Lula minimizou caso Marcola e gerou incômodo no governo, dizem aliados

Relatos de aliados apontam versões divergentes sobre o momento em que o presidente soube dos empréstimos recebidos por seu ex-chefe de gabinete de empresária ligada ao caso do INSS

(Foto: Adriano Machado / Reuters)
(Foto: Adriano Machado / Reuters)

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O Palácio do Planalto enfrenta uma nova frente de desgaste político com as revelações envolvendo Marco Aurélio Ribeiro Santana, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo relatos obtidos pela CNN Brasil, aliados avaliam que Lula subestimou o potencial da crise ao tratar dos empréstimos recebidos por seu antigo auxiliar da empresária Roberta Luchsinger, citada nas investigações sobre fraudes no INSS.

O principal ponto de dúvida nos bastidores não é a existência dos empréstimos, admitidos por Marcola, mas quando o presidente tomou conhecimento da relação entre seu auxiliar e personagens ligados às investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Há versões diferentes dentro do próprio governo. Uma delas sustenta que Marcola informou Lula sobre os empréstimos apenas poucos dias antes de o caso se tornar público, em reportagem do Metrópoles. Outra corrente afirma que o presidente já conhecia a situação antes de transferir o auxiliar do gabinete presidencial para a coordenação da campanha à reeleição, movimento que teria buscado evitar que a crise atingisse diretamente o Planalto.

Apesar das divergências sobre a cronologia dos fatos, Lula saiu em defesa de Marcola durante reunião com partidos da base aliada realizada na quarta-feira.

De acordo com informação publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, o presidente questionou os presentes sobre quem nunca havia recorrido a um empréstimo com um amigo, minimizando o episódio envolvendo seu ex-chefe de gabinete.

A avaliação de integrantes do governo ouvidos pela CNN é que Lula não dimensionou o impacto político do caso, especialmente porque ele surge em um momento em que investigações relacionadas ao esquema do INSS também atingem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Marcola deixou a chefia de gabinete da Presidência recentemente, oficialmente para integrar a campanha de reeleição de Lula. Nos bastidores, porém, a mudança passou a ser interpretada por parte de aliados como uma tentativa de afastar do Palácio do Planalto um episódio que poderia ganhar repercussão durante o início da corrida eleitoral.

O ex-chefe de gabinete admite ter recebido recursos de Roberta Luchsinger, mas afirma que os valores se referem a um empréstimo pessoal já quitado. Em nota, ele sustenta que não praticou qualquer irregularidade e que nunca utilizou sua função pública para beneficiar terceiros.

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