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O call da maior mineradora de urânio da Bolsa tem muito a mostrar: será a hora de aproveitar a oportunidade?

A oportunidade está aí, só não aproveita quem não quer.

mineração
(Reuters)

Semana passada houve a conferência mais importante do trimestre para pessoas que, assim como eu, acompanham o mercado de urânio bem de perto. Estou falando da apresentação dos resultados da canadense Cameco, maior mineradora de urânio listada em bolsa – pelo menos por enquanto, já que a cazaque Kazatomprom deve ser listada em breve na Bolsa de Valores de Londres e Astana.

Não vou entrar no mérito da empresa em si, mas os insights que os executivos compartilharam durante o call são inestimáveis e valem a pena ser revistos. A empresa pôs a maior mina de urânio do mundo, a McArthur River Mine, em manutenção por tempo indeterminado há poucos meses, afirmando que o preço da commodity está bem abaixo do ponto de equilíbrio. Em função disso, ela está recorrendo ao mercado spot para comprar o metal e cumprir os contratos já firmados. Tudo isso faz com que ouvir o que esses executivos estão pensando e sentindo do mercado se torne uma obrigação.

A primeira coisa que percebemos é que a empresa deu lucro no trimestre, com um preço de venda médio de US$47,80 – 65% acima de onde está agora no mercado spot. O preço médio bem acima do mercado se deve a contratos antigos com valores bem mais altos. Grande parte do lucro da empresa veio da compra de urânio no mercado spot (atualmente no ponto mais alto dos últimos 2 anos e meio, mas ainda assim bem abaixo de onde deveria estar) e a subsequente venda pelo preço contratual. Segundo a empresa, é mais vantajoso comprar o metal nesses níveis para honrar contratos do que produzir.

É importante também ter em mente que a companhia não inclui a depleção no cálculo do seu custo, ou seja, o preço de venda deve ser bem acima de US$50 para que ela própria seja lucrativa e sustentável. Para uma empresa que não tem minas da qualidade que ela tem, que são as mais ricas e concentradas do mundo, o preço pode chegar a US$60. É necessário investimento em exploração (o que a Cameco e outras vêm reduzindo drasticamente nos últimos anos) para encontrar novos depósitos e evitar que a empresa desapareça uma vez esgotado o minério das atuais minas.

A Cameco anunciou que deverá ir ao mercado ainda esse ano para comprar entre 1 e 3 milhões de libras de urânio para honrar contratos, ou seja, há a perspectiva de maior demanda pela commodity no curto-prazo também. Além disso, a empresa já tem firmado contratos de venda para pelo menos 27 milhões de libras de urânio físico em 2019, o que implica uma demanda entre 10 e 12 milhões de libras no mercado spot ano que vem só por parte dela.

A empresa também anunciou que o preço do urânio, embora já tenha subido mais de 40% desde as mínimas registradas nesse ano, ainda não chegou ao patamar que justifique a reativação da produção de McArthur River Mine, que além de ser a maior, é a mina que detém maior concentração do metal.

Estamos vendo um mercado cada vez mais apertado, com menos vendedores. Chego a pensar que a Cameco pode até ser surpreendida por um aumento súbito nos preços e um lag entre a volta da produção de McArthur River Mine e a falta de metal para compra no mercado spot.

Os executivos disseram no call que não sabem o que pode acontecer nos EUA com a solicitação da Section 232, mas que estão preparados para o pior, seja pela imposição de quotas de importação ou de sobretaxas. Lembrando que a Cameco desativou todas as suas minas nos EUA há alguns anos, devido ao baixo preço do metal e à inviabilidade econômica dos projetos.

Ao comentarem sobre a percepção que têm do mercado spot, os executivos disseram que não está havendo um volume de venda grande e que o mercado, sabendo que a Cameco está com a intenção de comprar em grande quantidade, acaba não “mostrando” o lote e retendo o material. Isso faz sentido, afinal, se sabemos que há um comprador grande interessado, por que vender mais barato?

A empresa também não está vendo mudança no processo de underfeeding no momento, mas acredita que esse movimento deva diminuir mais pra frente, o que deve pressionar ainda mais o preço do urânio.

No momento existem 55 reatores sendo construídos no mundo, o que implica a necessidade de se produzir pelo menos 45 milhões de libras adicionais do metal por ano. Um retrato do mercado hoje revela uma produção que não chega a 140 milhões de libras e um consumo que se aproxima rapidamente dos 200 milhões de libras/ano. É um caso clássico de demanda aumentando, oferta diminuindo, enquanto o preço da commodity está muito distante do ponto de equilíbrio. A oportunidade está aí, só não aproveita quem não quer.

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Esse texto reflete a opinião do autor e não constitui uma sugestão, recomendação, indicação e/ou aconselhamento de investimento. Nenhuma decisão de investimento deve ser tomada com base nas informações ora apresentadas, cabendo unicamente ao investidor a responsabilidade sobre qualquer decisão que venha a tomar.

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perfil do autor

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Marcelo López

Marcelo López tem certificação CFA, é gestor de recursos na L2 Capital Partners, com MBA pelo Instituto de Empresa (Madrid, Espanha) e especialização em finanças pela principal escola de negócios da Finlândia (Helsinki School of Economics and Business Administration). Atuou como Gestor de Carteiras e de Fundos em grandes gestoras internacionais, tais como London & Capital e Gartmore Investment Management.

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