“Não quero que empresas quebrem, mas ninguém tem que morrer trabalhando”, diz Lula

Presidente afirmou que governo pretende "combinar" a manutenção das empresas com a melhora das condições de trabalho no período de transição

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta sexta-feira (16), a promulgação da PEC que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais e impõe o fim da escala 6×1. Durante discurso na sessão solene no Congresso Federal, o petista rebateu críticas dos setores empresariais sobre supostos prejuízos à economia trazidos pela mudança na CLT.

“Não quero que empresas quebrem, mas também ninguém quer que um trabalhador morra por falta de descanso”, destacou. “Precisamos combinar a manutenção da empresa com a manutenção e a saúde das mulheres e dos homens que trabalham”, reforçou o presidente.

Para Lula, os argumentos utilizados pela “elite” contra dois dias de descanso remunerado já existiam em 1988, quando a Constituição Federal instituiu melhorias nos direitos para as classes trabalhadoras.

“É muita coisa tentar jogar nas costas do povo trabalhar, que reinvindica mais um dia de descanso, a responsabilidade por uma crise. É mentira, a palavra correta é mentira”, disse. “Quando lutamos pelas férias remuneradas, disseram que o ócio ia aproximar o trabalhador da bebida. Quer dizer, o patrão viaja para Paris, mas o trabalhador só tem a bebida?”, enfatizou.

Para o presidente, o resultado da aprovação da PEC no Congresso é uma resposta às reivindicações do povo “que foi às ruas” cobrar por melhorias no trabalho. “O que nós fazemos aqui hoje é obedecer a vontade de um povo que foi às ruas, que cobrou de nóis, que exigiu”, concluiu.

Durante a sessão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também elogiou os congressistas pelos esforços centrados na aprovação da medida, votada na quinta-feira (15) em dois turnos na Casa Alta.

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“Estamos promulgando duas emendas à Constituição que representam conquistas para milhões de trabalhadoras e trabalhadores brasileiros”, afirmou. “São duas conquistas enormes com o mesmo significado: dignidade para o trabalhador brasileiro”, complementou.

Ao tratar da mudança na jornada, Alcolumbre afirmou que a aprovação das propostas foi resultado do debate e da articulação entre Câmara e Senado. “Nosso papel é construir consensos, e não aprofundar divisões. O Congresso sempre esteve e sempre estará de portas abertas para quem pensa diferente”, declarou.

Os próximos passos

Com a promulgação da PEC 221/2019, o Brasil passará por um período de transição para a adequação da nova jornada de trabalho. A partir da publicação no DOU, começará a contar o prazo de 60 dias para a primeira etapa da transição, que reduz de 44 para 42 horas semanais de trabalho, além da obrigatoriedade de dois dias de descanso, um deles sendo preferencialmente aos domingos.

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Após mais 12 meses, o limite será reduzido para 40 horas, completando a transição em 14 meses.

Aprovação no Senado

O Senado Federal aprovou, na quarta-feira (14), em dois turnos, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala de trabalho 6×1. O placar foi de 75 à favor da redução da jornada de trabalho, e 1 voto contrário.

Com a conclusão da votação, o texto pode ser promulgado nesta sexta-feira (16).

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A aprovação representa um avanço para o governo Lula à dez dias da disputa pela reeleição no segundo turno, que ocorre em 25 de outubro. Neste ano, o petista retomou a discussão sobre a redução de jornada como um dos principais motes da campanha eleitoral.

Flávio mudou de posição antes da votação

A aprovação ocorreu após o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) anunciar, na terça-feira (13), que votaria a favor da PEC, apesar das críticas feitas à proposta nos últimos meses.

“A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6×1, então vou votar a favor”, declarou o senador.

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O PL liberou sua bancada para votar. A legenda, entretanto, já discute mudanças nas regras trabalhistas para 2027, caso Flávio vença a eleição.

Na quarta-feira, o líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que pretende apoiar uma proposta alternativa elaborada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que permite contratos com remuneração proporcional às horas trabalhadas.

A mudança de posição de Flávio ocorreu enquanto o governo Lula intensificava a pressão pela aprovação da PEC antes da eleição presidencial.

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Caio César
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