CBIC leva alta dos custos do Minha Casa Minha Vida ao governo federal

Entidade afirma que avanço dos custos da construção ameaça a viabilidade econômica de empreendimentos da faixa FAR e discute o tema com a Casa Civil

Construção de habitações populares do programa "Minha Casa Minha Vida" em Olinda (PE) - 
07/05/2010
(Foto: REUTERS/Bruno Domingos)
Construção de habitações populares do programa "Minha Casa Minha Vida" em Olinda (PE) - 07/05/2010 (Foto: REUTERS/Bruno Domingos)

A alta dos custos da construção civil acima da inflação levou a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) a abrir conversas com o governo federal sobre contratos do Minha Casa Minha Vida (MCMV), especialmente os da modalidade FAR (Fundo de Arrendamento Residencial), voltado às famílias de menor renda.

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Durante a apresentação dos dados do setor referentes ao segundo trimestre, ocorrida na manhã desta quinta-feira (12), o presidente da CBIC, Eduardo Almeida, afirmou que a principal preocupação da entidade é o descompasso entre o aumento dos custos dos materiais de construção e os preços fixados nos contratos habitacionais.

“Estamos em conversa com a Casa Civil. Os dados embasam claramente, com muito mais capilaridade que o INCC, como tem se comportado o custo dos materiais, bem acima da inflação”, disse.

Segundo Almeida, a escalada dos custos ganhou força após os conflitos geopolíticos internacionais e continua pressionando o setor.

“Isso tem preocupado muito o setor, principalmente no que se refere ao programa Minha Casa Minha Vida, modalidade FAR. Qual é a nossa preocupação? O preço do contrato é fixo, sem reajuste. Esse aumento de material iniciou muito fortemente após o início da guerra [no Oriente Médio] e tem permanecido em alta. Nossa preocupação é que os novos contratos não sejam mais atrativos e as pessoas que necessitam da moradia, as mais carentes, não possam tê-la. E também os contratos em andamento”, afirmou.

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A avaliação da CBIC é que o atual cenário pode acabar pressionando a rentabilidade das construtoras e reduzindo o interesse por novos empreendimentos voltados à faixa de menor renda caso não haja mecanismos capazes de absorver parte da alta dos custos.

Custos avançam acima da inflação

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), acumulou alta de 6,44% nos 12 meses encerrados em julho, acima da inflação oficial de 4,44% medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Já o Custo Unitário Básico (CUB Brasil), indicador calculado pela própria CBIC a partir dos dados estaduais, avançou 7,06% em 12 meses até junho.

A pressão vem tanto da mão de obra quanto dos materiais. Segundo a entidade, o custo dos materiais aumentou 7,92% no período analisado pelo CUB Brasil, enquanto a mão de obra registrou alta de 6,33%.

Pela primeira vez, a CBIC também divulgou um levantamento nacional sobre a variação dos principais insumos da construção. O destaque ficou para o fio de cobre, cujo preço médio subiu 21,35% em 12 meses. Outros produtos, como cimento, esquadrias, vidros e portas, registraram aumentos superiores à inflação.

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Energia e petróleo entram na conta

Na avaliação da entidade, parte relevante dessa pressão está ligada ao aumento dos custos de energia sobre a cadeia produtiva. Ao comentar o encarecimento dos insumos, Aroeira destacou que muitos dos materiais utilizados pela construção dependem de processos industriais intensivos em energia. “São geralmente insumos que dependem muito de energia”, afirmou.

“Teve também o conflito do Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo, influenciando também o aumento dos insumos no setor”, complementou Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC.

Segundo a CBIC, a trajetória dos custos permanece em alta, mesmo em um cenário doméstico de desaceleração da inflação ao consumidor.

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Maria Luiza Dourado
Minhas Finanças | Carreira | Consumo

Repórter de Finanças do InfoMoney. É formada pela Cásper Líbero e possui especialização em Economia pela Fipe - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.