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Eduardo Cavendish

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2019: Uma Odisseia Monetária

Mais uma vez nos voltaremos aos estímulos monetários via "QE" (Quantitative Easing) que implica no Fed imprimir dinheiro e utilizar esse dinheiro criado para comprar ativos

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

Estados Unidos EUA
(Shutterstock)

Após um final de ano bastante tumultuado nos mercados globais, muito tem sido discutido sobre a atuação do Federal Reserve e o que esperar de 2019 da política monetária americana. Lembrando que no mês passado os membros do Fed decidiram por aumentar em 0,25% a taxa de referência da economia Americana para a banda de 2,25%-2,50%.

Abaixo a taxa de juros efetiva do FED em uma perspectiva histórica:

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(Fonte: https://fred.stlouisfed.org/graph/?id=FEDFUNDS)

Diferente do que muitos analistas acreditam e o próprio Fed declara, espero que não haja mais nenhuma alta dos juros americanos em 2019. Minha análise é que a economia real dos EUA já atingiu seu auge desse ciclo de crescimento e deve piorar rapidamente nos próximos trimestres.

Como pode ser observado nos gráficos abaixo, apesar dos EUA terem apresentado crescimento robusto nos últimos trimestres, a venda de veículos e unidades habitacionais vem demonstrando fraqueza, movimento que acredito irá se aprofundar no primeiro semestre de 2019 e afetar outros setores relevantes da economia.

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(Fonte: https://fred.stlouisfed.org/series/ALTSALES)

(Fonte: https://fred.stlouisfed.org/series/EXHOSLUSM495S)

Caso minha hipótese esteja correta e este tenha sido o último aumento de juros do ciclo, um grande problema se apresentará.

Quando comparamos esse ciclo de aperto monetário a outros, fica claro como esse tem sido completamente diferente. Trata-se do ciclo com a menor velocidade de alta nos juros, conforme pode ser visto no gráfico abaixo que separa os últimos ciclos de alta nos juros.

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Quando uma crise financeira acompanhada de recessão surge, os Bancos Centrais têm como principal ferramenta de combate o estímulo monetário via depreciação dos juros. Essa ferramenta foi utilizada nas últimas crises e creio que será utilizada na próxima que surgir.

Em crises anteriores foi comum o Fed reduzir os juros em pelo menos 3%. Dessa vez não teremos espaço para tal ajuste, pois implicaria nos juros entrarem em campo negativo e não creio que tal expediente seria aprovado pelos membros do Banco Central Americano.

Sendo assim, o que restará fazer?

Acredito que mais uma vez voltaremos aos estímulos monetários via “QE” (Quantitative Easing) que implica no Fed imprimir dinheiro e utilizar esse dinheiro criado para comprar ativos. Estes ativos adquiridos (em tese) sobem de preço e geram um efeito de enriquecimento nos investidores que se espalha para toda economia via aumento do consumo.

Na última crise foi necessário imprimir mais de U$ 3,5 trilhões via QE, além dos juros terem sido derrubados em 5%. Como teremos menos espaço para queda dos juros na próxima crise, eu estimo que precisaremos de muitos trilhões de dólares para reanimar a economia em um cenário de crise.

Ninguém sabe ao certo se os EUA terão uma crise financeira seguida de recessão em 2019, mas posso afirmar que a odisseia monetária de 2019 promete fortes emoções àqueles que acompanham os mercados.

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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

 

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Eduardo Cavendish

Administrador formado pelo Insper, apaixonado por geopolítica e sócio na CIGA Invest. Sempre desafiando o senso comum

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