Quaest: Em 1º turno, Lula vai a 39% e Flávio marca 33% após semana de crise política

Reunião de Lula com Trump e operação contra aliado de Flávio ainda não alteram eixo central da disputa presidencial

Marina Verenicz

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A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (13) indica que os principais movimentos políticos das últimas semanas ainda produziram impacto limitado na corrida presidencial de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oscilou de 37% para 39% nas intenções de voto no primeiro turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou de 32% para 33%.

O levantamento foi realizado após dois episódios que mobilizaram o noticiário político nacional: a reunião de Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a operação da Polícia Federal que atingiu o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos principais aliados do bolsonarismo no Congresso e interlocutor frequente de Flávio Bolsonaro.

Apesar da intensidade política dos episódios, os números da Quaest sugerem que a disputa permanece ancorada em bases eleitorais relativamente consolidadas. Lula segue liderando com vantagem mais ampla no Nordeste e entre eleitores de menor renda, enquanto Flávio mantém força entre evangélicos, eleitores de renda mais alta e no eleitorado masculino.

O presidente aparece com 58% no Nordeste, contra 26% de Flávio. Já no Sul, o cenário se inverte, onde o senador tem 40%, contra 28% do petista. No Sudeste, principal colégio eleitoral do país, há empate técnico, com 35% para Flávio e 34% para Lula.

A leitura entre analistas políticos é que a viagem de Lula aos Estados Unidos ajudou mais na redução de ruídos institucionais do que propriamente em uma inflexão eleitoral imediata.

No Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, especialistas vinham apontando que a aproximação diplomática com Trump tinha potencial de reduzir tensões econômicas e melhorar a percepção de estabilidade política, especialmente junto ao empresariado e setores moderados.

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Os números da Quaest mostram algum avanço do presidente justamente entre eleitores independentes e segmentos menos ideológicos. Entre os eleitores que se definem como independentes, Lula passou de 21% para 26% no primeiro turno desde março. No segundo turno contra Flávio Bolsonaro, o petista também reduziu parcialmente a distância nesse grupo.

Centro da disputa segue nos moderados

Os dados da pesquisa indicam que a eleição segue sendo decidida fora dos polos tradicionais. Entre independentes, Flávio Bolsonaro tem 29% no segundo turno, contra 35% dos que afirmam não votar em nenhum dos dois candidatos. O volume elevado de rejeição cruzada continua funcionando como um limitador para ambos os lados.

A estabilidade da disputa também aparece nos cenários de segundo turno. Lula tem 42% contra 41% de Flávio Bolsonaro, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em abril, o cenário era de empate em 42% a 42%.

O levantamento mostra ainda que Romeu Zema (Novo) continua sendo o nome competitivo mais forte fora da polarização direta entre PT e bolsonarismo. Contra Lula, o governador mineiro aparece com 37%, sete pontos atrás do presidente. O desempenho é mais forte entre eleitores de renda alta e ensino superior, grupos nos quais chega a ultrapassar o petista.

Entre os eleitores com renda acima de cinco salários mínimos, Zema marca 47% no segundo turno, contra 36% de Lula. No eleitorado com ensino superior, o governador também lidera numericamente por 46% a 33%.

Ronaldo Caiado (PSD), por sua vez, permanece em um patamar intermediário. Embora ainda distante de Lula em um eventual segundo turno, o governador de Goiás mantém desempenho relevante no Centro-Oeste/Norte e entre setores mais conservadores.

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Operação não muda cenário

A operação envolvendo Ciro Nogueira ocorreu em meio à consolidação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro como principal representante do campo bolsonarista. Apesar do desgaste político potencial para o entorno do senador, os números da Quaest não captaram perda relevante de apoio do eleitorado mais fiel.

Flávio segue com índices muito elevados entre bolsonaristas, alcançando 90% nesse segmento no primeiro turno e 97% no segundo turno contra Lula.

Ao mesmo tempo, Lula preserva ampla hegemonia entre lulistas e eleitores de esquerda não lulistas. O presidente alcança 94% entre lulistas no primeiro turno e mantém índices acima de 95% no segundo turno.

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A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas presencialmente entre os dias 7 e 11 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.