Tarcísio e aliados veem revés em pesquisa ao Senado em SP como ‘normal’

Segundo Datafolha, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) lideram corrida eleitoral, seguidas por Ricardo Salles (Novo), André do Prado (PL), Guilherme Derrite (PP) e Paulinho da Força (Solidariedade)

Agência O Globo

Governador de SP, Tarcísio de Freitas, participa do leilão do PPP novo centro administrativo na B3. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Governador de SP, Tarcísio de Freitas, participa do leilão do PPP novo centro administrativo na B3. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

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Pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira (6) reforçou o otimismo entre as candidatas apoiadas pelo presidente Lula (PT), que aparecem à frente no levantamento, e o discurso na direita de que o reforço do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o período de campanha eleitoral devem mudar o cenário, mesmo com uma divisão de votos do campo político.

Foi o primeiro levantamento realizado após a confirmação das ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) na disputa, com Márcio França (PSB) deslocado para a vice de Fernando Haddad (PT) ao governo paulista. Elas marcaram, respectivamente, 18% e 16% das intenções de voto.

A lista prossegue com o deputado federal Ricardo Salles (Novo), 13%; o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, André do Prado (PL), 11%; o ex-secretário estadual de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP), com 10%; e o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade), 8%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

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Para o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, as candidaturas de Prado e Derrite vão crescer quando o horário eleitoral passar a valer:

– André e o Derrite vão chegar na frente, as candidatas do PT só vão estar bem até começar as eleições – afirma o dirigente do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Salles empata tecnicamente com a dupla apoiada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. O deputado migrou para o Novo sob a promessa de concorrer ao Senado e agora pretende mirar em Prado, figura próxima de Valdemar, para se consolidar nas pesquisas.

— São Paulo não quer oportunistas de fora, nem ladrões daqui mesmo — declarou Salles ao GLOBO.

Prado não responde a inquéritos criminais. A associação passa pela proximidade com o chamado “Centrão”, termo aplicado a partidos que sempre estão com o governo e recebem críticas pela inclinação ao fisiologismo político.

O principal revés do cenário para a direita, contudo, seria o de pulverizar os votos desse campo político entre três candidatos, enquanto a chapa que apoia o presidente Lula apresenta somente dois nomes para as duas vagas em aberto. Valdemar alega que não há problema nisso, porque Salles “não vai ter o apoio de Eduardo Bolsonaro”, mas o diagnóstico é diferente entre os rivais.

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A campanha de Marina pretende investir contra Salles, que foi ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro. Em uma reunião ministerial, o agora deputado defendeu “passar a boiada” na legislação ambiental enquanto o foco estivesse na pandemia de covid-19.

Bazileu Margarido, coordenador da pré-campanha da Rede, afirma que a candidata deve levar ao debate eleitoral a possibilidade de “fazer de São Paulo um impulsor de toda a agenda de desenvolvimento sustentável”, além de rodar o interior para ouvir as demandas regionais e participar de eventos com o presidente Lula, que teria entregas importantes no mandato.

— Os números são muito positivos, com as duas mulheres da frente ampla bem posicionadas — avalia Margarido. — Entre todos os candidatos, Marina tem o maior conhecimento da população. Importante é manter essa presença, reforçar esse recall e, principalmente, fazendo a campanha que sempre fez, com um compromisso ético muito grande, dizendo a verdade nesses tempos agudos.

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Mesmo na esquerda, há o diagnóstico de que se trata de uma eleição difícil e que o resultado ainda está longe de ser definitivo.

— Estamos apenas começando o processo eleitoral. A campanha ao Senado, quando são duas vagas, é meio que uma incógnita. Se somar todos os números, parece que o eleitor ainda optou por apenas um candidato. O segundo voto vai ser decisivo — afirmou Tebet, em entrevista ao SBT News na terça.

Já o deputado federal Maurício Neves, presidente estadual do PP, afirma que os levantamentos internos apontam para outra direção, contestando a pesquisa que coloca Derrite numericamente em quinto.

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– Nas pesquisas que o partido realiza, o Derrite lidera. No próprio Datafolha, ele está empatado na liderança na pesquisa espontânea (quando os nomes não são apresentados ao eleitorado). Em outras pesquisas divulgadas semana passada, ele também apareceu à frente. Como todos pré-candidatos estão muito próximos, as variações ocorrem dentro da margem de erro – alega.

Outro fator, segundo o dirigente paulista do PP, é que a campanha ainda não começou:

– O partido está mobilizado e confiante na vitória do Derrite. Temos certeza que a pauta da segurança e o apoio do governador Tarcísio vão levar Derrite ao Senado.

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Segundo o Datafolha, a pesquisa espontânea mostra o seguinte cenário: Tebet e Derrite estão empatados com 3% das intenções de voto. Eles são seguidos por Marina e “um candidato do PT”, com 2% cada um. Salles e Prado marcaram um ponto percentual cada. Nessa rodada específica, 81% não sabem em quem votar.

No entorno de Tarcísio, o levantamento é visto como “menos importante neste momento”, nas palavras de um assessor do governador, pois a “campanha não está nas ruas” e os números do Datafolha para o Palácio dos Bandeirantes, que coloca Tarcísio com 52% dos votos válidos no primeiro turno, tendem a “carregar” os dois postulantes ao Senado.

Outra questão em aberto é a permanência do deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade) entre os postulantes ao Senado. Ele marca 8% das intenções de voto no levantamento, percentual que não é desprezível para o desfecho das eleições.

Figura historicamente ligada ao movimento sindical, ele se aproximou da direita a ponto de ser escolhido relator do projeto de dosimetria das penas aos condenados por tentativa de golpe de estado, o que incluiu Jair Bolsonaro. Desse modo, a migração dos votos é um tanto imprevisível.

— Eu sou candidato, minha convenção é no dia 25. Até lá, em princípio, não estou pensando em desistir e nem em discutir outro nome. Estou firme na disputa e os meus votos vão migrar para mim mesmo — diz o deputado.