Da adoção individual à vantagem institucional: o que impulsiona o crescimento dos escritórios de advocacia com IA

Escritórios com um plano claro têm 3,5 vezes mais chances de apresentar crescimento de receita graças à IA

Rodrigo Hermida

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Oitenta e seis por cento dos profissionais jurídicos da América Latina acreditam que a IA terá um impacto significativo ou transformador em sua profissão nos próximos cinco anos. Mas, quando questionados sobre o impacto que esperavam ver em seus próprios escritórios nos doze meses seguintes, o número cai para apenas 35%.

Esses dados, do relatório Future of Professionals 2025 da Thomson Reuters, baseados em respostas de executivos, sócios, associados e advogados em 53 países, revelam uma clara desconexão entre as expectativas gerais e as mudanças reais iminentes. A lacuna é um sinal de alerta para os líderes, pois a falta de ação pode se traduzir em perda de talentos essenciais e em uma perigosa desvantagem competitiva.

O paradoxo é que a América Latina lidera em expectativas em IA, mas não nos investimentos. Os escritórios da região sentem-se limitados em sua capacidade de investir na tecnologia, embora seus profissionais a estejam adotando individualmente mais rapidamente do que em outras regiões. Enquanto escritórios do Reino Unido e da Europa lideram o investimento institucional, em nossa região há um desejo de transformação sem a infraestrutura estratégica para apoiá-la.

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Se essa lacuna entre a adoção individual e a estratégia institucional não for resolvida, os escritórios não apenas perderão competitividade, mas também correrão o risco de perder seus melhores talentos, que buscarão ambientes onde a tecnologia aprimore seu desenvolvimento profissional, em vez de o limitar.

Sim, existem escritórios que estão na vanguarda na América Latina. E isso mostra o que está por vir: escritórios que integram a tecnologia de forma deliberada, alinhada à sua estratégia de negócios.

Para que a adoção seja eficaz, ela precisa ser estratégica. O relatório revela que apenas 22% dos escritórios têm uma estratégia de IA bem definida. Mas a principal descoberta é que 71% já estão obtendo retorno sobre o investimento. Além disso, escritórios com um plano claro têm 3,5 vezes mais chances de apresentar crescimento de receita graças à IA, em comparação com aqueles que estão avançando sem uma direção definida.

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O desenvolvimento dessa estratégia envolve alinhar a adoção de IA aos objetivos de negócios, estabelecer metas específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e com prazo definido, priorizar projetos-piloto de alto impacto e construir estruturas de governança robustas. Isso exige investimento em talentos e treinamento, porque a tecnologia não substitui o julgamento profissional; pelo contrário, ela o aprimora, capacita e acelera. E exige uma estratégia de dados abrangente que englobe informações do cliente, conhecimento interno e trabalho jurídico acumulado.

IA de nível profissional ou risco para a reputação?

Nem todas as ferramentas de IA são iguais. O uso de modelos genéricos, não treinados no domínio jurídico e sem ambientes seguros, representa um risco ético, legal e de reputação. Profissionais jurídicos lidam com informações sensíveis e confidenciais. Eles precisam de ferramentas treinadas para o setor, com dados privados que nunca sejam usados ​​para treinar modelos gerais e com alto nível de segurança.

A diferença entre adotar a IA de forma responsável ou de forma desordenada reside em ter uma estratégia clara. Os escritórios que compreenderem isso primeiro, que investirem em governança, talento, dados e ferramentas profissionais, liderarão a próxima década.

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A inteligência artificial não vai transformar o setor jurídico. Ela já está transformando. A questão importante é: seu escritório liderará essa mudança ou tentará alcançá-la depois?

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Rodrigo Hermida

Rodrigo Hermida é Vice-presidente do segmento de Legal Professionals para América Latina e de Tax Professionals para South LatAm na Thomson Reuters. Rodrigo Hermida ingressou na empresa em 2017, como CFO para a South LatAm e foi nomeado para liderar o negócio em 2018. Contador Público Nacional e MBA, é especialista em Inovação Empresarial. Durante os últimos 20 anos, ocupou os cargos de Controller, Diretor Financeiro e CFO na Argentina e no exterior, trabalhando para empresas como Mercedes-Benz e Zurich Insurance Company. Desde 2019, Rodrigo também é membro do Conselho de Administração da CanCham Argentina.