Limpeza de início de ano: o que você precisa jogar fora da sua comunicação

Em um mundo saturado de informações, aprender a comunicar com clareza, intenção e menos excesso se torna um dos maiores diferenciais de liderança e negócios

Alessandra Braga

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No início do ano, muita gente faz uma limpa no closet. Organiza gavetas, separa papéis, joga fora o que não serve mais e sente um certo alívio. Eu te convido a fazer o mesmo, só que na sua comunicação.

Por isso, talvez a melhor maneira de começar o ano seja aprender a ser mais objetivo e estratégico. Ao longo de mais de 15 anos preparando presidentes e executivos das maiores empresas do Brasil, posso afirmar: ser sucinto é técnica e também um enorme diferencial competitivo.

Desapegue dos detalhes irrelevantes nas reuniões. Encurte apresentações. Cancele convites para conversas longas que poderiam ser resolvidas com um e-mail claro, direto e bem escrito. Longe de ser frieza ou falta de cuidado. Isso é ser sucinto e respeitoso.

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Um dos grandes motivos da fadiga comunicacional nas empresas é o excesso de informação. Há quem faça apresentações longas para provar o quanto trabalhou, para mostrar o quão árduo e complexo foi o projeto, mas acaba soterrando a audiência com dados que não cooperam para o entendimento, decisões ou tomada de ações. O efeito é previsível: afastamento, confusão, cansaço mental, ruído, conflito, retrabalho, tempo perdido e dinheiro indo embora.

Segundo o estudo The Cost of Poor Communications, empresas de grande porte nos Estados Unidos perdem, em média, US$62,4 milhões por ano por falhas de comunicação. Para mostrar valor não é preciso falar muito. É preciso ser relevante.

Uma história ilustra bem isso. James Watson, um dos cientistas responsáveis pela descoberta da estrutura do DNA humano, base para testes de paternidade e para o mapeamento do genoma, publicou essa revolução científica em um artigo de apenas uma página, em uma das revistas científicas mais prestigiadas do mundo. Uma descoberta que mudou a humanidade, explicada de forma simples, objetiva e adequada ao público, ao objetivo e ao contexto.

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Existe método para escolher o que entra em uma apresentação e, principalmente, o que fica de fora. A palavra-chave é clareza de intenção. Antes de falar, planeje-se: quem vai me escutar? O que eu quero dessa conversa? O que eu espero que essa pessoa faça depois?

Frases curtas, mensagem central explícita. Ser direto ao ponto é essencial em reuniões de conselho, apresentações para diretoria e contextos em que as pessoas vivem uma maratona de encontros, decisões e prazos apertados. Quer um atalho? Comece pelo fim. Evidencie logo de cara o ponto central e o objetivo: “Temos uma nova meta para 2026. Vou explicar o porquê e o que vamos fazer, a partir de agora, para alcançá-la.”

Thomas Jefferson resumiu isso com elegância: “O mais valioso de todos os talentos é nunca usar duas palavras quando apenas uma resolver.” Eu concordo. Quem é claro conquista atenção, ganha admiração e se torna alguém prazeroso de ouvir.

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Durante meu mestrado em Vancouver, acompanhei de perto TED Talks oficiais. O método é sempre o mesmo: uma ideia central muito bem definida. Quando a plateia vai embora, o que você quer que ela espalhe por aí? Ou pense, sinta e faça? Essa resposta define o que entra e, sobretudo, o que sai da apresentação.

Vivemos soterrados de informações, cursos, livros, mensagens e notificações. Nesse cenário, falar menos refina. O meu convite é direto: em 2026, seja mais sucinto, mais estratégico, mais claro. Coloque sua voz em jogo com intenção e confiança. Seu time vai te agradecer, especialmente, pela informação que você escolheu não dar.

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Alessandra Braga

Alessandra Braga é jornalista, Mestra em linguística aplicada pela PUC/SP e expert em palestras TED Talks. Em sua trajetória profissional, passou por diversas áreas da comunicação. Foi repórter de TV, produziu e dirigiu programas ao vivo, atuou numa agência de produção de vídeos corporativos e como roteirista em uma agência de apresentações. Com esse repertório, passou a trabalhar no meio corporativo, aliando a habilidade de comunicação às dinâmicas de convenções, reuniões de resultados, eventos para lançamentos de produtos, dentre outros momentos decisivos nas grandes empresas. Há 10 anos a comunicadora é a fundadora e CEO da All Presentations, empresa responsável por preparar líderes de alta performance para momentos estratégicos por meio de workshops e palestras in company, além de ensaios individuais para momentos decisivos. Ao longo desses anos, já trabalhou com grandes empresas de diferentes segmentos como Bradesco, VLI, Merz, Ericsson inovação, Aramis, Dotz, Moema Wertheimer Arquitetura, Ifood, palestrantes reconhecidos.