Crédito privado: o gatilho da próxima crise?

À medida que as taxas de juros vem sendo aumentadas nos Estados Unidos, a tendência é que vejamos casos de empresas que abusaram do endividamento.

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Em textos anteriores tratei dos experimentos monetários aos quais os principais Bancos Centrais do mundo aderiram após a grande crise de 2008/ 2009. Como resultado dessas políticas tivemos uma série de efeitos colaterais que trouxeram crescimento econômico, entre eles o aumento do crédito privado em escala mundial.

Conforme o gráfico produzido pelo Instituto Internacional de Finanças (IIF) mostra, a participação do “Non-fin. corporate” (crédito corporativo) cresceu rapidamente, tornando-se a maior fatia da dívida global com U$74 trilhões.

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A rápida expansão do crédito corporativo foi efeito direto da expansão monetária adotada pelos principais Bancos Centrais que levaram a uma taxa de juros artificialmente baixa. Em alguns países se tornou negativa. Como resultado, o custo de tomar dinheiro emprestado se tornou muito baixo e a liquidez alta.

À medida que as taxas de juros vem sendo aumentadas nos Estados Unidos, mercado que é a referência global, e a expansão monetária vem sendo desfeita via QT (Quantitative Tightening), a tendência é que vejamos casos de empresas que abusaram do endividamento.

Recentemente o “Rei dos Bonds”, Jeffrey Gundlach, afirmou:

“Dívidas com Grau de Investimento são a parte mais perigosa do mercado de Bonds.

Uma série de revisões para baixo no rating das empresas seria difícil para o mercado absorver.”

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Grau de Investimento (“Investment Grade”) se refere ao tipo de dívida considerada de menor risco e que permite a grandes fundos de pensão, soberanos e afins investir boa parte de seus recursos.

Somente para ter uma perspectiva do que Gundlach está falando, abaixo está um gráfico mostrando o percentual de empresas dentro do espectro Grau de Investimento que possuem a nota mais baixa possível dentro da faixa.

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Note como o percentual de empresas de maior risco vem crescendo dentro da faixa, tal fato pode ser indicativo de excessos cometidos o que vem levando muitas empresas a terem suas notas reduzidas.

Caso exemplar recente desse excesso é a mítica empresa General Electric (GE). Apesar da nota da empresa ainda ser considerada Investment Grade, investidores vêm demonstrando preocupação com sua saúde financeira, ensejando perda superior a U$200 bilhões em valor de mercado desde o final de 2016. Executivos da empresa já demonstram intenção de vender alguns ativos de forma a melhorar os indicadores de alavancagem.

Excesso de dívidas não é novidade. Em todo ciclo econômico cometemos exageros e buscamos criar regras para controlar os excessos. Tal ideia pode resolver o passado, mas sempre falha em acertar o futuro já que o dinheiro irá fluir naturalmente para as áreas onde há menos restrições. Enquanto não temos um “DeLorean” para viajar no tempo, só nos resta usar a imaginação.

Fonte: https://www.bloomberg.com/news/articles/2018-11-13/general-electric-caution-signs-are-flashing-in-credit-markets

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Eduardo Cavendish

Administrador formado pelo Insper, apaixonado por geopolítica e sócio na CIGA Invest. Sempre desafiando o senso comum