Quais FIIs pagaram mais dividendos em 2022? 19 renderam mais que a Selic, com retorno de até 19%

O RZAK11 é o destaque do ano com uma taxa de retorno com dividendos de 18,95%; o fundo também lidera a lista dos maiores pagadores de dezembro

Wellington Carvalho

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O Riza Akin (RZAK11) fechará 2022 como o maior pagador de rendimentos entre os principais FIIs da Bolsa. Em um ano marcado pela deflação – que reduziu os rendimentos de parte dos fundos – e por questionamentos sobre a distribuição dos proventos dos fundos imobiliários, a carteira ostenta um retorno com dividendos (dividend yield) de quase 19% no período.

O número faz parte de levantamento do InfoMoney com dados da Economatica, plataforma de informações financeiras. O estudo toma como base os 107 fundos imobiliários que compõem o Ifix – índice dos FIIs mais negociados na B3.

Isento de Imposto de Renda e geralmente depositado todo mês na conta do cotista, o dividendo dos FIIs é um dos principais atrativos do produto, especialmente para os investidores que buscam a geração de renda passiva – aquela obtida sem o empenho de esforço.

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Em 2022, 19 fundos imobiliários apresentaram dividend yield acima da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 13,75% ao ano. O indicador é referência para os rendimentos das aplicações de renda fixa.

Entre os destaques do ano, está exatamente o Riza Akin (RZAK11), com uma taxa de retorno com dividendos de 18,95%. Na sequência, aparecem o NCH High Yield (NCHB11), Ourinvest JPP (OUJP11) e o Urca Prime Renda (URPR11) – que foi o maior pagador no ano passado.

Confira a lista completa:

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Ticker Fundo  Segmento Dividend Yield em 2022 (%)
RZAK11 Riza Akin Títulos e Val. Mob. 18,95
NCHB11 NCH High Yield Títulos e Val. Mob. 17,23
OUJP11 Ourinvest JPP Títulos e Val. Mob. 16,42
URPR11 Urca Prime Renda Títulos e Val. Mob. 16,41
ARRI11 Átrio Reit Recebíveis Títulos e Val. Mob. 16,40
CACR11 Cartesia Recebíveis Imobiliários Títulos e Val. Mob. 16,24
VGHF11 Valora Hedge Fund Títulos e Val. Mob. 15,89
PORD11 Polo Recebíveis Títulos e Val. Mob. 15,56
AFHI11 AF Invest Cri Títulos e Val. Mob. 15,03
ARCT11 Riza Arctium Real Estate Híbrido 15,02
RZTR11 Riza Terrax Híbrido 14,92
VGIR11 Valora RE Títulos e Val. Mob. 14,80
SNCI11 Suno Recebíveis Títulos e Val. Mob. 14,53
TGAR11 TG Ativo Real Desenvolvimento 14,36
PLCR11 Plural Recebíveis Imobiliários Híbrido 14,25
BCRI11 Banestes Títulos e Val. Mob. 14,15
VSLH11 Versalhes Recebíveis Imobiliários Títulos e Val. Mob. 13,99
BARI11 Barigui Títulos e Val. Mob. 13,90
RBRY11 RBR CRI Títulos e Val. Mob. 13,77

Fonte: Economatica

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Dividendos fizeram a diferença no retorno dos FIIs em 2022

Se o resultado do Ifix – que ainda tenta evitar o terceiro ano seguido no campo negativo – está longe de empolgar, operacionalmente os fundos imobiliários não decepcionaram, afirma Caio Araújo, especialista de fundos imobiliários da Empiricus.

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“Vimos os FIIs de shopping recuperando muito forte as vendas e retomando patamares pré-pandemia da Covid-19”, pontua. “Os FIIs de logística também apresentam crescimento dos rendimentos e, de certa forma, a geração de dividendos dos fundos imobiliários em geral foi satisfatória”.

Araújo lembra que até os fundos de “papel”, afetados pela deflação no terceiro trimestre, encerram o ano com um dividend yield acima dos dois dígitos.

Essa classe de fundo investe em títulos de renda fixa como os certificados de recebíveis imobiliários (CRIs), espécie de pacote de receitas futuras das empresas do setor imobiliário – como aluguéis ou parcelas pela venda de apartamentos, por exemplo – vendido aos investidores. Em geral, o papel embute um rendimento prefixado e a correção monetária por um indicador, que normalmente é a taxa do CDI (certificado de depósito interbancário) ou o IPCA.

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Por essa característica, a rentabilidade dos FIIs de “papel” acompanhou a elevação dos preços e dos juros no País nos últimos anos, e os fundos chegaram a ostentar valorização de quase 30% em 12 meses. Com a chegada da deflação, o cenário mudou e muitos tiveram de reduzir a distribuição de dividendos.

Assim como os rendimentos dos CRIs comprados pelos FIIs de “papel” são reajustados para cima quando o indicador aponta avanço nos preços, também são revisados para baixo quando o contrário acontece. Foi o que ocorreu no segundo trimestre de 2022.

Mesmo tendo de reduzir os dividendos por causa da deflação ao longo do ano, os fundos de “papel” terminam 2022 com um dividend yield médio na casa dos 13%, de acordo com relatório da Eleven, que detalha a taxa de retorno com dividendos de cada segmento e o P/VPA (preço sobre valor patrimonial) médio de cada setor. Quanto mais próximo de 1 é o P/VPA, mas perto o fundo está do valor justo. Acima deste nível a carteira está sendo negociado com ágio e, abaixo, com desconto.

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Os fundos híbridos – que investem em mais de uma classe de ativo – e os de incorporação (desenvolvimento) tiveram os maiores dividend yields entre os principais segmentos dos FIIs, acima dos 14%. Já o segmento de lajes corporativas (escritórios) segue como o mais descontado, sendo negociado por 66% do valor patrimonial.

Dividend Yield e P/VPA dos principais segmentos dos FIIs

Marcos Baroni, head de pesquisas sobre fundos imobiliários da Suno Research, vai na mesma linha de Araújo e destaca o papel dos dividendos no desempenho dos FIIs, especialmente em um ano como o de 2022.

“Em um ano complicado para todos os ativos, os fundos imobiliários mostraram resiliência e encerram o período com pequena queda, quase no zero a zero”, reflete. “E boa parte deste desempenho devemos atribuir aos dividendos pagos pelas carteiras, que compensaram eventual desvalorização na cota”.

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Desafios além do cenário macroeconômico

Em 2022, além da influência dos fatores macroeconômicos, a distribuição dos dividendos de fundos imobiliários também foi questionada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), episódio que trouxe bastante preocupação para o segmento.

Com base nas demonstrações financeiras do Maxi Renda (MXRF11), o colegiado da CVM alterou o entendimento sobre o repasse dos rendimentos feito pelos fundos aos cotistas.

Para os dirigentes da autarquia, um fundo imobiliário não poderia distribuir mais dividendos do que o lucro contábil acumulado pela carteira. Em caso de prejuízo, o rendimento deveria ser suspenso ou repassado em forma de amortização, ou seja, devolução de patrimônio.

Ainda em janeiro deste ano, a CVM reforçou o posicionamento e avisou que o parecer poderia se estender a outros fundos em situação semelhante à do Maxi Renda, que negava irregularidades, mas encerraria aquela semana com baixa acumulada de 9,5%.

O novo entendimento poderia inviabilizar o repasse mensal de dividendos de alguns fundos, como os FoFs – fundos que investem em cotas de outros FIIs. Como o patrimônio das carteiras oscila de acordo com a cotações do mercado, em um período de baixa, não haveria distribuição dos rendimentos já que, na teoria, essa classe de fundo estaria no prejuízo – abaixo do valor patrimonial.

O impasse durou cerca de quatro meses, quando a CVM reconsiderou a decisão e reconheceu a legalidade da distribuição dos dividendos do MXRF11 e dos demais FIIs do mercado.

“O caso Maxi Renda foi importante porque o setor se uniu, contratou pareceres de especialistas [comprovando que os FIIs estavam seguindo a lei] e a CVM teve a sensatez de reavaliar a decisão”, reflete André Freitas, CEO da Hedge Investiments. “Foi tudo debatido de forma democrática como as questões de regulação devem ser discutidas”, avalia o gestor, que se refere ao caso como positivo tanto para o avanço do mercado de FIIs como para o alinhamento do segmento com as autoridades reguladoras.

FIIs que mais pagaram dividendos em dezembro

O Riza Akin (RZAK11) não só é o maior pagador de dividendos de 2022 como também encerrará dezembro com o maior dividend yield do mês: 1,54%.

Todas as carteiras já anunciaram as distribuições de dividendos previstas para o último mês do ano. A última foi o BTG Pactual Terras Agrícolas ([ativo=BTRA11), que pagará R$ 0,85 por cota, montante que equivale a um dividend yield de 0,99%.

Dos 107 fundos monitorados pelo InfoMoney, 37 tiveram em dezembro taxa de retorno com dividendos acima de 1% no mês. O número é superior aos 25 de novembro e aos 32 de outubro.

No último dia 21, o Riza Akin (RZAK11) pagou R$ 1,50 por cota, valor que representa exatamente um dividend yield de1,54%. O percentual superou inclusive o do Suno FoF (SNFF11), que chegou a duplicar o dividendo distribuído este mês, mas ficou na segunda posição na lista dos maiores pagadores. Confira a relação:

Ticker Fundo  Segmento Dividend Yield – dezembro (%)
RZAK11 Riza Akin Títulos e Val. Mob. 1,54
SNFF11 Suno FoF FoF 1,51
ARRI11 Átrio Reit Recebíveis Títulos e Val. Mob. 1,42
CACR11 Cartesia Recebíveis Imobiliários Títulos e Val. Mob. 1,40
VGIR11 Valora RE Títulos e Val. Mob. 1,31
MCHF11 Mauá Capital Hedge Fund Títulos e Val. Mob. 1,25
OUJP11 Ourinvest JPP Títulos e Val. Mob. 1,24
TGAR11 TG Ativo Real Desenvolvimento 1,23
RZTR11 Riza Terrax Híbrido 1,23
VSLH11 Versalhes Recebíveis Imobiliários Títulos e Val. Mob. 1,21

Fonte: Economatica

Além de ser o maior pagador de dividendos no ano e em dezembro, o Riza Akin (RZAK11) também fecha 2022 como o FII mais rentável – considerando a distribuição de dividendos e a valorização da cota.

Com patrimônio de R$ 360 milhões, o fundo investe predominantemente em certificados de recebíveis imobiliários (CRI), que respondem atualmente por 85,60% da carteira. Os demais recursos estão alocados em cotas de outros FIIs.

Atualmente, 60,5% dos títulos estão indexados à taxa do CDI e 39,8% ao IPCA, conforme aponta o último relatório gerencial divulgado pelo fundo.

No documento, a equipe de gestão do Riza Akin manifesta visão positiva para uma maior alocação em títulos indexados à taxa do CDI, que acompanha a taxa básica de juros da economia, a Selic, mantida em 13,75% ao ano na reunião de dezembro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Diferentemente de boa parte dos fundos de “papel”, o Riza Akin (RZAK11) conseguiu driblar o período de deflação e manteve um patamar razoável no volume de dividendos, como sinaliza a página do fundo no InfoMoney.

Fonte: FII RZAK11

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Wellington Carvalho

Repórter de fundos imobiliários do InfoMoney. Acompanha as principais informações que influenciam no desempenho dos FIIs e do índice Ifix.