China defende “não interferência” após EUA classificar PCC e CV como terroristas

Em nota, o governo chinês manteve a posição sugerindo que o presidente americano não interfira em assuntos internos de outros países

Caio César

O presidente dos EUA, Donald Trump, participa de uma cerimônia de boas-vindas com o presidente chinês, Xi Jinping, no Grande Salão do Povo, em Pequim, China, em 14 de maio de 2026. REUTERS/Evan Vucci – TPX IMAGES OF THE DAY.
O presidente dos EUA, Donald Trump, participa de uma cerimônia de boas-vindas com o presidente chinês, Xi Jinping, no Grande Salão do Povo, em Pequim, China, em 14 de maio de 2026. REUTERS/Evan Vucci – TPX IMAGES OF THE DAY.

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O governo da China afirmou que o país defende que os Estados Unidos não interfiram em assuntos internos de outras nações, como na decisão de designar as organizações criminosas PCC e Comando Vermelho como terroristas. O anúncio ocorreu por meio da declaração do porta-voz Mao Ning, nesta sexta-feira (29).

“A China sempre defende a não intervenção em assuntos internos de outros países”, destaca trecho.

Na quinta-feira (28), o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou ambas as organizações como Terroristas Globais Especialmente Designados e anunciou que pretende incluí-las na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou barrar as designações, com a preocupação de que elas abrissem margem para uma eventual ação militar dos EUA em território brasileiro, como ocorreu na Venezuela com a captura do ex-presidente Nicolás Maduro.

A decisão ocorreu na mesma semana em que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou aos EUA e se reuniu com o presidente americano para falar, entre outros temas, sobre um possível auxílio no combate ao crime organizado e solicitar a inclusão de ambas as facções na lista internacional de terroristas dos EUA.

O anúncio de Trump deve impactar o cenário político brasileiro até as eleições de outubro. Com a violência urbana e a segurança pública no centro das preocupações dos eleitores, o tema deve ganhar destaque nos debates eleitorais e ser explorado tanto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto pela oposição.

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Resposta do governo

Apesar de não ter definido detalhes sobre uma reação à decisão dos Estados Unidos, a expectativa é que o governo Lula volte a destacar a importância da soberania nacional nas decisões de segurança pública ao tratar do tema.

A resposta deve ter um tom semelhante ao adotado pelo Palácio do Planalto quando Donald Trump aumentou as tarifas impostas aos produtos brasileiros, mas sem medidas de reciprocidade ou adoção de medidas contra o país.