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Os quase R$ 5 bilhões reservados para financiar as eleições de 2026 não chegaram de forma igual aos partidos. A maior parte do dinheiro ficou concentrada nas legendas com bancadas maiores no Congresso e melhor desempenho nas urnas em 2022.
O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral, soma R$ 4.961.519.777 neste ano. Desse total, PL, PT e União Brasil ficaram juntos com pouco mais de R$ 2 bilhões, cerca de 40% de todo o dinheiro disponível.
O PL recebeu a maior parcela: R$ 881,7 milhões, ou 17,8% do fundo. O PT ficou com R$ 615,4 milhões e o União Brasil, com R$ 526,2 milhões.
Na outra ponta, dez partidos receberam cerca de R$ 3,3 milhões cada. A diferença entre o maior e o menor repasse passa de R$ 878 milhões.

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Tamanho das bancadas
A distribuição do fundo é definida por quatro critérios. Apenas 2% do total são divididos igualmente entre todos os partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Essa parcela soma cerca de R$ 99,2 milhões.
Os outros 98% dependem do desempenho político das legendas. Dessa parte, uma fatia de 35%, equivalente a cerca de R$ 1,74 bilhão, é distribuída conforme a votação obtida para a Câmara dos Deputados na eleição anterior.
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A maior parcela, de 48%, ou aproximadamente R$ 2,38 bilhões, considera o tamanho das bancadas de deputados federais. Os 15% restantes, cerca de R$ 744,2 milhões, levam em conta a representação de cada partido no Senado.
PL lidera com R$ 881,7 milhões
No PL, a maior fatia veio justamente do tamanho da bancada na Câmara. Dos R$ 881,7 milhões destinados ao partido, R$ 454,9 milhões correspondem a esse critério. Outros R$ 285,6 milhões foram calculados com base nos votos recebidos para deputado federal em 2022 e R$ 137,8 milhões refletem a presença da legenda no Senado.
A parcela dividida igualmente entre todos os partidos acrescentou cerca de R$ 3,3 milhões.
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O PT recebeu R$ 315,7 milhões pelo tamanho da bancada na Câmara, R$ 213,7 milhões pelo desempenho eleitoral e R$ 82,7 milhões pela representação no Senado.
No União Brasil, foram R$ 264,6 milhões pela bancada de deputados, R$ 166,4 milhões pelos votos de 2022 e R$ 91,9 milhões pela presença no Senado.
Quem vem depois
Depois de PL, PT e União Brasil aparecem PSD, PP e MDB. O PSD recebeu R$ 421 milhões; o PP, R$ 417,1 milhões; e o MDB, R$ 400 milhões. O Republicanos ficou com R$ 348,6 milhões.
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Na sequência aparecem Podemos, com R$ 246 milhões; PDT, com R$ 169,3 milhões; PSB, com R$ 152,3 milhões; PSDB, com R$ 147,9 milhões; e PSOL, com R$ 131,5 milhões.
Na parte de baixo da distribuição, Agir, DC, Democrata, Missão, Mobiliza, PCB, PCO, PRTB, PSTU e UP ficaram praticamente restritos à parcela igualitária de aproximadamente R$ 3,3 milhões.
Dinheiro chega ao partido
A divisão divulgada pelo TSE mostra quanto cada partido tem direito a receber. Ela não indica quanto cada candidatura terá à disposição. Essa segunda etapa é decidida internamente pelas legendas.
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Os diretórios nacionais precisam aprovar e tornar públicos os critérios usados para repartir os recursos. A partir deles, podem priorizar uma candidatura presidencial, uma disputa por governo estadual, uma vaga considerada competitiva para o Senado ou determinados candidatos a deputado.
Isso faz com que a concentração continue dentro dos próprios partidos. Isso mostra o porquê de duas candidaturas da mesma legenda e ao mesmo cargo podem receber valores muito diferentes, dependendo da estratégia adotada pela direção partidária.
A Justiça Eleitoral fiscaliza o cumprimento das regras legais, especialmente as cotas relacionadas a gênero e raça, mas não define quais campanhas devem receber mais dinheiro.
Presidência pode consumir milhões
A eleição de 2022 mostra quanto uma campanha presidencial pode absorver desse caixa. A chapa de Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin declarou R$ 135,5 milhões em receitas e R$ 131,3 milhões em despesas entre os dois turnos. Segundo o TSE, 92,84% dos recursos arrecadados vieram de fundos públicos.
Naquele ano, o teto de gastos para presidente era de R$ 88,9 milhões no primeiro turno. Para os candidatos que chegaram à segunda etapa, o limite subiu para cerca de R$ 133,4 milhões.
A campanha vencedora, portanto, gastou quase todo o teto permitido. O dinheiro foi usado em publicidade, viagens, contratação de equipes, produção audiovisual, eventos, serviços jurídicos, contabilidade e comunicação digital.