Quaest: Lula ganha fôlego entre jovens e baixa renda após aposta no Desenrola

Levantamento mostra melhora da aprovação do governo em segmentos mirados por programas de crédito e renegociação de dívidas do Planalto

Marina Verenicz

 Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

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A melhora parcial da aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrada pela pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (13) ocorreu justamente entre grupos que passaram a ser alvo prioritário da estratégia econômica e eleitoral do governo federal nos últimos meses.

Os dados mostram recuperação da avaliação do governo entre eleitores de renda mais baixa, jovens e setores menos alinhados politicamente, segmentos diretamente impactados por medidas como o Desenrola 2.0, programas de crédito popular e ações voltadas ao consumo.

Segundo a pesquisa, a aprovação do governo entre brasileiros com renda de até dois salários mínimos ficou em 54%, contra 40% de desaprovação. Entre beneficiários do Bolsa Família, o índice de aprovação chegou a 57%, mantendo uma vantagem confortável para o presidente. 

O movimento acontece no momento em que o Planalto tenta reconstruir apoio justamente entre eleitores afetados pelo endividamento, pela renda comprimida e pela dificuldade de acesso ao crédito.

O Desenrola 2.0 passou a ser tratado internamente no governo como uma das principais apostas para reduzir desgaste em setores populares e entre jovens adultos.

A pesquisa também mostrou redução da resistência entre eleitores independentes, grupo considerado decisivo para 2026. Nesse segmento, a aprovação subiu de 32% para 37%, enquanto a desaprovação caiu de 58% para 52%. O dado é relevante porque indica melhora fora da base ideológica tradicional do lulismo. 

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Embora o levantamento não investigue diretamente quais programas influenciaram a percepção dos entrevistados, integrantes do governo vêm associando a recuperação parcial observada nos últimos dias à ampliação das políticas de renegociação de dívidas, microcrédito e estímulo ao consumo.

A estratégia busca atuar em duas frentes eleitorais ao mesmo tempo. A primeira envolve a preservação da base histórica de baixa renda, especialmente no Nordeste. A segunda mira eleitores mais jovens e economicamente pressionados, grupo que vinha apresentando deterioração acelerada na avaliação do governo desde o início do ano.

Recuperação limitada

Os números mostram que essa recuperação ainda é limitada. Entre brasileiros de 16 a 34 anos, a desaprovação segue majoritária, em 55%, enquanto 41% aprovam o governo. Ainda assim, o Planalto vê espaço para reduzir perdas nesse segmento a partir de políticas voltadas ao crédito, consumo e renegociação financeira. 

A melhora da avaliação geral do governo também foi modesta, mas interrompeu a sequência de deterioração observada desde o começo de 2026. A taxa dos que consideram a gestão negativa caiu de 42% para 39%, enquanto a avaliação positiva subiu de 31% para 34%. 

Apesar da reação, os dados indicam que o governo ainda enfrenta resistência relevante em segmentos centrais da disputa eleitoral. A desaprovação segue elevada entre eleitores de renda média e alta, homens, evangélicos e moradores do Sul e Sudeste.

Na faixa de renda acima de cinco salários mínimos, por exemplo, 58% desaprovam o governo, contra 39% que aprovam. Entre evangélicos, a desaprovação chega a 65%. 

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A leitura política dentro do governo é que programas como o Desenrola 2.0 podem não produzir uma virada ampla de popularidade, mas ajudam a reduzir desgaste em grupos decisivos para uma eleição apertada em 2026.

A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas presencialmente entre os dias 8 e 11 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-03598/2026.