Quaest: Com aprovação de 50%, Desenrola surge como trunfo na recuperação de Lula

Conhecimento sobre programa de renegociação de dívidas cresce, maioria avalia medida positivamente e percepção econômica melhora entre beneficiados

Marina Verenicz

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de abertura da Caravana Federativa, no Expo Center Norte. Foto: Ricardo Stuckert / PR
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de abertura da Caravana Federativa, no Expo Center Norte. Foto: Ricardo Stuckert / PR

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A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira (10) indica que o Desenrola 2.0 se tornou um dos principais ativos políticos do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na tentativa de recuperar popularidade e melhorar a percepção econômica da população.

Segundo o levantamento, 61% dos brasileiros afirmam já ter ouvido falar da nova versão do programa de renegociação de dívidas, avanço de quatro pontos percentuais em relação a março, quando o índice era de 57%.

Mais importante para o governo é que metade dos entrevistados considera o Desenrola 2.0 uma boa ideia. Outros 20% avaliam que a iniciativa ajuda apenas parcialmente a resolver o problema do endividamento, enquanto 25% consideram a medida uma má ideia.

Os números surgem em um momento em que a aprovação de Lula voltou a crescer. Na mesma pesquisa, o presidente aparece com 47% de aprovação, contra 48% de desaprovação, reduzindo a diferença para apenas um ponto percentual.

Endividamento diminui

A pesquisa mostra também sinais de melhora na percepção financeira dos brasileiros. O percentual de entrevistados que dizem ter muitas dívidas caiu de 28% em maio para 23% em junho. Ao mesmo tempo, aqueles que afirmam não possuir dívidas subiram de 27% para 30%.

A parcela que relata ter poucas dívidas aumentou de 45% para 46%. Entre as famílias com renda de até dois salários mínimos, grupo prioritário do programa, o percentual que afirma ter muitas dívidas caiu de 32% para 23% em apenas um mês. Já os que dizem possuir poucas dívidas avançaram de 45% para 50%.

Na faixa de renda entre dois e cinco salários mínimos, a proporção dos que relatam muitas dívidas recuou de 26% para 22%.

Apesar da avaliação positiva, a maioria dos brasileiros afirma não ter sido beneficiada diretamente pelo programa. Apenas 10% disseram que o Desenrola 2.0 ajudou sua família, enquanto 88% responderam negativamente.

Entre os que relatam ter sido beneficiados, porém, os efeitos econômicos aparecem de forma relevante. Nesse grupo, 71% afirmam ter percebido melhora na renda familiar. Desse total, 30% dizem que a renda aumentou significativamente e outros 41% afirmam que houve aumento, ainda que moderado. Apenas 29% não perceberam diferença.

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Apoio vai além da base petista

A aprovação ao programa ultrapassa os eleitores tradicionais do governo. Entre os lulistas, 70% consideram o Desenrola 2.0 uma boa ideia. O índice chega a 73% entre eleitores de esquerda não lulistas.

O dado mais relevante para o Planalto aparece entre os independentes, grupo considerado decisivo para as eleições de 2026. Nesse segmento, 51% avaliam positivamente o programa.

Mesmo entre eleitores de direita não bolsonaristas, o apoio chega a 29%, praticamente empatado com os 41% que classificam a iniciativa como uma má ideia.

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Entre bolsonaristas, a divisão é maior: 30% veem o programa como positivo, enquanto 36% o consideram negativo.

Pacote de medidas ganha visibilidade

A pesquisa também mediu a recepção de outras iniciativas anunciadas pelo governo. As medidas para reduzir o preço dos combustíveis são as mais conhecidas e aprovadas: 53% dos entrevistados afirmam conhecer e apoiar a proposta.

O fim da chamada “taxa das blusinhas” aparece logo atrás, com 45% de conhecimento e aprovação. Já o programa Move Brasil registra 41% de aprovação entre os entrevistados, enquanto o programa Brasil Contra o Crime Organizado alcança 39%.

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Os dados sugerem que o governo conseguiu ampliar a visibilidade de sua agenda econômica e de consumo nas últimas semanas, justamente no período em que a aprovação presidencial voltou a subir e a avaliação negativa passou a recuar.

A Quaest entrevistou 2004 eleitores, entre 05 e 08 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo e o nível de confiança é de 95%.