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Até onde vai o dólar?

No meu primeiro post desse ano, ainda em janeiro, intitulado "Crash à vista: hora de se preparar", já mencionei o bull market em que estávamos e que, justamente por isso, era hora de repensar as posições e ser bem mais criterioso nas alocações. A verdade é que o Brasil é um país extremamente vulnerável a problemas externos e problema é algo que não está faltando ultimamente. Obviamente, o Brasil tem suas próprias dificuldades...

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Até onde o dólar pode subir? Honestamente, não sei. Também acho que ninguém sabe. Mas vamos aos fatos e tentar chegar a uma conclusão imparcial e lógica.

No meu primeiro post desse ano, ainda em janeiro, intitulado “Crash à vista: hora de se preparar”, já mencionei o bull market em que estávamos e que, justamente por isso, era hora de repensar as posições e ser bem mais criterioso nas alocações.

Na época, mencionei que a taxa de juros nos EUA estava (e está) subindo e que ninguém parecia importar-se com isso. Esse é o típico movimento que nunca importa, até o dia em que se torna a coisa mais importante do mundo.

A verdade é que o Brasil é um país extremamente vulnerável a problemas externos e problema é algo que não está faltando ultimamente. Obviamente, o Brasil tem suas próprias dificuldades, mas como discutimos a situação mundial, não vale a pena fixarmos neles nesse momento. De qualquer maneira, vale a pena as menções (e nenhuma delas é novidade): eleições no final do ano, um sistema tributário que esmaga e pune quem produz, privilégios absurdos para uma elite de funcionários públicos, déficit impagável na previdência e, apesar da recente queda, uma alta taxa de juros, se comparada ao resto do mundo.

Mas vamos focar no resto do mundo, que é o meu trabalho aqui.

Apesar do aparente sucesso de Donald Trump em trazer as duas Coreias para a mesa de negociação, as tensões com a Rússia e Irã aumentaram. Obviamente, a Rússia é muito maior e mais relevante que a Coréia do Norte. Esperamos uma solução pacífica para o enredo, mas é sempre bom ter cautela.

Além disso, temos pressões retomadas no Deutsche Bank (DB) que, segundo o próprio FMI, é o maior risco sistêmico para o mercado financeiro mundial. Já alertei para os problemas do DB há mais de um ano, então tampouco é novidade. Só porque não se fala no problema, não quer dizer que ele foi sanado. A Grécia é o exemplo máximo dessa frase.

Os bancos espanhóis e italianos estão com dificuldades. Aliás, a própria Itália está com seus problemas e sob o risco de sair da Zona do Euro. Saindo ou não, os problemas de que venho falando há meses estão agora se materializando.

As bolsas americanas têm se mantido em alta devido ao recorde número de buybacks e aumento significativo das dívidas. Esse tipo de movimento nunca tem um final feliz. Quando as taxas de juros chegarem a um certo patamar, a emissão de dívidas (bonds) para recompra de ações deixa de ser lucrativa para os diretores das empresas – ou seja, o lucro por ação não aumenta. Daí, todos correm para a porta de saída, acentuando o movimento contrário, ou seja, a venda de ações para o pagamento das dívidas. Claro, ninguém ainda está falando nisso e por que deveriam? Está indo tudo bem por enquanto, então vamos ignorar o aviso óbvio e celebrar!

O breadth do mercado acionário americano, ou seja, o número de ações subindo versus o número de ações caindo, está ficando cada vez mais estreito, com o setor de tecnologia carregando o piano. No mês passado, duas ações somente foram responsáveis pela maior parte do movimento das bolsas de lá.

Como podemos ver, não precisa de muita coisa acontecer para termos problemas no mundo. Se os investidores fizerem como da última vez, em 2008, e correrem para o dólar, pode haver uma disparada no valor da moeda norte-americana. Não estou dizendo que isso ocorrerá, mas não vale a pena correr o risco.

Brasileiros correm muitos riscos diariamente e esse é um que não deveria ocorrer: o risco de sofrer perdas consideráveis no patrimônio. Temos imóveis, contas e investimentos no Brasil, empresas e previdências no Brasil. Hoje em dia é muito fácil abrir uma conta no exterior, podemos fazer isso sentados na poltrona de nossa casa, então não há desculpa. A quase totalidade dos brasileiros só investe no Brasil porque nasceu e mora aí. Imagina se fôssemos suíços – será que investiríamos no Brasil?

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

perfil do autor

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Marcelo López

Marcelo López tem certificação CFA, é gestor de recursos na L2 Capital Partners, com MBA pelo Instituto de Empresa (Madrid, Espanha) e especialização em finanças pela principal escola de negócios da Finlândia (Helsinki School of Economics and Business Administration). Atuou como Gestor de Carteiras e de Fundos em grandes gestoras internacionais, tais como London & Capital e Gartmore Investment Management.

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