TSE aprova federação União-PP, que vira maior força no Congresso

Aliança reúne 115 parlamentares, supera o PL e entra no jogo eleitoral sem definição sobre candidatura própria

Marina Verenicz

Rueda e Nogueira: presidentes do União e do PP - Divulgação
Rueda e Nogueira: presidentes do União e do PP - Divulgação

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou, por unanimidade, o registro da federação formada por União Brasil e Progressistas (PP), consolidando a maior bancada do Congresso Nacional. A decisão foi tomada nesta semana, com voto favorável da relatora Estela Aranha, acompanhado pelos demais ministros da Corte.

Com a formalização, a nova estrutura partidária passa a reunir 103 deputados e 12 senadores, totalizando 115 parlamentares. O número supera o do PL, que hoje soma 106 integrantes entre Câmara e Senado e liderava como maior força individual no Legislativo.

A aprovação ocorre dentro do prazo exigido pela legislação eleitoral, que determina a formalização de federações até seis meses antes do pleito. As eleições de 2026 estão marcadas para 4 de outubro, o que coloca a aliança apta a atuar já no próximo ciclo eleitoral.

A criação da federação vinha sendo negociada desde 2025 e enfrentou resistências internas, principalmente em disputas regionais e questões judiciais. O entendimento final entre as siglas destrava uma articulação que amplia o peso político do bloco no Congresso e na definição de alianças nacionais.

Em nota divulgada após a decisão do TSE, a federação afirmou que a união busca “fortalecer a governabilidade, ampliar a representatividade política e apresentar ao país uma agenda comum voltada ao desenvolvimento econômico, à estabilidade institucional, à disciplina fiscal e ao fortalecimento da democracia”.

O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, também destacou o avanço da aliança. “Essa federação nasce após um longo período de conversas e discussões pautadas pelo espírito de sempre, que é oferecer aos brasileiros os melhores projetos e os mais qualificados quadros”, afirmou.

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Apesar do tamanho no Congresso, o grupo ainda não definiu estratégia para a disputa presidencial. A federação avalia se apoiará uma candidatura de outro partido ou se lançará um nome próprio, decisão que deve influenciar diretamente a configuração das alianças em 2026.

O movimento ocorre após o afastamento gradual das duas siglas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). União Brasil e PP chegaram a integrar a base, mas com apoio fragmentado, e passaram a defender o desembarque em 2025. Ambos mantinham espaços na Esplanada, mas mudanças internas e conflitos políticos reduziram essa presença.

A nova federação também reúne lideranças com histórico recente no governo Jair Bolsonaro, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil, e mantém posição favorável à anistia do ex-presidente em processos relacionados à tentativa de golpe de Estado.

Com a oficialização, União e PP passam a atuar de forma conjunta por pelo menos quatro anos, compartilhando decisões estratégicas, tempo de televisão e recursos partidários, o que tende a ampliar sua influência nas negociações políticas e eleitorais no curto prazo.