Quaest mede impacto de novo tarifaço dos EUA e desgaste eleitoral de Flávio e Lula

Pesquisa é a primeira divulgada após anuncio de possíveis novas tarifas, feito após encontro de Flávio com o presidente norte-americano, Donald Trump

Caio César

Bolsonaro e Lula empatam tecnicamente como nomes mais rejeitados do cenário brasileiro, Flávio figura em terceiro. Fotos: REUTERS/Adriano Machado | Ricardo Stuckert / PR | Waldemir Barreto/Agência Senado
Bolsonaro e Lula empatam tecnicamente como nomes mais rejeitados do cenário brasileiro, Flávio figura em terceiro. Fotos: REUTERS/Adriano Machado | Ricardo Stuckert / PR | Waldemir Barreto/Agência Senado

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A pesquisa Genial/Quaest que será divulgada na quarta-feira (10) deve oferecer os primeiros sinais sobre como o eleitorado reagiu a uma sucessão de eventos que alteraram o cenário da corrida presidencial nas últimas semanas.

Entre eles estão a aproximação de Flávio Bolsonaro (PL) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a repercussão do Caso Master e a aprovação da PEC que prevê o fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados.

As entrevistas começaram na sexta-feira (5) e foram concluídas nesta segunda-feira (8). Ao todo, 2.004 eleitores respondem a um questionário com 114 perguntas que avaliam intenção de voto, rejeição, conhecimento dos candidatos e percepção sobre temas que passaram a dominar o debate político desde maio.

Embora a pesquisa não tenha sido desenhada exclusivamente para medir esses episódios, o momento da coleta transforma o levantamento em um dos principais termômetros para avaliar se houve mudanças no comportamento do eleitor após a escalada da disputa política entre governo e oposição.

Aproximação com Trump

O levantamento é o primeiro realizado depois da viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e do encontro do senador com Donald Trump na Casa Branca.

Dias depois da reunião, o governo americano anunciou a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas e passou a discutir novas medidas comerciais contra o Brasil.

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A equipe do senador aposta que a agenda de segurança pública fortalece sua candidatura junto ao eleitorado conservador. Já aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentam associar a aproximação com Washington a riscos para a soberania nacional e para a economia brasileira.

O resultado da pesquisa poderá indicar qual dessas narrativas encontrou maior ressonância entre os eleitores.

Caso Master no no radar

O levantamento também poderá servir como norte para a equipe de Flávio, que ainda avalia a profundidade da crise de imagem provocada pela proximidade com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Uma das perguntas questiona diretamente o envolvimento do senador com o ex-banqueiro: “Você acredita que Flávio Bolsonaro não sabia que Vorcaro estava envolvido com corrupção?”. Outra, por sua vez, tenta captar o nível de preocupação dos brasileiros com a possibilidade de novas tarifas: “Você acredita que novas tarifas vão prejudicar você e a sua família?”

A inclusão do assunto ocorre após sucessivas pesquisas apontarem queda do desempenho eleitoral de Flávio desde a divulgação dos áudios envolvendo o fundador do Banco Master.

Para integrantes da campanha do PL, a nova rodada ajudará a medir se o episódio continua produzindo efeitos ou se o impacto já começou a perder força junto ao eleitorado.

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A última edição, divulgada em 13 de maio, mostrou estabilidade na liderança do presidente Lula, com 39%, e uma retração de Flávio, com 33%, no primeiro turno. A pesquisa, no entanto, mostrava um cenário apertado no segundo turno: Lula aparecia numericamente à frente de Flávio, com 42% contra 41%.

Escala 6×1 também pode aparecer nos números

A coleta também acontece poucos dias após a aprovação, pela Câmara dos Deputados, da proposta que reduz a jornada semanal de trabalho e extingue a escala 6×1.

Mesmo sem perguntas diretas sobre o tema, estrategistas políticos avaliam que a pesquisa pode captar indiretamente eventuais ganhos para o governo caso a medida tenha sido incorporada pelos eleitores como uma conquista associada ao campo governista.

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Nas últimas semanas, a disputa pela autoria política da proposta se tornou um dos principais embates entre governo e oposição nas redes sociais e para as campanhas presidenciais, que tentam capturar o tema para ganhos eleitorais.

Tarifas e economia entram na pesquisa

O levantamento ainda busca medir a percepção dos brasileiros sobre os possíveis impactos econômicos das tensões comerciais com os Estados Unidos.

Uma das perguntas questiona diretamente se os entrevistados acreditam que novas tarifas americanas poderão prejudicar suas famílias. Na semana passada, os Estados Unidos sugeriram a imposição de novas barreiras comerciais aos produtos brasileiros, que passaram a integrar o debate político interno.

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