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Como a W1 virou a melhor assessoria do ano e agora planeja formar 3 mil assessores

Com números superlativos, a W1 Capital saiu do G20 para o primeiro lugar entre mais de 400 escritórios parceiros da XP. Agora, a empresa quer formar 3 mil assessores nos próximos cinco anos e ampliar sua presença no país

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A W1 Capital saiu do G20 — grupo das 20 assessorias mais bem colocadas da rede — para o primeiro lugar entre mais de 400 escritórios parceiros da XP em um ano.

Segundo Gabriel Mangueira, CEO da W1, planejamento financeiro, expansão territorial, formação de profissionais, gestão e investimento em tecnologia estão entre os fatores que contribuíram para o resultado.

Se o mercado financeiro é regido por números, alguns indicadores ajudam a dimensionar a expansão da W1. Após investir cerca de R$ 100 milhões nos últimos cinco anos, a empresa projeta aproximadamente R$ 1 bi em investimentos até 2033.

Atualmente, a W1 conta com 37 escritórios e registra R$ 3,5 bilhões sob custódia. Agora, a empresa pretende direcionar parte de sua estrutura de formação também para a assessoria de investimentos e formar 3 mil assessores nos próximos cinco anos.

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Do G20 à liderança da rede XP

A conquista do primeiro lugar no Brazil Advisor Awards 2026 marcou uma mudança de posição para a W1 Capital. O escritório foi eleito o melhor da premiação e também recebeu o reconhecimento de melhor da região Sudeste.

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A premiação considera diferentes dimensões do negócio. Entre elas estão qualidade do atendimento, captação de recursos, produtividade e gestão do patrimônio dos clientes. Ao todo, mais de 400 escritórios fazem parte da rede de parceiros da XP.

Para Gabriel Mangueira, CEO da W1, não há um único fator por trás do resultado. Ele atribui a chegada ao primeiro lugar a uma combinação de cultura, gestão, expansão, formação de profissionais e integração com a XP.

“Não adianta você crescer sem formar o profissional na sua metodologia. Senão o resultado na conta não vem”, afirma.

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Gabriel Mangueira, CEO da W1: "a gente sempre trabalhou muito o poder de escolha do cliente” (Foto: W1 Agency)
Gabriel Mangueira, CEO da W1: “a gente sempre trabalhou muito o poder de escolha do cliente” (Foto: W1 Agency)

Estratégia começa antes dos investimentos

A história da W1 começou antes da criação de sua operação de assessoria. Fundada em 2010, a empresa adotou inicialmente um modelo de origem europeia, com atuação concentrada principalmente em seguros de vida e previdência.

A mudança começou em 2018, quando a companhia passou a ampliar sua atuação em serviços financeiros com foco em planejamento. A vertical de assessoria de investimentos foi criada em 2019 para complementar esse serviço, segundo Mangueira.

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No modelo descrito pelo executivo, a análise começa pela situação financeira do cliente, antes da definição dos investimentos. A avaliação considera informações financeiras, o patrimônio e os objetivos de vida do cliente para orientar a definição das estratégias.

Segundo Mangueira, o planejamento financeiro ocupa posição central no modelo da companhia. Parte dos clientes utiliza esse serviço, mas mantém seus investimentos em outras assessorias, enquanto outros optam posteriormente pela assessoria da própria W1.

“A gente sempre trabalhou muito esse poder de escolha do cliente”, diz o CEO.

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Nesse modelo, a definição dos investimentos ocorre dentro de uma análise mais ampla da situação financeira e das metas do cliente.

A estrutura também conecta outras frentes do grupo, como seguros, previdência, planejamento sucessório e consultoria financeira para empresas.

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Tecnologia como ferramenta de expansão

Uma segunda mudança ocorreu a partir de 2021, quando Mangueira assumiu como CEO e colocou em prática um plano de expansão territorial acompanhado por investimentos em tecnologia.

Segundo o executivo, a intenção era ampliar a operação mantendo qualidade e padronização da entrega, além da segurança das informações dos clientes.

A W1 desenvolveu um software proprietário de planejamento financeiro.

Segundo Mangueira, a estrutura tecnológica evoluiu e passou a reunir também ferramentas para gestão de profissionais, clientes e da própria operação, além de um aplicativo integrado ao planejamento financeiro.

A plataforma permite integrar informações financeiras do cliente para apoiar a avaliação de patrimônio e objetivos. A tecnologia, porém, não substitui a atuação dos profissionais na estratégia descrita pelo executivo.

“Implementamos um novo plano estratégico de expansão territorial e investimento massivo em tecnologia para conseguir escalar o negócio com nível de entrega de alta qualidade, padronização de entrega, segurança da informação”, detalha o CEO.

Segundo Mangueira, os dados são combinados à avaliação da equipe para orientar o cliente sobre possíveis caminhos e estratégias para seus objetivos.

O movimento também acompanhou a criação de novas verticais.

Em 2022, a W1 abriu uma frente de consultoria patrimonial, incluindo planejamento sucessório e estratégias de proteção. No ano seguinte, avançou para a consultoria financeira empresarial voltada a pequenas e médias empresas.

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37 escritórios e R$ 3,5 bilhões sob custódia

A expansão territorial tornou-se outra frente da estratégia. Segundo Mangueira, a W1 chegou a 37 escritórios, cerca de 2 mil profissionais em seu ecossistema e R$ 3,5 bilhões sob custódia.

A pandemia abriu uma nova frente nesse processo. Com o recrutamento migrando para o ambiente digital, a companhia passou a prospectar profissionais em regiões nas quais ainda não tinha presença física.

“A gente começou a prospectar profissionais de forma virtual em várias cidades que a gente nunca tinha imaginado estar”, conta Mangueira.

Quando as restrições terminaram, algumas dessas operações ganharam estruturas presenciais. Segundo o CEO, a W1 decidiu abrir escritórios em algumas dessas praças após encontrar profissionais durante a expansão virtual.

A estratégia combina profissionais já formados dentro da companhia com talentos locais. Segundo o executivo, as principais praças são lideradas por profissionais com mais de três anos de W1.

Em operações novas e menores, a empresa também trabalha com lideranças em desenvolvimento, incluindo profissionais com cerca de um ano e meio a dois anos de casa.

No Nordeste, a W1 também passou a buscar profissionais externos que já atuavam no mercado financeiro ou tinham experiência na liderança de equipes maiores.

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Mais de 100 pessoas na área de formação

Se a abertura de novas unidades amplia a presença da empresa, a formação de profissionais é apontada por Mangueira como uma das ferramentas usadas para manter a metodologia da operação.

Segundo o CEO, mais de 100 pessoas trabalham com atividades de treinamento, envolvendo lideranças comerciais e equipes internas de suporte. O programa inclui módulos com conteúdos específicos, etapas teóricas e práticas e certificações internas.

“A empresa inteira respira isso”, destaca o executivo.

A estrutura continua em desenvolvimento.

A W1 conta com uma plataforma virtual de formação e começou a testar a incorporação de inteligência artificial à ferramenta. A companhia também criou uma área dedicada ao onboarding de novos profissionais, segundo Mangueira.

Para o CEO, crescimento e qualidade estão relacionados. “Crescimento nada mais é do que você fazer o que você precisa fazer com qualidade”, assegura.

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Experiência fora do mercado financeiro

Antes de chegar à W1, a rota profissional do CEO passou por caminhos distintos.

Mangueira começou a carreira em M&A e operações estruturadas. Depois, seguiu para uma empresa familiar fundada pelo avô, no setor de logística e fora do mercado financeiro.

Foi nessa operação que o executivo ganhou experiência em liderança e gestão em grande escala.

Mangueira chegou a administrar uma estrutura de cerca de 2 mil funcionários e participou da mobilização de projetos que exigiam colocar entre 300 e 500 máquinas e de 400 a 600 pessoas em operação em aproximadamente seis meses.

A experiência ajudou a dar rumo à forma como Mangueira passou a conduzir a expansão da W1. O maquinário ficou para trás, mas conceitos como mobilização, escala e coordenação de equipes continuaram a bordo.

Em entrevista ao InfoMoney, o executivo mostra que não deixou todo o vocabulário da logística para trás.

Ao falar sobre a expansão da W1, entram em cena termos como “navio”, “naufragar”, “navegar”, “tracionar” e “expedições”, que remetem à experiência acumulada antes de Mangueira assumir o comando da companhia.

Na avaliação do CEO, colocar um novo escritório em operação é uma tarefa menos complexa do que articular os projetos que administrava anteriormente.

“Para se mobilizar um escritório é muito mais simples. Então, a gente conseguiu tracionar essa mobilização de escritórios de uma forma bem rápida”, explica Mangueira.

Na W1, o executivo também passou a transitar entre profissionais com diferentes especialidades.

“Você tem que conectar pessoas com perfis diferentes”, explica Mangueira. “Não adianta você ter todo mundo igual.”

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Navegação por mares desconhecidos

Mangueira se define como um gestor generalista e afirma que essa característica permite observar a operação de maneira sistêmica e conectar especialistas de diferentes áreas.

Essa combinação também aparece na estratégia para desbravar novas praças.

Ao explicar como a companhia testa lideranças e entra em mercados ainda pouco conhecidos, Mangueira recorre novamente às referências de navegação.

“Você vai crescendo, você vai virando um navio”, exemplifica o CEO. “Então você tem que ter várias lanchinhas e jet skis para você ir soltando, que, se naufragarem, o prejuízo é pequeno. E dá tempo de você corrigir rápido.”

A mesma linguagem aparece quando o assunto é expansão territorial. Para entrar em novas regiões, o CEO destaca a importância de contar com profissionais locais que saibam navegar naquela realidade.

Em outra passagem, Mangueira define algumas dessas incursões como “expedições em praças desconhecidas”.

A metáfora ajuda a traduzir seu modelo de gestão: enquanto o navio ganha escala, operações menores exploram novas rotas e testam lideranças.

Algumas avançam; outras podem “naufragar” com impacto mais limitado, na comparação feita pelo próprio executivo. O objetivo é manter a companhia em movimento — no rumo traçado — sem concentrar todas as apostas em uma única frente.

Nessa lógica, a W1 — com seus números, projetos e planos de investimentos — assemelha-se a um transatlântico avançando com velocidade pelos agitados mares do mercado financeiro.

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R$ 100 milhões investidos em 5 anos

A conquista do primeiro lugar ocorreu em meio aos planos de expansão da empresa. A partir de 2027, a W1 pretende direcionar também para a assessoria de investimentos parte da estrutura de formação que já utiliza em planejamento financeiro.

A meta anunciada por Mangueira é formar 3 mil assessores nos próximos cinco anos. No mesmo horizonte, a companhia tem um pipeline para abrir mais de 100 escritórios.

A W1 também já iniciou um programa específico de formação de lideranças. Segundo o CEO, a iniciativa já está em execução, parte dela é conduzida pelo fundador da empresa e há um treinamento semanal sobre liderança.

A tecnologia continuará entre as frentes previstas para investimento. Mangueira afirma que a companhia investiu cerca de R$ 100 milhões nos últimos cinco anos, considerando tecnologia, estrutura física e outros investimentos.

Para os próximos sete anos, a projeção apresentada pelo executivo é de aproximadamente R$ 1 bilhão em investimentos.

Segundo Mangueira, o desafio da W1 durante a expansão é crescer com qualidade e formar lideranças capazes de acompanhar esse processo.

“Essas são as nossas alavancas de crescimento: formar pessoas, abrir escritórios”, sentencia o CEO. “O desafio sempre foi crescer com qualidade, com líderes fortes.”

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Formado em Jornalismo pela UFSM, Marcelo Monteiro atua há mais de 30 anos na imprensa. Trabalhou em veículos como Zero Hora, Correio Braziliense, Gazeta Mercantil, Hoje em Dia e Diário Catarinense. É autor dos livros "U-507" (2012) e "U-93" (2014) e dirigiu os documentários "Delírios" (2021) e "Além do Limite" (2022).