Moradores relatam execuções e ferimentos à queima-roupa entre mortos no Rio

Corpos apresentam tiros na nuca e facadas, segundo relatos; IML do Rio foi fechado para receber apenas vítimas da operação

Marina Verenicz

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Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, relataram sinais de execuções sumárias entre os mortos encontrados após a megaoperação policial realizada na região.

Segundo informações do UOL, parte dos corpos — localizados em uma área de mata — apresentava tiros na nuca, nas costas e marcas de facadas.

Durante a madrugada, mais de 60 corpos foram enfileirados na praça São Lucas, dentro do complexo. Segundo o portal, os mortos apresentavam ferimentos visíveis na cabeça e nas pernas. Outras seis vítimas foram levadas por moradores em uma Kombi até o Hospital Estadual Getúlio Vargas, também na Penha.

As vítimas foram retiradas da mata por moradores e pelo Corpo de Bombeiros, sem a presença da Polícia Civil no local.

O transporte foi feito com rabecões da Defesa Civil, que começaram a recolher os corpos por volta das 9h. Cada veículo tem capacidade para transportar até seis vítimas por vez.

O Instituto Médico-Legal (IML) do Rio foi fechado temporariamente para receber exclusivamente os corpos das vítimas da operação. Segundo a Polícia Civil do Rio (PCERJ), outros casos de necropsia estão sendo transferidos para o IML de Niterói.

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A operação, batizada de Contenção, é a mais letal da história do estado. Até o momento, o governo do Rio contabiliza 72 mortos, entre eles, quatro policiais.

A operação foi deflagrada na terça-feira (28) nos complexos da Penha e do Alemão, com o objetivo de desarticular o Comando Vermelho (CV). A ação mobilizou 2.500 agentes das polícias Civil e Militar e resultou em confrontos que se estenderam por toda a zona norte do Rio.