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A ofensiva tarifária dos Estados Unidos contra produtos brasileiros parece ter produzido um efeito político favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra que os brasileiros tendem a concordar mais com a narrativa do Planalto do que com a apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre a origem do novo tarifaço.
Segundo o levantamento, 47% dos entrevistados concordam com Lula, que acusa Flávio de ter atuado junto ao presidente americano Donald Trump em favor da imposição das tarifas ao Brasil.
Outros 35% concordam com a versão apresentada pelo senador, segundo a qual ele teria pedido ao republicano justamente para não adotar novas barreiras comerciais contra os produtos brasileiros. Outros 18% não souberam responder.
O resultado reforça uma das principais linhas de ataque adotadas pelo governo desde que Trump anunciou a intenção de elevar tarifas sobre exportações brasileiras. Desde então, Lula e aliados passaram a associar a medida à atuação de integrantes da família Bolsonaro junto à Casa Branca.
A vantagem do presidente aparece também em outra questão da pesquisa. Quando os entrevistados foram questionados sobre qual explicação consideravam mais plausível para as novas tarifas, 46% concordaram com a tese de Lula de que a medida seria uma retaliação ao PIX e ao avanço do sistema brasileiro de pagamentos. Já 36% ficaram com a versão de Flávio Bolsonaro, que atribui a decisão às declarações críticas de Lula aos Estados Unidos. Outros 10% não concordam com nenhuma das versões.

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Disputa pelo patriotismo
A pesquisa mostra que a crise comercial também alterou a percepção dos eleitores sobre quem representa melhor os interesses nacionais.
Questionados sobre quem melhor defende o Brasil atualmente, 47% apontaram Lula, enquanto 37% citaram Flávio Bolsonaro. Outros 10% disseram que nenhum dos dois representa melhor os interesses do país.
O levantamento identificou ainda impacto direto sobre a intenção de voto. Para 39% dos entrevistados, o episódio das tarifas aumenta a disposição de votar em Lula. Outros 30% afirmam que ficaram mais inclinados a votar em Flávio Bolsonaro, enquanto 23% dizem que o episódio os aproxima de um terceiro candidato.
Brasileiros rejeitam argumento americano
Outro dado relevante para a disputa política envolve a própria justificativa apresentada por Washington para a adoção das tarifas.
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Apenas 21% dos entrevistados concordam com a afirmação de que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é injusta e prejudica empresas americanas. A maioria, 57%, rejeita essa avaliação. Outros 22% não souberam responder.
A pesquisa também mostra que a percepção sobre os impactos econômicos da medida continua elevada. Para 55% dos brasileiros, as tarifas impostas pelos Estados Unidos devem prejudicar suas vidas ou as de suas famílias. Apenas 37% acreditam que não haverá impacto.
Além disso, 49% acreditam que Trump manterá as tarifas, enquanto 35% apostam em um recuo da Casa Branca.
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Conhecimento do tema cresce
A discussão sobre o tarifaço ganhou espaço rapidamente no debate público. Em agosto do ano passado, 84% dos brasileiros afirmavam já ter tomado conhecimento do tema. Na rodada atual, metade dos entrevistados disse já conhecer o assunto antes da pesquisa e a outra metade afirmou ter tomado conhecimento recentemente.
Os números ajudam a explicar por que a crise comercial se transformou em um dos principais temas da pré-campanha presidencial. Além dos potenciais efeitos econômicos, o episódio passou a influenciar diretamente a disputa narrativa entre Lula e Flávio Bolsonaro sobre soberania nacional, defesa da economia brasileira e relação com os Estados Unidos.
A Quaest entrevistou 2004 eleitores, entre 05 e 08 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo e o nível de confiança é de 95%.
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