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Mesmo após o PL oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada no fim de julho mostra que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro continua sendo vista como um ativo eleitoral relevante da direita. Embora não seja candidata, ela foi incluída em um cenário de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e apresentou desempenho praticamente idêntico ao do senador.
No levantamento, Lula aparece com 49,2% das intenções de voto diante de Flávio Bolsonaro, que registra 42,9%. Contra Michelle, o petista marca 48,8%, enquanto a ex-primeira-dama alcança 42,5%. Na prática, a diferença entre os dois cenários está dentro da margem de erro de um ponto percentual da pesquisa.
O resultado chama atenção porque Michelle sequer participa formalmente da disputa. Ainda assim, ela surge como uma das alternativas mais competitivas da direita testadas pelo instituto, ao lado de Flávio e atrás apenas de Jair Bolsonaro, impedido de concorrer por estar em prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.

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Os números ajudam a explicar por que o nome de Michelle continua circulando em conversas políticas mesmo depois da convenção que confirmou Flávio como candidato do partido.
Não há qualquer movimento formal para substituir o senador nem sinais de que isso esteja em discussão dentro da direção do PL. Ainda assim, a permanência de Michelle nas pesquisas revela que parte do debate interno da direita não foi encerrado pela oficialização da candidatura.
Capital eleitoral preservado
A pesquisa também sugere que Michelle preserva boa parte do capital político acumulado durante os anos em que Jair Bolsonaro esteve na Presidência.
O fato de registrar praticamente o mesmo desempenho do candidato oficial do PL indica que seu potencial eleitoral continua sendo reconhecido pelos eleitores, mesmo após um período de menor exposição pública.
Na comparação com outros nomes da direita, ambos apresentam desempenho superior ao de Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), contra quem Lula abre vantagem de aproximadamente nove pontos percentuais. Diante de Renan Santos (Missão), a diferença ultrapassa 17 pontos.
Crise familiar não apagou seu peso político
A manutenção do nome de Michelle no radar também ocorre meses depois de um período de tensão dentro da família Bolsonaro.
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Depois de tentar influenciar articulações políticas do PL no Ceará, a ex-primeira-dama foi alvo de críticas de integrantes do núcleo familiar e passou meses afastada das disputas públicas.
O silêncio terminou com um vídeo em que fez críticas aos enteados, especialmente Flávio Bolsonaro, episódio que provocou um dos momentos de maior desgaste da pré-campanha do senador, ao lado das revelações envolvendo o patrocínio de Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse.
Apesar desse histórico, a pesquisa indica que os conflitos internos não eliminaram a percepção de competitividade de Michelle entre os eleitores.
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A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg ouviu 5.021 pessoas entre os dias 22 e 27 de julho. A margem de erro é de um ponto percentual.