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O Nazismo está muito mais à esquerda do que à direita. Entenda

O Nazismo e o Comunismo têm muito mais aspectos semelhantes do que destoantes como, por exemplo, genocídios em nome de uma ideologia, supressão de liberdades individuais, e controle direto do governo sobre as decisões das empresas (estatização econômica). Se há tantas semelhanças entre Nazismo (fascismo também) com regimes comunistas, por que os comunistas gostam tanto de xingar os outros de “fascistas” se, em essência, defendem praticamente a mesma coisa?

Fidel Castro - Bloomberg
(Bloomberg)

Todos nós “aprendemos” no colégio que o Nazismo era “de direita”, enquanto o Comunismo era “de esquerda”. Grosso modo, nossos professores diziam que o Comunismo era um regime totalitário, com estatização completa da economia, em busca de uma sociedade mais justa e igualitária; enquanto o Nazismo se caracterizava por um regime totalitário, com a presença de empresas privadas, na busca de uma sociedade baseada na supremacia da raça ariana.

Recentemente, o economista Rodrigo Constantino traz um ótimo artigo argumentando que o “Nazismo e o Comunismo são dois lados da mesma moeda”(veja aqui). Do ponto de vista político, não precisa de muito esforço para provar o óbvio: ambos os regimes eram ditatoriais, suprimiam as liberdades individuais e matavam qualquer um que se opusesse contra os seus governos.

Do ponto de vista ideológico, aprendemos que o Nazismo promovia genocídios em busca da construção de uma sociedade baseada na raça ariana. Já em relação ao comunismo, “nos ensinaram” que a ditadura do proletariado buscava a construção de uma sociedade ideal, baseada na igualdade. Curiosamente, era omitido que o comunismo matou mais de 100 milhões de pessoas ao redor do mundo em nome da “igualdade”. E quando raramente o genocídio comunista vem à tona, passa-se a ideia de que as matanças eram justificadas em nome da construção da sociedade mais justa e igualitária, ou por desvios pessoais de alguns ditadores- embora não haja um único caso de regime comunista que não houvesse assassinatos em massa.

De outro modo, enquanto o genocídio do Nazismo é corretamente condenado, no Comunismo é romantizado. Prova disso é que temos até hoje partidos políticos abertamente comunistas e socialistas, inclusive no nome (PCdoB – Partido Comunista do Brasil, PSOL). São partidos que usam siglas e se simpatizam com uma ideologia que matou mais de 100 milhões de pessoas. E o pior: a sociedade acha isso extremamente normal. Pense no contrário: já imaginou um partido abertamente nazista? Então, qual a diferença para um partido abertamente comunista de um partido nazista? Ou, o genocídio de um é justificado; e do outro, não?  A romantização do Comunismo não se dá só na política, mas em outras áreas também. Em ótimo artigo, o escritor João Pereira Coutinho relata que existem restaurantes europeus que utilizam termos dos regimes comunistas em seus cardápios, como uma experiência turística gastronômica. Agora, como o próprio Coutinho frisou, já pensou um restaurante com expressões nazistas? Obviamente que embrulharia o estômago de qualquer cidadão de bem.  Novamente, qual a diferença de entrar num restaurante com nomes comunistas, de um com expressões nazistas?

Mais: por que a mídia prestou homenagem a Fidel, um ditador que matou e levou milhares de pessoas à miséria na ilha cubana?  Qual a diferença entre Fidel e Hitler? Matar em nome do combate à desigualdade, pode? É isso? Seria bom os “intelectuais” explicarem por que o comunismo tem PASSE LIVRE na mídia e nas escolas, sendo, em essência, politicamente muito parecido com o regime nazista – ambos são regime totalitários que cometeram genocídios em nome de uma ideologia. Aliás, vale lembrar que  a similaridade entre comunismo e nazismo se dava inclusive no nome (Nationalsozialistische) . Em português, nacional –socialista.

Mas além de ideologias diferentes – uma mata em favor da igualdade; e a outra, em favor da supremacia da raça -, é comum diferenciar erroneamente o comunismo do nazismo pelo regime econômico: o comunismo estaria à esquerda, pela estatização da economia; enquanto o Nazismo à direita, por permitir a presença de empresas privadas. Ora, a mera presença de empresas privadas não garantia que o Nazismo era a favor de uma economia de mercado, pelo contrário: as empresas eram privadas apenas na fachada, se comportando na prática como uma mera extensão do Estado.

Como observou o economista Ludwig von Mises, as empresas privadas sofriam interferência direta do governo como, por exemplo, controle da produção, dos lucros, dos preços e dos salários. O ponto central é que a propriedade privada existia em nome do Nazismo, de acordo Mises. Em outras palavras, as empresas privadas se comportavam como empresas estatais socialistas diante do controle de preços e salários. Evidentemente que isso vai contra completamente ao livre mercado, defendido pelos liberais e conservadores.

Em suma, o Nazismo e o Comunismo têm muito mais aspectos semelhantes do que destoantes como, por exemplo, genocídios em nome de uma ideologia, supressão de liberdades individuais, e controle  direto do governo sobre as decisões das empresas (estatização econômica). Se há tantas semelhanças entre Nazismo (fascismo também) com regimes comunistas, por que os comunistas gostam tanto de xingar a direita liberal e conservadora de “fascistas” se, em essência, defendem praticamente a mesma coisa?

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Alan Ghani

É economista, mestre e doutor em Finanças pela FEA-USP, com especialização na UTSA (University of Texas at San Antonio). Trabalhou como economista na MCM Consultores e hoje atua como consultor em finanças e economia e também como professor de pós-graduação, MBAs e treinamentos in company.

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