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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central define nesta quarta-feira (16) o novo patamar da taxa básica de juros da economia nacional, a Selic, atualmente em 14% ao ano. Apesar dos recentes cortes, o nível ainda está entre os mais altos observados nas últimas décadas, encarecendo o chamado custo de capital.
“Esse é um grande problema que o varejo está enfrentando”, confirma Marcos Atchabaian, sócio da Village Materiais de Construção, empresa com 46 anos de história. “Você tem que financiar a venda e não tem a contrapartida com os seus fornecedores. Muitas vezes é preciso recorrer aos bancos, caindo nos juros elevados e, se você não tiver um controle absolutamente rigoroso do seu fluxo de caixa, terá um problema sério”, afirmou o empresário durante o Summit Americas e ExpoShow, evento internacional realizado pela Atlas, no Panamá.
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A cadeia produtiva de materiais de construção brasileira responde por aproximadamente 6,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Apenas o ecossistema varejista, com mais de 160 mil lojas espalhadas pelo país, movimenta R$ 238,9 bilhões, segundo dados da Anamaco, associação que representa o setor.
Para manter esses números em um cenário ainda marcado pelo endividamento da população, que pode levar à redução das vendas, como destaca Atchabaian, o mercado aposta em uma característica que diferencia o segmento de materiais de construção dos demais: a resiliência.
- Demanda permanente
- Varejo de materiais de construção em 2026
- Novo perfil de consumidor vai além do Zap
- Mais sobre o Summit Americas e ExpoShow
Demanda permanente
Para Atchabaian, o segmento de materiais de construção não envolve vaidade. Uma pessoa, exemplifica, pode deixar para comprar um sofá novo em um momento mais propício. No caso da construção e, principalmente, da manutenção da casa, a dinâmica é diferente.
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“Se o consumidor não comprar o material de construção, a casa dele não anda”, observa o empresário. “É uma demanda permanente. Pode ser maior, pode ser menor, mas não para. Você tem a necessidade de quem está construindo, de quem está reformando e também da manutenção das casas”, pontua.
Apesar dessa característica, que consegue atenuar os reflexos de um cenário de juros elevados, o sócio da Village considera fundamental a manutenção da tendência de queda da Selic como forma de destravar valor para todo o segmento de varejo. Além disso, ele vê na reforma tributária um gatilho para melhorar a gestão dos negócios no país.
“Porque hoje nós vivemos em um sistema tributário que é absolutamente anacrônico, não funciona”, reclama. “Empresas de fora, principalmente, vêm tentar entender o sistema tributário brasileiro e desistem porque ele é anacrônico, disfuncional, complicado e burocrático”, complementa.
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Varejo de materiais de construção em 2026
O primeiro semestre de 2026 foi marcado por estabilidade para cerca de metade do varejo de materiais de construção. Segundo dados da Anamaco, 51% das lojas entrevistadas perceberam que o faturamento ficou próximo ao registrado no mesmo período de 2025. Para 29%, o resultado foi pior; para 20%, foi melhor.
Entre os varejistas que perceberam piora, o cenário econômico foi a razão mais citada, com 46%, seguido por medidas políticas, com 42%, custos, com 17%, concorrência, com 9%, e eventos específicos, com 7%.
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Entre as lojas que perceberam melhora no faturamento, as ações realizadas pelo próprio negócio lideraram as justificativas, com 29% das respostas. Na sequência, aparecem o aumento do número de obras, reformas e construções, com 25%, e a política de preços, com 19%.
A mudança no comportamento do consumidor também segue transformando a operação das lojas. A Pesquisa Anamaco 2026, realizada com 2.007 varejistas das cinco regiões do país, indicou, por exemplo, que quase a totalidade das lojas atende clientes pelo WhatsApp.
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Novo perfil de consumidor vai além do Zap
O desenvolvimento de novas tecnologias, que permite ao consumidor ter maior acesso a informações antes mesmo da realização da compra, tem beneficiado o varejo de forma geral — e não seria diferente no mercado de materiais de construção.
Priscila Freitas, gerente de marketing da Marluvas, empresa especializada em equipamentos profissionais, chama a atenção para o fato de que o consumidor está cada vez mais atento a aspectos como o custo-benefício, estimulando o constante desenvolvimento das companhias do setor, que naturalmente investem mais em tecnologia e em produtos voltados para o longo prazo.
“Se eu vou à loja e vejo um produto que custa R$ 28 e vai durar seis meses e o outro custa R$ 50, mas vai durar dois anos, uma conta de longo prazo mostra que vale mais a pena pagar o dobro para ter um custo-benefício maior”, calcula.
Para a executiva, que também participa do Summit Americas e ExpoShow, a conscientização e o novo perfil do consumidor ajudam a melhorar o posicionamento do segmento de materiais de construção no Brasil e a fortalecer o setor, com fabricantes que oferecem qualidade e desempenho.
Mais sobre o Summit Americas e ExpoShow
O Summit Americas e ExpoShow, que vai até quinta-feira (17), no Panamá, reúne mais de 600 empresários do setor de material de construção de 28 países, entre CEO’s, diretores, importadores, distribuidores, grandes varejistas e altos executivos de grandes marcas da indústria fornecedora do segmento de materiais de construção.
Desenvolvido para conectar os grandes players da indústria aos principais distribuidores, importadores e redes varejistas aos grandes distribuidores e redes varejistas, o encontro promete debates estratégicos para a alta liderança e geração imediata de negócios.
“Criamos um ambiente em que a alta gestão encontra conteúdo estratégico altamente qualificado e atualizado para a tomada de decisões de longo prazo e, no mesmo espaço, mesas de negociação direta entre indústrias líderes fornecedoras e importantes players de importação, distribuição e varejo do segmento de materiais de construção em todo o continente” destaca Márcio Atz, diretor-geral da Atlas, organizadora do evento.
As conferências do Summit Americas contam com a curadoria acadêmica do ISE Business School – associado à IESE Business School, a terceira melhor escola de negócios do mundo no ranking do Financial Times. Em formato de debates, os painéis vão focar nos principais desafios transnacionais do setor, com os seguintes temas:
- Estratégias de varejo: Escalabilidade, defesa de margem e diferenciação no ambiente omnicanal;
- Transformação digital & IA: Aplicação prática de inteligência artificial e automação na cadeia de suprimentos;
- Gestão de talentos: Cultura corporativa e atração de novas lideranças em mercados competitivos;
- Governança familiar: Profissionalização, perpetuidade do negócio e transição geracional.
* O repórter Wellington Carvalho viajou para o evento Summit Américas a convite dos organizadores.