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O empresário Saul Klein, filho do fundador da Casas Bahia, Samuel Klein, virou réu em um processo criminal que investiga suspeitas de exploração sexual, favorecimento da prostituição e organização criminosa. A decisão foi assinada pela 2ª Vara Criminal de Barueri, na Grande São Paulo, e tramita sob sigilo.
Segundo informações divulgadas pelo g1, o Tribunal de Justiça de São Paulo aceitou parte das acusações apresentadas pelo Ministério Público contra o empresário de 72 anos. Entre os crimes atribuídos a Saul Klein está o favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança, adolescente ou pessoa vulnerável.
A investigação reúne depoimentos de mulheres que afirmam ter sido recrutadas mediante promessas de trabalho e participação em eventos organizados pelo empresário.
De acordo com a decisão judicial, os relatos apontam uma “dinâmica reiterada” de aliciamento. Uma das vítimas afirmou ter sido chamada entre 2011 e 2013 para supostos “eventos de showroom”, sem saber inicialmente o contexto das atividades.
Os investigadores sustentam que o esquema envolvia recrutamento sistemático de mulheres e adolescentes. A defesa de Saul Klein afirmou que o próprio Judiciário rejeitou acusações mais graves, como estupro, cárcere privado e redução à condição análoga à escravidão.
Em nota, o advogado Alberto Zacharias Toron declarou que as relações mencionadas no processo ocorreram em ambiente “livre e consensual”, dentro de uma dinâmica de “sugar daddy e sugar baby”.
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Segundo a defesa, o magistrado reconheceu a necessidade de aprofundar a discussão durante a fase de instrução processual. “A defesa permanece confiante de que, ao final do processo, todas as acusações serão integralmente rejeitadas”, afirmou Toron.
As suspeitas envolvendo Saul Klein ganharam repercussão nacional em 2020, após relatos exibidos pelo programa Fantástico, da TV Globo. Na ocasião, mulheres descreveram festas e encontros promovidos pelo empresário em propriedades localizadas em Barueri.
No ano seguinte, o UOL divulgou vídeo em que Saul Klein afirmava ter pago R$ 800 mil para firmar acordos com duas mulheres que frequentavam o imóvel. Segundo a reportagem, os valores teriam sido usados para evitar exposição pública do caso.
A investigação também recupera episódios ligados ao histórico da família Klein. Os autos mencionam semelhanças entre as acusações feitas contra Saul e denúncias envolvendo Samuel Klein, fundador da Casas Bahia, morto em 2014.
As acusações contra Samuel foram reveladas em 2021 pela Agência Pública. A reportagem ouviu mais de 35 pessoas, incluindo ex-funcionários da empresa, advogados e mulheres que relataram abusos ocorridos entre 1989 e 2010.
Segundo a investigação jornalística, Samuel Klein teria mantido uma estrutura de exploração sexual de adolescentes entre 9 e 17 anos. Os encontros teriam ocorrido em imóveis ligados à família em São Paulo, Angra dos Reis e na Baixada Santista.
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Ainda segundo os relatos publicados pela Agência Pública, algumas jovens recebiam dinheiro, produtos e até cestas básicas em troca da participação nos encontros.
O processo contra Saul Klein agora entra na fase de instrução, quando serão ouvidas testemunhas e analisadas provas reunidas pelo Ministério Público.
