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Por que Madoff deveria ser coordenador da Previdência dos EUA

A previdência social americana deve apresentar déficit no próximo ano e não terá mais recursos a partir de 2034

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

bernie madoff
(Shutterstock)

No final do mês passado, Bernie Madoff, autor do maior esquema Ponzi (também conhecido como pirâmide financeira) da história, que alguns chegam a avaliar em cerca de US$ 65 bilhões, pediu ao presidente Trump que reduzisse sua sentença.

Caso eu fosse presidente, não só amenizaria a sentença de Madoff, como também lhe daria um emprego: coordenador da previdência. Acho que Madoff tem as qualificações necessárias para ocupar o posto.

A previdência social americana (Social Security e Medicare) que, segundo o governo norte-americano tem “unfunded liabilities”, ou obrigações descobertas de longo-prazo, que superam os US$ 45 trilhões, deve apresentar déficit no próximo ano e não terá mais recursos a partir de 2034. E eu me preocuparia muito antes disso, já que os cálculos dos governos não são os mais exatos e levam em conta cenários muito bons até lá.

Eu venho dizendo há tempos que a única diferença entre a previdência e um esquema Ponzi é que em um a pessoa entra se quiser, enquanto o outro é de adesão compulsória. O regime oficialmente adotado no Brasil, por exemplo, é o de distribuição, em que há, por definição, um financiamento entre gerações. Em outras palavras, os últimos a entrarem vão pagando as contas dos primeiros que chegaram – definição clássica de um esquema Ponzi.

Milhões de pessoas que dependem da previdência e vêm contribuindo todos os anos para poder usufruir dela poderão ter uma surpresa. E as taxas de retorno da previdência vêm caindo e foram de menos de 3% no ano passado. Isso porque, segundo a legislação americana, esses fundos são proibidos de investir em qualquer coisa que não seja treasuries.

E o FED, terceiro banco central na história dos EUA, não está ajudando. Com sua política de juros baixos e excessiva impressão de dinheiro, empresas e pessoas que dependem dos rendimentos dos treasuries estão vendo seu dinheiro render menos, enquanto o custo de vida e de suas obrigações estão subindo – definitivamente não é uma boa combinação.

Abaixando o custo do dinheiro artificialmente, o FED criou bolhas para todos os lados: criptomoedas, obras de arte, apartamentos multimilionários em capitais sofisticadas, ações, bonds, etc. Para tentar curar um problema que o FED criou em 2000, o próprio FED inflou uma bolha enorme que estourou em 2008. A bolha que ele está inflando agora é muito maior.

Estamos vendo hoje que o mercado está descobrindo o que já venho falando há tempos. Os níveis de endividamento corporativo, público, estudantil, de cartão de crédito, imobiliário e todos os outros estão em patamares altíssimos e, na medida em que começa a haver uma desalavancagem, a tendência é de que haja correção nos preços.

Agora é hora de ter cautela e selecionar bem. Ouro, isento do risco de contraparte e reserva histórica de valor, é parte importante de um portfólio equilibrado e vem subindo nos últimos meses. Para quem gosta de emoção, a prata pode ser uma boa alternativa.

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Disclaimer: Esse texto reflete a opinião do autor e não constitui uma sugestão, recomendação, indicação e/ou aconselhamento de investimento. Nenhuma decisão de investimento deve ser tomada com base nas informações ora apresentadas, cabendo unicamente ao investidor a responsabilidade sobre qualquer decisão que venha a tomar.

O autor detém e negocia ativos ligados ao assunto abordado em sua carteira proprietária e/ou na de clientes sob sua gestão remunerada.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

 

perfil do autor

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Marcelo López

Marcelo López tem certificação CFA, é gestor de recursos na L2 Capital Partners, com MBA pelo Instituto de Empresa (Madrid, Espanha) e especialização em finanças pela principal escola de negócios da Finlândia (Helsinki School of Economics and Business Administration). Atuou como Gestor de Carteiras e de Fundos em grandes gestoras internacionais, tais como London & Capital e Gartmore Investment Management.

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