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O Bitcoin (BTC) começou 2023 dando esperança ao investidor que acumulou perdas no ano passado, e registrou forte alta nos três primeiros meses. O movimento, porém, perdeu ímpeto em abril e, em maio, virou para queda.
A criptomoeda caminha para fechar o mês com recuo de 7,5%, o pior resultado desde novembro de 2022, quando a exchange FTX faliu e abalou o mercado de ativos digitais, fazendo o BTC perder mais de 16%.
Para analistas, no entanto, a perda mensal não mina a tese de recuperação da moeda digital ao longo deste ano.
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Para Antonio Bertuccio, head de estratégias cripto da gestora de investimentos quantitativos iVi Technologies, o movimento é uma fase de lateralização já esperada, e que resulta em uma diminuição da correlação com ativos tradicionais — algo que, no fim das contas, é bem visto por investidores que buscam no BTC uma oportunidade de diversificação de patrimônio.
Uma nova alta, no entanto, ainda pode levar alguns meses. Com a proximidade do verão no Hemisfério Norte e a tradicional fuga dos investidores dos mercados de renda variável, especialistas em cripto esperam a continuidade da retomada apenas no segundo semestre.
“O mercado já está precificando uma queda na taxa de juros até o Q4 (quarto trimestre) deste ano, e quando isso acontece, o Bitcoin tende a se recuperar mais rápido do que as ações”, avalia Samir Kerbage, sócio da gestora Hashdex, em relatório.
“Isso se deve ao size premium (ou seja, o Bitcoin é muito pequeno em relação aos mercados de ações) e ao fato de que a recuperação econômica leva mais tempo para se refletir nos balanços corporativos”.
A perspectiva positiva, diz Kerbage, também se deve à busca contínua de oportunidades de investimento alternativas que oferecem melhores retornos e menores correlações com investimentos tradicionais.
“O Bitcoin, sendo o primeiro ativo digital descentralizado e imutável do mundo com oferta fixa, oferece uma alternativa atraente a muitas alternativas tradicionais, tornando-se uma opção viável para investidores em busca de retornos mais elevados”.
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Das criptomoedas mais valiosas do mundo, o BTC só perdeu para a BNB. Já Ethereum (ETH) perdeu apenas 1,3%, Cardano (ADA) cedeu 5% e a XRP (XRP) subiu 9,5% após investidores ficarem mais otimistas com uma vitória da Ripple, criadora e emissora do ativo, em uma batalha judicial travada nos EUA contra a Comissão de Valores Mobiliários do país.
Confira o desempenho das principais criptomoedas em maio (até às 18h do dia 31):
| Criptomoeda | Preço | Variação |
| Bitcoin (BTC) | US$ 28.108 | -7,50% |
| Ethereum (ETH) | US$ 1.867 | -1,30% |
| Binance Coin (BNB) | US$ 306 | -8,60% |
| XRP (XRP) | US$ 0,5161 | +9,50% |
| Cardano (ADA) | US$ 0,3766 | -5,10% |
Maiores altas de maio
Mesmo com a queda do Bitcoin, algumas altcoins (criptomoedas alternativas) registraram ganhos em maio. A campeã foi a Pepe Coin (PEPE), que acumulou alta de cerca de 96%, mesmo após queda forte em relação à máxima atingida nos primeiros dias do mês — na primeira semana, a memecoin chegou a acumular alta de 50.000 vezes.
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Na sequência aparece a Kava (KAVA), uma plataforma focada em facilitar a comunicação entre diferentes redes blockchains, que subiu 33% no último mês, em meio a uma crescente aceitação de stablecoins alternativas por investidores.
Max Krupyshev, CEO e cofundador da CoinsPaid, ressalta que o colapso da FTX ainda reverbera entre os investidores, que passaram a temer ainda mais a volatilidade das criptomoedas. Diante desse cenário, o segmento de stablecoins começou a ser considerado mais vantajoso, por oferecer exposição a dólar e não carregar o risco da variação de preço.
“Isso explica a queda da capitalização de mercado total do mercado de criptomoedas em cerca de 65% desde o mesmo período do ano passado — há simplesmente uma queda na demanda por ativos mais arriscados na blockchain”, explica.
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- Assista: O que foi o fenômeno Pepe Coin? Memes, suspeita de golpe e milhões de dólares que evaporaram
Outros ativos que se destacaram no mês incluem o Tron (TRX), que vinha de forte baixa após rumores a respeito da suposta insolvência do seu controlador, o empresário Justin Sun.
Já o Render (RNDR) foi outro destaque, principalmente após arrancada na última semana na esteira de um maior otimismo com plataformas de Inteligência Artificial (IA) após a disparada das ações da Nvidia, já que o token alimenta um marketplace de computação para IA. TRX e RNDR subiram na casa de 12% em maio.
As criptomoedas com as maiores altas de maio(até às 18h do dia 31):
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| Criptomoeda | Fechamento do mês | Variação |
| Pepe Coin (PEPE) | US$ 0,000001226 | +96,50% |
| Kava (KAVA) | US$ 1,03 | +33,00% |
| Tron (TRX) | US$ 0,07599 | +12,60% |
| Render (RNDR) | US$ 2,50 | +12,50% |
| XRP (XRP) | US$ 0,5161 | +9,50% |
Maiores quedas de maio
O pior resultado de maio ficou com a Sui (SUI), criptomoeda novata que chamou atenção no lançamento com distribuição gratuita (airdrop), mas decepcionou no mercado após forte venda por parte dos recebedores e de investidores iniciais. O token acumulou perda de 78% no período.
Outros que caíram no mês foram a PancakeSwap (CAKE), que especialistas apontam que vem ficando para trás no segmento de finanças descentralizadas (DeFi), e a Optimism (OP), que não conseguiu atrair tantos usuários quanto a Arbitrum (ARB) para processamento de transações mais baratas na rede Ethereum.
Completam a lista a Fantom (FTM), que ameaçou “reviver” após a volta do seu criador, o desenvolvedor Andre Cronje; e a Flare (FLR), token que prometia levar contratos inteligentes (smart contracts) para a XRP, mas que perdeu apelo após a criptomoeda da Ripple prometer funções nativas semelhantes.
As criptomoedas com as maiores baixas de maio (até às 18h do dia 31):

