Publicidade
O senador Flávio Bolsonaro (PL) chega à última semana antes do primeiro turno tentando reunir votos ainda divididos entre candidaturas de direita. A campanha combina agendas no Sudeste, apoio de lideranças regionais e um pedido direto de voto útil aos eleitores de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo).
O movimento ocorre após o senador se aproximar numericamente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de intenção de votos da última semana. No Datafolha divulgado nesta quinta-feira (24), Lula aparece com 40% das intenções de voto, contra 36% de Flávio. Cury tem 5%; Caiado, 4%; Renan, 3%; e Zema, 1%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
O PL considera essas candidaturas a principal reserva de votos disponível antes da eleição. Em uma simulação de segundo turno contra Lula, Flávio recebe 43% dos votos desses eleitores. Lula fica com 30%. Outros 26% indicam voto branco, nulo ou nenhum.
A ofensiva já aparece nas redes sociais e em discursos do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Publicações pedem que eleitores da direita abandonem outros candidatos e votem em Flávio ainda no primeiro turno e o pedido do senador para que os eleitores da direita não “desperdicem seus votos”.

The Economist chama disputa entre Lula e Flávio de “sombria” e critica os dois
Revista britânica questiona capacidade dos líderes das pesquisas de enfrentar corrupção e desequilíbrio fiscal e manifesta preferência por Renan Santos

Flávio teve nova reserva em jatinho operado por empresa de Vorcaro, mostra PF
Advogado amigo de presidenciável tratou de viagem com Prime You, firma de táxi aéreo que tinha o banqueiro como sócio
São Paulo e Minas no centro da agenda
Depois de passar pelo Nordeste, Flávio reforça a presença no Sudeste, principalmente em São Paulo e Minas Gerais. A meta é ampliar sua vantagem entre os paulistas e tentar terminar o primeiro turno à frente de Lula entre os mineiros. No Nordeste, a campanha busca apenas reduzir a vantagem histórica do PT.
Minas recebeu atenção especial nos últimos dias, com agendas ao lado de Nikolas Ferreira (PL). Nesta sexta-feira (25), Flávio vai ao Rio de Janeiro. Depois, participa de um rodeio em Jaguariúna, no interior paulista, ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Continua depois da publicidade
- De herdeiro político de Jair a candidato do PL ao Planalto: conheça a trajetória de Flávio Bolsonaro
São Paulo é estratégico por ser o maior colégio eleitoral do país. O estado também permite a associação com Tarcísio, tratado durante parte da pré-campanha como alternativa presidencial da direita e com forte aceitação entre o eleitorado do estado.
Na quarta-feira (23), Flávio reuniu em São Paulo governadores, senadores e candidatos de diferentes estados. O grupo gravou vídeos e fez transmissões para os eleitorados locais. Participaram Tarcísio, o prefeito Ricardo Nunes (MDB), Guilherme Derrite (PP), André do Prado (PL), Tereza Cristina (PP), Sergio Moro (PL) e outras lideranças.
A ideia é adaptar a campanha nacional a cada estado. O pedido de voto passa a vir acompanhado de figuras conhecidas localmente. Os vídeos serão usados até o primeiro turno.
Continua depois da publicidade
Leia mais:
- Eleições 2026: 18 dos 27 governadores não poderão se reeleger; veja quais
- Para que servem os partidos políticos? Entenda o papel das siglas no Brasil
- O que é o Fundo Eleitoral: regras, valores e distribuição
O objetivo é criar uma rede de apoio cruzado. Candidatos locais ajudam a levar Flávio a seus eleitorados. Ele tenta transferir a mobilização bolsonarista para as disputas estaduais.
O Senado ocupa espaço importante nesse discurso. Flávio afirma que precisará de uma bancada numerosa para aprovar sua agenda no Congresso. Isso inclui eventuais confrontos com o Supremo Tribunal Federal.
Continua depois da publicidade
Evangélicos e mobilização
O eleitor evangélico continua no centro da reta final. Flávio intensificou referências religiosas nos discursos. Associou sua candidatura a ideias como “propósito” e preparação divina. Também ampliou encontros com pastores e lideranças do segmento.
O desafio é transformar preferência em comparecimento. Como há poucos indecisos na pesquisa estimulada, mobilizar quem já tende a votar em Flávio pode ser tão importante quanto conquistar novos eleitores.
A abstenção é um fator capaz de alterar o resultado eleitoral. Em uma disputa apertada, a identificação com um candidato precisa se converter em presença nas urnas.
Continua depois da publicidade
Leia também:
- O que devo levar para votar e o que é proibido na seção eleitoral?
- Qual é a diferença entre voto em branco e nulo?
- Quais são os cargos em disputa nas eleições 2026?
Errar menos
A última frente é defensiva: evitar crises. Com a aproximação de Lula nas pesquisas, aliados avaliam que Flávio precisa preservar a trajetória da candidatura. A campanha orientou apoiadores a ter cautela em entrevistas e declarações improvisadas sobre temas sensíveis.
A expectativa é de que o candidato mantenha o foco no desgaste do governo e no antipetismo. Ao mesmo tempo, precisa evitar um episódio capaz de alterar o ciclo de notícias.
O debate da TV Globo, marcado para 1º de outubro, também faz parte dessa estratégia. Flávio indicou que só participará se Lula comparecer.
Com Lula quatro pontos à frente no Datafolha e os demais candidatos ainda somando uma parcela relevante do eleitorado, a disputa não será apenas pelos indecisos, mas na busca por eleitores de direita que já escolheram um campo, mas ainda não optaram por Flávio Bolsonaro.