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Maquininhas renunciam a parte significativa da receita - por um bom motivo

O mercado de cartão de crédito em especial é composto por uma infinidade de intermediários que estão tendo seus papeis questionados por uma nova tecnologia

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

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(Shutterstock)

Não é segredo algum que uma fonte importante de receita dos adquirentes, ou credenciadores, é o desconto dos recebíveis das operações geradas via maquininhas.

Em outras palavras, depois de registrada a venda, o lojista teria que esperar em média 30 dias para receber o valor da venda a crédito e, como esse não tem capital de giro para isso, acaba antecipando junto aos adquirentes para receber de imediato ou em poucos dias.

Por essa antecipação são cobrados juros e esses juros respondem, em média, por cerca de 50% das receitas da maioria dos adquirentes. A situação é ainda mais rentável para os adquirentes quando a venda é feita em várias parcelas, como as passagens aéreas, por exemplo, já que os prazos para antecipação são maiores.

Dito isso, estamos vendo uma leva de adquirentes ligados a grandes bancos isentando ou diminuindo muito as taxas de antecipação desses recebíveis. E aí fica a pergunta: por que essas empresas estão renunciando a grande parte das suas receitas? A resposta a essa pergunta está por trás da perda de alguns bilhões de valor de mercado que as empresas abertas desse setor na B3 registraram nos últimos dias.

Eu vejo duas linhas de explicação para esse movimento, uma reativa e outra proativa. A estratégia reativa se apresenta pela maior competição nos últimos anos no setor, e que abriu espaço para que empresas não ligadas aos grandes conglomerados financeiros fossem criadas e começassem a ganhar participação nesse mercado. Demorou, mas os grandes bancos resolveram tomar uma atitude para dificultar a vida dos menores. Justo? Não sei. Estratégia anticompetitiva? Cabe ao CADE decidir.

A outra linha de explicação vem do fato de o Banco Central, já há algum tempo, estar se mostrando inquieto com essa situação de prazo longo entre a venda do produto e recebimento pelo lojista. Cabe aqui ressaltar que essa prática é comum somente no Brasil. Em nenhum outro país que eu tenha conhecimento há um prazo tão longo entre venda do produto e recebimento do dinheiro pelo lojista.

Curiosamente, aqui também se pratica um dos maiores juros do mundo, onde essa diferença de 30 dias faz muita diferença! Dado essa inquietação do Banco Central há argumentos para dizer que esse prazo de 30 dias deverá ser reduzido em breve e, portanto, porque não antecipar em alguns meses essa medida, colocando isso como uma benesse para o seu usuário?

Difícil dizer qual das duas estratégias pesou mais na decisão de cada banco para baixar ou zerar as taxas de antecipação de recebíveis. Muito provavelmente, as decisões consideraram as duas explicações acima.

Agora, independente da razão, o seu resultado é muito bom. Gera uma melhor condição para os lojistas, que pode refletir positivamente nos preços e na economia como um todo. Competição e regulamentação melhorando a vida de todos.

Por fim, uma coisa que ainda me intriga é como será o futuro dessa forma de pagamento. Com o Blockchain se disseminando pelo mercado financeiro regulamentado não haverá necessidade de tanto prazo para pagamentos e devemos ter muito menos intermediários nesse processo.

O mercado de cartão de crédito em especial é composto por uma infinidade de intermediários que estão tendo seus papeis questionados por essa nova tecnologia. Talvez essa sim seja a razão para essas grandes mudanças que estão ocorrendo no setor de pagamentos. Não tardará a saberemos.  

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Gustavo Cunha é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro brasileiro e internacional. Dentre outras posições, foi diretor estatutário responsável pelas áreas de tesouraria, capital markets e trade finance do Banco Rabobank Brasil, CEO da Gorila.com.vc e apresentador do programa F5 da IMTV. Hoje atua como investidor, consultor financeiro registrado na CVM, é sócio da Finlab Planejamento Financeiro, professor da B3, Infomoney, Ibmec e Casa do Saber e palestrante sobre temas relacionados a Blockchain e Criptomoedas.

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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

 

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Gustavo Cunha

Empreendedor, economista, administrador, palestrante, tutor, professor, estudante, trader, investidor, executivo, pai, filho, marido, ciclista

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