Segurança vira campo decisivo da eleição; veja propostas dos pré-candidatos

Lula tenta reagir em área historicamente dominada pela direita, enquanto adversários apostam em endurecimento penal e vitrine estadual

Marina Verenicz

Luiz Inácio Lula da Silva: Elizabeth Frantz / Reuters
Flávio Bolsonaro: Adriano Machado / Reuters
Romeu Zema: Divulgação
Ronaldo Caiado: Isac Nóbrega/PR
Luiz Inácio Lula da Silva: Elizabeth Frantz / Reuters Flávio Bolsonaro: Adriano Machado / Reuters Romeu Zema: Divulgação Ronaldo Caiado: Isac Nóbrega/PR

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Com a proximidade do ciclo eleitoral e a preocupação crescente entre os brasileiros, a segurança pública se consolidou como um dos principais temas da disputa de 2026.

O avanço da violência para o topo das preocupações do eleitorado alterou a estratégia das campanhas e forçou candidatos a apresentar propostas mais concretas para o combate ao crime organizado.

A mudança de cenário aparece em pesquisas recentes. Levantamento Genial/Quaest divulgado em abril mostrou a segurança como o principal problema do país para os brasileiros, ampliando a pressão sobre o governo Lula e favorecendo candidaturas que tradicionalmente ocupam esse espaço no debate político.

O tema deixou de ser tratado apenas como responsabilidade dos estados e o eleitor passou a cobrar também ações federais, especialmente em áreas como facções criminosas, tráfico internacional, sistema prisional e inteligência policial.

Nesse cenário, Lula tenta reduzir uma fragilidade histórica do PT, enquanto nomes da oposição exploram discursos de endurecimento penal e fortalecimento das forças de segurança. Veja abaixo as principais propostas dos pré-candidatos*.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

O governo Lula decidiu transformar a segurança pública em uma das vitrines do último ano antes da eleição. Nesta semana, o presidente lançou o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, com previsão de R$ 11 bilhões em investimentos.

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O plano foi estruturado em quatro eixos: asfixia financeira das facções, reforço do sistema prisional, aumento da taxa de resolução de homicídios e combate ao tráfico de armas.

O governo também tenta ampliar o papel da União no setor por meio da PEC da Segurança Pública, que está parada no Senado. A proposta prevê maior integração entre estados e governo federal, além da constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (Susp).

Nesta semana, Lula afirmou que só criará um Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC.

Nos bastidores, integrantes do PT reconhecem que o governo demorou para reagir ao tema. A avaliação é que a esquerda perdeu espaço na segurança pública nos últimos anos e precisa reconstruir credibilidade na área.

Por isso, o Planalto passou a explorar operações contra o financiamento do crime organizado e a Lei Antifacção, aprovada neste ano, como demonstração de endurecimento contra facções.

O tema também entrou na agenda internacional do presidente. Após encontro com Donald Trump, Lula afirmou ter pedido ajuda dos Estados Unidos para extraditar criminosos brasileiros que vivem em Miami.

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Analistas avaliam que a aproximação com Trump ajudou a neutralizar parte do discurso da oposição sobre segurança e crime organizado.

Flávio Bolsonaro (PL)

Pré-candidato do PL, o senador Flávio Bolsonaro pretende concentrar sua plataforma de segurança no endurecimento da legislação penal. Em manifestações recentes, o senador já defendeu a redução da maioridade penal, restrição de benefícios para condenados por crimes graves, ampliação do sistema prisional e reforço das forças de segurança.

Outro eixo da proposta envolve integração nacional de bancos de dados, inteligência policial e monitoramento de fronteiras, portos e aeroportos.

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A equipe do senador também fala em combinar repressão com políticas de prevenção voltadas a jovens vulneráveis ao recrutamento do crime organizado.

No Congresso, Flávio apresentou ao menos 36 projetos ligados à segurança pública, segundo levantamento do G1. Parte relevante das propostas envolve aumento de penas, flexibilização do acesso a armas e criação de novos tipos penais.

A estratégia do PL é explorar a percepção de que o governo Lula ainda não conseguiu apresentar resultados consistentes na área.

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Ronaldo Caiado (PSD)

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) pretende usar os indicadores de segurança do estado como principal ativo eleitoral. A campanha trabalha com dados de redução de homicídios e roubos durante sua gestão para sustentar o discurso de que o modelo pode ser replicado nacionalmente.

Aliados do pré-candidato afirmam que a ideia é apresentar experiência concreta de gestão, evitando propostas genéricas. A estratégia já foi colocada em prática e a defesa dos resultados estaduais é constante nas entrevistas do ex-governador.

Caiado defende uma linha de atuação baseada em fortalecimento das polícias, maior rigidez no combate ao crime e ampliação da presença do Estado em áreas dominadas por facções.

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Ao mesmo tempo, o ex-governador mantém críticas à PEC da Segurança Pública. Durante a tramitação da proposta, afirmou que havia risco de interferência excessiva da União sobre as atribuições estaduais.

No fim do ano passado, Caiado participou da criação do chamado “Consórcio da Paz”, articulação entre estados voltada à integração de inteligência e operações policiais.

Romeu Zema (Novo)

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) também estruturou sua pré-campanha em propostas de endurecimento penal.

Entre as medidas defendidas está a classificação de facções criminosas como organizações terroristas. A proposta abriria espaço para maior cooperação internacional e uso ampliado das Forças Armadas no combate ao crime organizado.

O tema enfrenta resistências dentro do governo federal e no Congresso por possíveis impactos sobre soberania nacional e relações diplomáticas.

O plano de Zema ainda prevê prisão preventiva obrigatória para reincidentes flagrados pela terceira vez, restrições em audiências de custódia e revisão do atual modelo de progressão de pena.

Outra proposta é a redução da maioridade penal para crimes graves e reincidência. O pré-candidato também quer substituir o atual sistema de regimes fechado, semiaberto e aberto por um modelo híbrido, combinando restrição de liberdade e monitoramento posterior.

* Foram considerados pela matéria os pré-candidatos que alcançaram até 4 pontos percentuais de intenção de voto no primeiro turno segundo a pesquisa eleitoral mais recente, divulgada pela Quaest, nesta quarta-feira (13).