercado, hoje ocupa 51,5%. E cada vez mais entrantes querem uma fatia desse bolo.

E o lado bom?

Para analistas da XP Investimentos, o resultado inferior à expectativa demonstra que o ambiente competitivo está “ainda bastante intenso, refletido em preços pressionados (MDR) e em uma menor receita de aluguel de máquinas”. Mas há números positivos.

“A estabilização de algumas métricas indicam que a empresa pode estar começando a ver o reflexo de suas iniciativas em marketing, novos produtos e posicionamento”, diz o analista André Martins. O parque instalado de terminais de pagamento, por exemplo, veio estável ano a ano apesar da queda em 56 mil clientes no trimestre.  

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Os analistas também dão créditos à contratação de Paulo Caffarelli, ex-BB, anunciada na semana passada. O executivo é considerado o grande responsável por uma revolução positiva no banco estatal e pode ser a esperança da empresa na corrida pelo mercado “descoberto” pela PagSeguro.

O Credit Suisse vê poucas rotas de fuga, mas também não vislumbra um futuro apocalíptico para a companhia. “Acreditamos que a Cielo está em um preço justo e que a forte competição pode acabar diminuindo a importância da forte geração de caixa e potencial de crescimento da indústria de cartões”, dizem os analistas do banco.

 

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