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SÃO FRANCISCO, EUA — À medida que as empresas de inteligência artificial Anthropic e OpenAI se preparam para abrir capital, a pergunta que circula pelo Vale do Silício é: quais investidores vão ganhar mais dinheiro?
A resposta, ao que tudo indica, é: praticamente todos.
Pelo menos 95 investidores colocaram recursos tanto na Anthropic quanto na OpenAI, segundo levantamento da PitchBook, plataforma que monitora investimentos privados. Entre eles estão algumas das mais prestigiadas gestoras de venture capital do mundo, como Sequoia Capital, Founders Fund, Coatue Management e Altimeter Capital Management.
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Isso é bastante incomum. No passado, fundos de venture capital que investiam em startups em estágio inicial normalmente apostavam em apenas uma empresa de uma nova categoria tecnológica em rápida expansão. Investir em concorrentes diretas era visto como um conflito de interesses.
Mas a explosão da inteligência artificial mudou praticamente todas as regras do Vale do Silício, incluindo a forma como investidores apoiam startups. As principais gestoras da Sand Hill Road, a famosa avenida em Menlo Park, na Califórnia, considerada o centro da indústria de venture capital, adaptaram suas estratégias para não correr o risco de ficar de fora da próxima empresa avaliada em US$ 2 trilhões.
Poucos grandes fundos querem dizer que ficaram de fora tanto da OpenAI quanto da Anthropic, afirmou Karan Mehandru, investidor da Madrona Venture Group.
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O tamanho da exposição do Vale do Silício ao sucesso ou fracasso das duas empresas fica evidente pelo volume de capital levantado por elas.
A Anthropic captou mais de US$ 130 bilhões junto a cerca de 300 investidores, segundo a PitchBook, incluindo fundos de venture capital, hedge funds, gigantes de tecnologia e fundos soberanos do Oriente Médio. Já a OpenAI levantou mais de US$ 180 bilhões com aproximadamente 230 investidores, entre eles grandes empresas de tecnologia e a Thrive Capital, gestora de Joshua Kushner.
Em comparação, o Facebook (antes de se tornar Meta) captou US$ 2,4 bilhões antes de abrir capital em 2012. Já a Uber levantou cerca de US$ 20 bilhões antes de chegar à Bolsa em 2019.
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Nem todos os investidores identificados pela PitchBook como acionistas da Anthropic e da OpenAI compraram participações em rodadas tradicionais de venture capital. Parte deles adquiriu ações no chamado mercado secundário, comprando papéis de funcionários ou investidores iniciais.
A bem-sucedida oferta pública inicial da SpaceX, avaliada em US$ 1,7 trilhão em junho, alimentou ainda mais o entusiasmo dos investidores em relação à Anthropic e à OpenAI.
A Anthropic caminha para realizar uma oferta pública ainda neste ano que poderá avaliá-la em US$ 2 trilhões, tornando-se a maior abertura de capital da história. A OpenAI, por sua vez, pode estrear na Bolsa em 2027, em uma operação que também deve movimentar cifras recordes.
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Para os investidores, isso significa que “todos os números são maiores, incluindo o preço de entrada e o preço de saída”, afirmou Sohail Prasad, CEO da Destiny100, empresa que adquiriu ações de Anthropic e OpenAI no mercado secundário.
Anthropic e OpenAI não comentaram o assunto. (O New York Times processa a OpenAI e a Microsoft por suposta violação de direitos autorais relacionados ao uso de conteúdo jornalístico em sistemas de IA. As empresas negam as acusações.)
Durante anos, investidores de venture capital seguiram uma mesma lógica: adquirir participações relevantes em startups promissoras e ajudá-las com aconselhamento estratégico, geralmente ocupando assentos em seus conselhos.
Quando o Facebook abriu capital, a Accel Partners detinha 11,4% da companhia. Jim Breyer, sócio da gestora, integrava o conselho ao lado de Marc Andreessen e Peter Thiel.
No caso da Uber, a Benchmark Capital possuía cerca de 11% da empresa no momento do IPO, e seu representante Matt Cohler também ocupava um assento no conselho.
A trajetória da Anthropic, fundada há apenas cinco anos, foi bastante diferente. Inicialmente, muitas gestoras de venture capital enxergaram a startup apenas como um projeto acadêmico. Segundo Anjney Midha, investidor da empresa, mais de 20 fundos recusaram sua proposta nos primeiros anos.
Os primeiros recursos vieram principalmente de pessoas ligadas ao movimento do altruísmo eficaz (effective altruism), que busca aplicar dados e análises para maximizar impactos sociais.
A Spark Capital acabou liderando uma rodada de investimentos na Anthropic em 2023. Na ocasião, Yasmin Razavi, sócia da gestora, passou a integrar o conselho da empresa.
Por volta da mesma época, Dario Amodei, CEO da Anthropic, e Neerav Kingsland, executivo da companhia, visitaram a residência de Guy Oseary, empresário de Hollywood e investidor de tecnologia por meio da Sound Ventures.
Oseary gostou da proposta da Anthropic, segundo uma fonte familiarizada com as conversas. O problema era que a Sound Ventures já havia investido na OpenAI.
A solução foi pedir autorização tanto de Sam Altman, CEO da OpenAI, quanto de Dario Amodei para investir nas duas companhias simultaneamente. Assim, a Sound Ventures tornou-se uma das primeiras gestoras a apostar nas duas rivais.
Pouco depois, Oseary lançou um fundo inteiramente dedicado à inteligência artificial.
“Nós acreditávamos que essa seria a tecnologia mais importante de nossas vidas”, afirmou em comunicado.
À medida que Anthropic e OpenAI cresceram, a necessidade de capital superou a capacidade de muitos fundos tradicionais de venture capital, que não estavam estruturados para fazer aportes tão grandes.
A Menlo Ventures encontrou uma solução alternativa. Em 2024, criou um veículo de propósito específico (special purpose vehicle), reunindo vários investidores menores em uma única estrutura de US$ 750 milhões para ampliar sua exposição à Anthropic.
A Thrive Capital criou uma estrutura semelhante para investir na OpenAI.
Google, Amazon, Microsoft e Nvidia também adquiriram participações nas duas empresas e firmaram contratos bilionários para fornecer serviços de computação em nuvem e chips de IA.
Hoje, algumas dessas gigantes tecnológicas já figuram entre os maiores acionistas tanto da Anthropic quanto da OpenAI.
c.2026 The New York Times Company

