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O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega ao primeiro ato da campanha, neste domingo (16), com uma vantagem numérica nas pesquisas eleitorais frente a seu principal oponente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP).
Para além do eleitorado, o presidente também conseguiu montar uma rede de palanques competitivos nos Estados e atrair apoios de partidos fora daqueles que integram formalmente sua coligação, fator fundamental para garantir a governabilidade caso consiga ser eleito para seu 4º mandato.
A largada, porém, ocorre em um momento de maior pressão sobre o governo. A aprovação de Lula permanece em patamar apertado, enquanto investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a crise relacionada a seu ex-assessor Marco Aurélio , conhecido como Marcola, colocaram temas defensivos na agenda da campanha.
Frente a tudo isso, Lula fará seu primeiro evento oficial de campanha no estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo. O local foi escolhido pela ligação com sua trajetória sindical e deverá servir de cenário para a apresentação das principais mensagens da candidatura.
O presidente deve chegar ao ato tentando concentrar o discurso nas entregas da gestão e na situação econômica. Ao mesmo tempo, a campanha terá de administrar assuntos que oferecem à oposição espaço para deslocar o debate para integridade do governo e relações de pessoas próximas a Lula.

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Vantagem sobre Flávio
A CNT/MDA divulgada nesta terça-feira (11) colocou Lula com 42,4% das intenções de voto no primeiro turno. Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 28,7%. A diferença entre ambos ficou em 13,7 pontos percentuais, próxima dos 14 pontos registrados pelo instituto em junho.
Em uma disputa direta em um eventual segundo turno, Lula registra 48% das intenções de voto, contra 39,1% de Flávio.
A Genial/Quaest da semana passada registrou uma distância menor. O presidente tinha 39% no primeiro turno e Flávio, 30%. No segundo turno, eram 44% para Lula e 39% para o senador.
Os números colocam o petista na dianteira, mas também mostram Flávio já consolidado como seu principal adversário. Os demais nomes permanecem distantes dos dois primeiros colocados.
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A campanha presidencial começa, portanto, com uma polarização bastante definida. Lula tem vantagem, mas ainda precisa ampliar sua votação para chegar a uma posição mais confortável em um eventual segundo turno.
Avaliação do governo
A principal dificuldade estrutural de Lula está na avaliação da própria administração. As pesquisas realizadas ao longo do ano mostraram períodos em que a desaprovação superou a aprovação. Houve recuperação nos levantamentos mais recentes, mas o governo ainda chega ao início da campanha com o eleitorado dividido sobre sua gestão.
Essa diferença é importante para um candidato à reeleição, principalmente quando se considera que uma disputa eleitoral para o incumbente tem o peso de plebiscito de sua gestão.
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Lula entra nessa disputa com acesso às realizações do governo como argumento eleitoral, mas também responde diretamente por problemas percebidos pelos eleitores na economia, nos serviços públicos e na condução política do país.
O desempenho da atividade econômica, emprego, renda e principalmente o custo de vida deverão ter peso na tentativa de ampliar a aprovação ao longo da campanha.
A situação também torna mais importante o eleitor independente. Esse grupo é menos fiel aos dois polos políticos e, segundo a Quaest, tende a tomar sua decisão mais tarde do que lulistas e bolsonaristas.
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Novo foco de desgaste
Outro problema surgiu com os inquéritos abertos para investigar Fábio Luís Lula da Silva. As apurações envolvendo o filho do presidente colocam uma questão familiar diretamente no ambiente eleitoral. Lula tem sinalizado que não pretende interferir no trabalho das autoridades, e aliados passaram a defender publicamente que os casos sejam esclarecidos.
Para a campanha, o risco está na capacidade de Flávio Bolsonaro e seus aliados de transformar as investigações em tema permanente da disputa.
Na mesma semana em que o Supremo Tribunal Federal autorizou a abertura de três inquéritos contra o filho do presidente, o episódio envolvendo Marco Aurélio Marcola acrescentou outra frente de desgaste às vésperas do início oficial da campanha.
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Ligado ao núcleo mais próximo de Lula, Marcola tornou-se alvo de questionamentos após surgirem informações sobre movimentações financeiras envolvendo uma empresária investigada no esquema de fraude do INSS.
O caso ganhou relevância política justamente pela proximidade dele com o presidente e pela expectativa de participação na estrutura eleitoral. O episódio oferece à oposição mais um argumento para associar a campanha a personagens envolvidos em investigações e obriga o grupo de Lula a responder sobre assuntos fora da agenda que pretendia priorizar na largada.
Principais ativos de Lula
O PT construiu uma estratégia eleitoral que combina candidaturas próprias com apoios a aliados de outras siglas. A decisão permitiu evitar disputas internas em Estados onde outro nome poderia oferecer um palanque mais competitivo.
No Rio de Janeiro, Lula estará ligado à candidatura de Eduardo Paes (PSD), que lidera as pesquisas estaduais. No Rio Grande do Sul, o PT abriu espaço para Juliana Brizola (PDT). No Paraná, a aliança foi construída em torno de Requião Filho (PDT).
Em Minas Gerais, Patrus Ananias será o candidato petista em um cenário no qual a direita começa a eleição dividida entre diferentes projetos estaduais.
São Paulo é a principal exceção. Tarcísio de Freitas (Republicanos) chega competitivo à tentativa de reeleição e declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Fernando Haddad, candidato do PT, aparece atrás do governador nas primeiras pesquisas desta fase da campanha.
Para Lula, reduzir a desvantagem paulista e ampliar sua votação em Minas e no Rio será fundamental para complementar a vantagem histórica do PT no Nordeste.