Militar da Marinha ajudou CV a usar drones-bomba no Rio, diz investigação

acção usou drones para lançar explosivos contra policiais; investigações mostram elo entre o tráfico e tecnologia militar

Marina Verenicz

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Criminosos do Comando Vermelho (CV) utilizaram drones-bomba durante a megaoperação realizada nesta terça-feira (28) nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro.

As imagens divulgadas pela Polícia Civil mostram aeronaves sobrevoando agentes e lançando granadas de forma coordenada.

“É assim que a polícia do Rio de Janeiro é recebida por criminosos: com bombas lançadas por drones”, afirmou o governador Cláudio Castro (PL) ao comentar os ataques. Não há registro de feridos.

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A ação faz parte da Operação Contenção, que mobilizou 2.500 agentes e pode ter deixado mais de 100 mortos, além de 81 prisões. O objetivo era atingir o núcleo de comando da facção que atua nas comunidades da Penha e do Alemão, um dos territórios mais estratégicos do tráfico no estado.

Tecnologia militar

Em 2023, o programa Fantástico, da TV Globo, revelou que um militar da Marinha teria ajudado o Comando Vermelho a adaptar os equipamentos para lançar explosivos, em um esquema que unia tecnologia de guerra e o tráfico de drogas.

O cabo Rian Maurício Tavares Mota foi preso pela Polícia Federal em um quartel em Niterói (RJ). Segundo as investigações, ele era responsável por desenvolver dispositivos capazes de acoplar granadas aos drones e por treinar criminosos no uso da tecnologia durante confrontos armados.

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Na residência do militar, os agentes encontraram um bunker subterrâneo, preparado para abrigo e sobrevivência por vários dias, além de equipamentos eletrônicos de comunicação e vigilância.

“Nós precisamos comprar o dispensador, chefe. É um dispositivo que bota no drone, que ele libera a granada, entendeu? Sendo que vem um cabinho segurando no pino”, diz um dos criminosos em áudio interceptado pela PF.

Segundo a investigação reveladas pelo jornal, o interlocutor era Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como chefe do Comando Vermelho.

Ameaça à segurança

A Polícia Federal afirma que o caso não foi isolado. Outras apurações identificaram diferentes facções utilizando drones modificados para lançar granadas e monitorar o deslocamento de agentes durante operações.

Em uma das mensagens interceptadas, datada de 2 de fevereiro de 2024, Rian enviou a Doca um vídeo mostrando o uso de drones na guerra da Ucrânia, oferecendo-se para replicar o sistema de lançamento remoto para uso em confrontos entre facções rivais no Rio.

O avanço desse tipo de armamento improvisado preocupa autoridades da área de segurança, que veem na militarização das facções um novo patamar de risco urbano.

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A megaoperação desta terça-feira é considerada a mais letal da história do Rio e ocorreu em meio à escalada de violência na região.

O governo estadual atribui a ofensiva à tentativa de reconquistar territórios dominados pelo Comando Vermelho, enquanto o governo federal promete reforçar a atuação da Força Nacional e avaliar novas estratégias de combate ao crime organizado.