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O primeiro debate entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) pelo governo de São Paulo, neste domingo (9), foi marcado por uma disputa direta sobre os resultados dos últimos quatro anos. Haddad tentou colocar o governador na defensiva com comparações de indicadores, enquanto Tarcísio respondeu com números da própria gestão e levou parte da discussão para o governo Lula.
A relação com Brasília apareceu em vários momentos. Haddad insistiu que programas e obras paulistas dependem de recursos federais. Tarcísio reconheceu algumas parcerias, como no túnel Santos-Guarujá, mas cobrou financiamentos que, segundo ele, seguem travados.
Educação abriu o confronto
Haddad afirmou que São Paulo perdeu posições na qualidade do ensino médio e citou índices de alfabetização abaixo da média nacional. Também criticou a digitalização das escolas e pediu que os eleitores pesquisassem os dados na internet, repetindo uma estratégia usada por Tarcísio contra ele na campanha de 2022.
O governador respondeu com números do ensino técnico, da formação de professores e da educação integral. Segundo ele, a participação dos alunos em cursos profissionalizantes passou de 12% para 42%.
Haddad contestou os dados e disse que o estado perdeu desempenho mesmo com mais recursos do que outras unidades da Federação.

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Dentro do tema de segurança pública, Haddad acusou Tarcísio de “não ter sequer um discurso” para combater os casos de feminicídio e racismo registrados

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Segurança concentra ataques
Tarcísio retomou a Cracolândia e destacou ações no centro da capital. Haddad reconheceu avanços, mas disse que o governador deveria dividir os créditos com o Ministério Público e outras instituições.
O petista também atacou a gestão da segurança e o secretário Guilherme Derrite. Citou aumento de feminicídios, infiltração do crime organizado e falhas de inteligência.
“O Derrite bagunçou tudo. Você deve estar preocupado”, afirmou.
Tarcísio rebateu com os menores índices históricos de homicídios, latrocínios e roubos e citou mais de 500 operações com Ministério Público e Polícia Federal, além de investigações contra o PCC.
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Lula e Bolsonaro entram no debate
Em determinado momento do governo, após o governador “alertar” o ex-ministro de que o ex-presidente não era o candidato e que não deveria estar no centro do debate, Haddad perguntou se Tarcísio tinha vergonha de Bolsonaro. O governador negou, agradeceu ao ex-presidente pela entrada na política e defendeu a formação de uma equipe técnica.
Tarcísio, por sua vez, levou Lula para o confronto. Questionou a situação fiscal, o crescimento econômico e perguntou se Haddad teria algum conselho ao presidente.
O governador afirmou que o país “caminha para uma recessão”. Haddad respondeu defendendo sua passagem pelo Ministério da Fazenda e atribuiu parte dos problemas à política monetária do Banco Central.
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Recursos federais viram disputa
Haddad acusou Tarcísio de não reconhecer os recursos recebidos do governo federal e citou programas de saúde, obras e a renegociação da dívida estadual. Também afirmou que São Paulo perdeu cerca de R$ 1 bilhão por mês ao demorar a aderir ao Propag.
“Tarcísio, você perdeu R$ 1 bilhão por mês porque não quis tirar uma foto com o presidente Lula”, disse.
O governador negou motivação política e afirmou que discordava das condições iniciais do programa. Também cobrou projetos que, segundo ele, continuam travados em Brasília.
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Privatizações e concessões
Haddad questionou privatizações, PPPs e concessões realizadas pela gestão estadual e prometeu revisar contratos caso seja eleito. “Serei obrigado a rever os contratos linha por linha”, afirmou.
Tarcísio defendeu o modelo e citou escolas, infraestrutura e a Sabesp. Segundo ele, a privatização ampliou investimentos e levou água a dois milhões de pessoas.
Haddad cobrou a promessa de redução da tarifa de água. O governador respondeu que os preços chegaram a cair, mas que manter a redução poderia comprometer financeiramente a empresa.
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Debate mostra estratégias distintas
Haddad buscou transformar a eleição em um julgamento da gestão Tarcísio, comparando São Paulo com outros estados e com seu próprio desempenho anterior.
Tarcísio concentrou sua defesa nas entregas do mandato e tentou vincular Haddad aos problemas do governo Lula.
O resultado foi um debate estadual com forte presença da disputa nacional. Bolsonaro, Lula, política fiscal, economia e relação com o governo federal apareceram quase tanto quanto os temas diretamente ligados a São Paulo.