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A dança das cadeiras e o drible da vaca...

Quem ganha e quem perde com a dança das cadeiras dos ministérios de Temer? Cadeiras estas que podem selar o destino das eleições de 2018.

Tasso Jereissati e Aécio Neves
( Jonas Pereira/Agência Senado)

Aécio Neves surpreendeu o Brasil ao afastar o presidente interino do PSDB Tasso Jereissati. Não é de hoje que o PSDB passa por uma crise de identidade. No entanto, recentemente os políticos do partido se superaram na utilização de fogos de artifício. Quem nunca ouviu de um adulto quando criança: “quem brinca com fogo faz xixi na cama...”? Enquanto se digladiam em plena arena, o Brasil assiste de camarote. Mais parece o personagem Gollum do filme Senhor dos Anéis do que um partido político. Gollum é aquele personagem que acompanha os hobbits e chama o anel do Frodo de “meu precioso” toda hora...


Se analisarmos os votos das duas últimas sessões de afastamento do Temer, o resultado é inequívoco: divisão. Não tem problema nenhum de não votar com o governo. Pelo contrário, é saudável fazer oposição. O que não dá, é ter um pé no barco e outro em terra firme. Na política não é diferente. Com quatro ministérios na administração Temer, o PSDB vem causando constrangimentos internos e externos com a inflamação desta crise de identidade. Estranho marcar data para sair de um governo, como o PSDB fez. Mostra que o interesse no próprio umbigo é maior que o interesse nacional. Não digo que sejam obrigados a ficar no governo, de forma alguma, mas se como partido não concordam com a posição atual do governo, que saiam imediatamente, e não a prazo.

Não é à toa que a batata do PSDB começa a assar. Em reportagem de 12/11/2017 a Folha de São Paulo deixa claro que o recado já foi dado por Temer:

“Cartas marcadas Michel Temer sinalizou a aliados que fará sua reforma ministerial em até 15 dias. O PSDB deixará o governo pelas mãos do peemedebista. O Planalto fechou o arco de partidos que será fortalecido. Privilegiará o PMDB, siglas do centrão, como PSD e PR, e o DEM. O governo faz questão de ressaltar que as trocas já terão a disputa de 2018 como pano de fundo. Há um recado embutido: submersos na própria crise, os tucanos estão sendo colocados à margem de uma aliança centrista.”

Alckmin ganhou a posição de mais provável presidenciável do partido com a queda abrupta nas intenções de voto de Doria em pesquisas recentes. A sua primazia não durou muito tempo, pois o golpe de Aécio foi duro não somente na ala do PSDB contra o governo, mas no partido como um todo. 


Mais uma vez o PSDB pode deixar o bonde da história passar e ficar à deriva, por estar preocupado demais com as brigas internas de um potencial candidato à sucessão presidencial ao invés de focar na agenda do país. Há quem diga que o PMDB tem uma relação simbiótica com o PSDB e que depende do partido, pois não tem candidato próprio para 2018. Será?

Observadores atentos já percebem que a economia vem melhorando e o país começa a gerar empregos. Com a entrada em vigor da nova legislação trabalhista em 11/11/2017 já se percebe a rápida movimentação das empresas para se adequarem. O potencial desta nova legislação alavancar a geração de empregos no ano eleitoral é relevante. Os índices de popularidade de Temer, ainda muito baixos, começam a mostrar sinal de melhora.

A mesma reportagem da Folha acima trás o diagnóstico feito pelo ex-presidente Lula:

“Oráculo O ex-presidente Lula fez um diagnóstico curto, seco e certeiro sobre as consequências da crise no tucanato: “Fortalece o Temer”.”

Será que o PSDB não está prestes a sair, ou melhor ser saído do governo por puro egoísmo e falta de visão, no pior momento possível, ou seja, no exato momento de inflexão? No momento que a administração Temer tem o potencial de ganhar popularidade com a aceleração da recuperação econômica em pleno ano eleitoral? Será que o PSDB não está prestes a levar o “drible da vaca”?

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

 

perfil do autor

Cid Oliveira

Cid Maciel Monteiro de Oliveira CEO e sócio-fundador da startup invest.pro, Cid tem 18 anos de experiência, tendo atuado em instituições financeiras e gestoras no Brasil e no exterior. Graduou-se em Engenharia Civil pela UFRJ e concluiu mestrado em Finanças pela Manchester University na Inglaterra

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