Marinho amplia pressão sobre o BC após desaceleração do mercado de trabalho

Ministro do Trabalho critica política monetária, rebate declarações do Banco Central e afirma que cenário externo freou a geração de empregos em maio

Marina Verenicz

Ministro Luiz Marinho em Brasília
 28/8/2023   REUTERS/Adriano Machado
Ministro Luiz Marinho em Brasília 28/8/2023 REUTERS/Adriano Machado

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A abertura de vagas formais de trabalho desacelerou em maio e levou o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, a fazer novas críticas à condução da política monetária.

Ao comentar os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta terça-feira (30), o ministro afirmou que o desempenho foi influenciado pelos juros elevados, pelos efeitos da guerra no Oriente Médio e pelas tarifas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos.

O mercado de trabalho registrou saldo positivo de 72.960 empregos com carteira assinada em maio, o menor resultado para o mês desde 2020. Para Marinho, a economia brasileira continua gerando vagas, mas em ritmo inferior ao que poderia alcançar.

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“O mercado de trabalho poderia estar muito mais positivo”, afirmou durante entrevista coletiva.

O ministro voltou a direcionar críticas ao Banco Central, que recentemente mencionou o aquecimento do mercado de trabalho entre os fatores observados na condução da política monetária.

“Eu ouvi, esta semana, alguém do Banco Central falando da preocupação com o emprego, que insiste em ser positivo. Eu não consigo entender a mensagem de que o emprego tem de ser negativo. Parece uma tara por emprego negativo”, declarou.

Segundo Marinho, o atual nível da taxa básica de juros reduz investimentos, dificulta a expansão das empresas e acaba afetando a contratação de trabalhadores.

“Quero chamar a atenção do Banco Central. A política monetária, do jeito que está, vem gerando um efeito muito negativo no mercado de trabalho, que era para estar mais positivo ainda”, disse.

Além dos juros, o ministro afirmou que o ambiente externo contribuiu para reduzir o ritmo de criação de empregos.

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Na avaliação de Marinho, a escalada das tensões no Oriente Médio e o aumento das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos provocaram incertezas na economia internacional e afetaram a atividade produtiva.