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Cameco e a suspensão de McArthur River

Cameco decidiu suspender a produção de McArthur River, maior mina de urânio do mundo.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

CCX Carvão
(Divulgação/CCX)

A Cameco, maior mineradora de urânio listada em bolsa (pelo menos por enquanto), anunciou ontem que está suspendendo por tempo indeterminado a produção de sua maior mina, McArthur River, devido aos baixos preços do metal.

Sinto muito pelos mais de 500 empregos diretos que serão perdidos nessa decisão, mas a empresa tem a obrigação de olhar para o todo e salvar os outros milhares de empregos que ela criou e mantém.

A decisão não foi novidade para os leitores desse blog. Já havia mencionado aqui que as chances da mina continuar aberta era muito baixa, apesar dos fortes sindicatos canadenses e da importância da Cameco para o setor.

McArthur River, como já mencionei, é responsável por cerca de 13% de todo o urânio produzido no mundo. Isso é o equivalente a Arábia Saudita, que também produz cerca de 13% do petróleo mundial, anunciar que não produzirá mais nem um barril. O impacto seria brutal.

O bull market que está se formando agora no setor vai ser, na minha opinião, um dos maiores já vistos. Isso, porque a base dele está sendo a destruição da capacidade de fornecimento das mineradoras, não o aumento de demanda.

Esse efeito é pernicioso, porque para retomar a operação das minas, as mineradoras precisarão de preços muito mais altos e sustentáveis. E onde vão encontrar trabalhadores com conhecimento do setor, se não há investimentos? Além do mais, uma mina não é aberta (ou reaberta) em questão de semanas. Estamos falando de anos e de um custo enorme. Até esse problema ser sanado, anos passarão e os preços subirão brutalmente.

Esse ano, até o momento, só para citar alguns, já tivemos a suspensão de algumas minas grandes, redução na produção de urânio pelo Cazaquistão (maior produtor mundial), anúncio da suspensão da venda de urânio por meio do sistema de barter nos EUA a partir de 2019 e atrasos em vários projetos que já deveriam ter começado.

Mais uma vez as empresas de geração de energia estão deixando passar uma grande oportunidade de garantir o fornecimento de uma matéria-prima essencial para seu funcionamento a preços de liquidação. Mais três anos nessa situação e vamos ter um grande problema de fornecimento no mundo, o que pode empurrar o preço para a estratosfera.

Com o risco de parecer repetitivo, a hora de se posicionar é agora, comprando ativos de primeira linha por quase nada. Dificilmente investir se torna melhor do que isso.

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perfil do autor

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Marcelo López

Marcelo López tem certificação CFA, é gestor de recursos na L2 Capital Partners, com MBA pelo Instituto de Empresa (Madrid, Espanha) e especialização em finanças pela principal escola de negócios da Finlândia (Helsinki School of Economics and Business Administration). Atuou como Gestor de Carteiras e de Fundos em grandes gestoras internacionais, tais como London & Capital e Gartmore Investment Management.

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